Podcast Patrimoniar traz conteúdos digitais sobre patrimônio cultural - Imagem: PRCEU/USP

Podcast discute memória negra e futebol como elementos de educação patrimonial

Ampliando o debate acerca da preservação de patrimônios culturais, programa Patrimoniar já conta com três episódios, reunindo especialistas de diferentes áreas

 Publicado: 19/01/2023

Gustavo Roberto da Silva

O Centro de Preservação Cultural — Casa de Dona Yayá (CPC) da USP lançou, recentemente, um podcast intitulado Patrimoniar, voltado para a reflexão e ação sobre o patrimônio cultural. Cada episódio do programa conta com uma conversa que reúne pesquisadores, profissionais e ativistas sobre temas emergentes. Especialistas também discutem questões públicas ligadas ao patrimônio cultural, como lugares, edifícios, lembranças, afetos e práticas que compõem as identidades e memórias.

O programa é mensal e pode ser acessado tanto pelo site do CPC, quanto por diferentes serviços de streaming de áudio, como Spotify, Apple Podcast e Google Podcast. A produção é de Eduardo Kishimoto e Gabriel Fernandes, da equipe do CPC.

Confira um breve resumo e acompanhe os episódios já disponíveis:

O Projeto Interação e a educação patrimonial

Nos anos 1980, o governo federal promoveu um interessante projeto de articulação entre os mundos da educação e da cultura, em uma iniciativa que envolveu profissionais ligados à educação popular, à antropologia, à gestão cultural, entre outros. Trata-se do Projeto Interação. Hoje, tal iniciativa é vista como uma ação pioneira de educação patrimonial, entendida em uma perspectiva crítica, progressista e popular. Tal é a sua importância que se transformou em referência para ações educativas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan). São muitos os mitos e dúvidas a respeito do Projeto Interação, por se tratar de algo pouco estudado na história do País. Neste primeiro episódio, o Patrimoniar recebe João Lorandi Demarchi, autor de uma dissertação de mestrado que estudou o projeto.

Memória negra no Bexiga

Intervenções e empreendimentos recentes na região do Bexiga, área central de São Paulo, vêm levantando discussões a respeito da preservação do bairro e dos elementos ligados à memória dos grupos que tradicionalmente o ocupam. Bairro centenário, o Bexiga é usualmente associado à herança da imigração italiana. Contudo, trata-se de um bairro polifônico e caracterizado por inúmeras manifestações culturais e de memória. Uma delas, em particular, se destaca: trata-se da presença e da memória negra na região, onde se situava - desde o século 19 - um quilombo urbano.

A implementação de uma nova linha do Metrô na cidade, cortando o Bexiga, foi catalisadora de uma mobilização pelo reconhecimento e valorização da memória negra no Bexiga, bem como pela salvaguarda do direito à permanência da população negra e de baixa renda no bairro. O programa conta com a participação da jornalista, ativista, mestre em arquitetura e urbanismo e pesquisadora Gisele Brito, que comenta as ameaças recentes à presença e à memória negra no bairro do Bexiga, decorrentes das obras da Linha 6–Laranja do Metrô. A urbanista destaca o movimento Saracura/Vai-Vai e a luta pelo direito a uma cidade antirracista.

Futebol e patrimônio cultural

Mais do que uma modalidade esportiva, o futebol se constitui no Brasil em uma prática cultural popular que mobiliza afetos, memórias, identidades e lugares. No contexto da Copa do Mundo, os geógrafos e pesquisadores Alberto Luiz dos Santos e Rodrigo Accioly Almeida, autores de pesquisas recentemente defendidas na USP, complementam uma conversa a respeito de distintas facetas dessa prática que tanto diz sobre a identidade de parcelas significativas da população brasileira.

O Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP foi criado em 2002 como órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. As atividades do centro buscam propiciar reflexões sobre temas que envolvem o patrimônio cultural. Além do podcast, o CPC possui um canal no Youtube, que conta com registros dos principais eventos e produções especiais realizadas. 

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Em meio às obras do Metrô, grupos se mobilizam pela memória do Bixiga

Materiais educativos on-line exploram a Casa de Dona Yayá

Para Flávia Brito do Nascimento, diretora do CPC, a ocupação qualificada de diferentes espaços e plataformas eletrônicas é fundamental para a realização de uma adequada política de cultura e extensão universitária, constituindo mais recursos para a difusão do debate sobre patrimônio cultural.

A atual sede do CPC é a Casa de Dona Yayá, localizada no bairro do Bexiga, em São Paulo. Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, foi considerada incapaz de administrar sua própria vida e seus bens, recebendo interdição judicial. Yayá viveu reclusa por 40 anos no casarão, imóvel tombado nas instâncias municipal e estadual.

Com informações da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU)


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