USP comemora aniversário de São Paulo

Museu Paulista e Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP têm programação especial no aniversário da cidade, neste sábado, dia 25 de janeiro

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Museu Paulista vai promover o evento Tapume! Festival de Graffiti – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Neste sábado, dia 25 de janeiro, a cidade de São Paulo completa 466 anos e a Universidade de São Paulo, 86 anos. Para comemorar as duas datas, dois museus da USP planejaram uma programação especial. O Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, mesmo fechado para obras de restauro e modernização, vai promover o evento Tapume! Festival de Graffiti, reunindo 35 grafiteiros que vão transformar em obra de arte os 219 metros de tapumes que protegem a sua fachada desde outubro do ano passado, quando começaram as reformas. Já no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP será inaugurada instalação do fotógrafo, cineasta, poeta e artista visual Tadeu Jungle, Você Está Aqui, ocupando a empena do prédio. Além disso, há uma grande programação espalhada pela cidade de São Paulo para comemorar o aniversário da metrópole (veja matéria abaixo).

No Museu Paulista o público vai poder acompanhar o trabalho dos grafiteiros, no próprio dia 25 de janeiro, das 10 às 19 horas. Há ainda oficinas e muita música no entorno do edifício-monumento. Segundo a historiadora e diretora do Museu Paulista, Solange Ferraz de Lima, o evento é uma forma de estabelecer uma aproximação com a produção artística contemporânea, caso da potente arte urbana. Além disso, como ressalta, não se encerra na arte em si, mas promove uma reflexão através de palestras e oficinas, cumprindo o perfil de extensão e formação do museu.

Museu Paulista comemora aniversário de São Paulo com a intervenção Tapume! Festival de Graffiti – Foto: Divulgação

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A idealização e curadoria é do artista Verde (Gustavo Cortelazzi), que também participa do evento ao lado de nomes de destaque da arte urbana, como Binho, Chiwitz, Pas, Ronah e Tikka. Com um ateliê em frente ao museu, o artista conta que sugeriu o evento ao Museu Paulista e convidou os grafiteiros, alguns das primeiras escolas de grafite e outros da nova geração. Os trabalhos serão inspirados no tema “O visível e o invisível na história” e também no acervo do museu, que está disponível na Wikipédia: Glam do Museu Paulista, projeto mundial da Wikipédia (Glam é uma sigla para Galleries, Libraries, Archives, Museums) de compartilhamento de acervos de instituições culturais. Segundo Solange, o Museu Paulista é uma das primeiras instituições a incluir verbetes e audiodescrição em algumas obras, focando também na acessibilidade.

Durante a intervenção, entre às 10h e 14h, os grafites são embalados por música comandada pelo DJ Julio Torres, que já tocou em festivais como Rock in Rio, Tomorrowland e Skol Beats e preparou um set pensado para o evento, que vai do hip-hop oldschool dos anos 1990 até o atual. Há também um food truck, próximo ao museu, que se torna palco, a partir das 14 horas, de quatro bandas de rock: Rockaholics, Hollywood Again, Maybe Mad e Ápice Rock. O público ainda será incentivado a tirar fotos para postagem nas redes sociais com a hashtag #festivaltapume, sendo que a melhor imagem será premiada com um shape de skate grafitado pelos artistas e uma camiseta.

Baixo Ribeiro, fundador da galeria Choque Cultural e coordenador do programa USP_Urbana, ministra palestra no Auditório do Museu Paulista – Foto: Divulgação/Choque Cultural

A programação gratuita ainda traz, às 10 horas, a palestra Arte Urbana no Século XXI, ministrada por Baixo Ribeiro, fundador da galeria Choque Cultural e coordenador do programa USP_Urbana, no auditório do museu (próximo às obras) – são 50 vagas mediante inscrições neste link. E outras duas oficinas: às 11h30, Guilherme Matsumoto, que assina seus trabalhos como XguiX, ministra a oficina de grafite voltada para adultos iniciantes; e às 15 horas, o grafiteiro Verde dá aulas para crianças e adolescentes, com idades entre 8 e 14 anos (as vagas para ambas estão esgotadas, mas os interessados podem deixar os nomes na lista de espera no e-mail acadmp@usp.br).

No MAC-USP, o poema visual Você Está Aqui, de Tadeu Jungle, será inaugurado também no dia 25 de janeiro, às 11 horas. A ideia surgiu em uma viagem do artista pela Europa, no começo dos anos 1980, quando ele chegou a uma estação de trem de Paris e não conseguiu localizar o clássico sinal – “você está aqui” – no mapa. Segundo o artista, o sinal tinha descolado e caído, e de nada adianta o mapa sem o sinal. A ideia ficou em suas anotações e só ganhou forma em 1997, quando Jungle criou, com a ajuda de Guto Lacaz, um pequeno adesivo (4 cm x 4 cm) impresso em 10 mil cópias que poderiam ser coladas em qualquer lugar. O artista o chamou de plastic graffiti, porque, em suas palavras, “ele é similar a uma pintura em grafite, é anônimo e é público”. No mesmo ano, o trabalho foi lançado em uma galeria, ganhando vários suportes, como camisetas, caixas de fósforos, copos, relógios e até descanso de tela de computador, e foi exibido em um painel de LED no Vale do Anhangabaú.

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Poema visual Você Está Aqui, de Tadeu Jungle, ocupa a empena do prédio do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP – Fotos: Divulgação
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Primeira versão impressa do poema visual Você Está Aqui (1997, 4 x 4 cm), que viajou o mundo e ganhou novos suportes – Foto: Divulgação

O poema também ganhou uma versão em inglês, viajou para dez países e, em 2013, se transformou em um site specific. Mas Jungle sempre quis fazer o poema em grande escala. E agora ele ocupa a empena do MAC-USP em 555 metros quadrados, distribuídos em oito andares. Segundo o artista, Você Está Aqui é o maior poema impresso já feito no Brasil, visível há mais de 1 quilômetro de distância. “São 537 lâminas de 50 centímetros por 2 metros, coladas uma a uma, em um trabalho que durou quatro dias”, relata. Segundo ele, em um primeiro momento, o poema causa estranheza porque está fora de contexto. “Não é figurativo, nem mesmo abstrato e, apesar de ser uma frase muito conhecida, sai dos mapas do Metrô, do shopping e do Google e se torna um momento de reflexão do presente”, afirma. “Espero que o poema contribua para a reflexão sobre a poesia e a arte pública no País, e que a obra leve a indagar: para onde vamos?”

Tapume! Festival de Graffiti acontece no dia 25 de janeiro, a partir das 10 horas, no entorno do Museu Paulista (av. Nazaré, s/nº, Ipiranga); Você Está Aqui, de Tadeu Jungle, pode ser vista a partir de 25 de janeiro até 26 de abril, no MAC-USP (av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera, tel. 2648-0254).

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Uma festa para São Paulo

Orquestra Sinfônica Municipal e Coro Lírico Municipal – Foto: Reprodução/YouTube

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Ainda na onda de exposições, duas outras serão inauguradas no dia 25 de janeiro, com destaque para a mostra que reúne 300 das cerca de 35 mil imagens do arquivo do fotógrafo alemão Peter Scheier, sob a guarda do Instituto Moreira Salles (veja matéria na íntegra neste link). E o Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, inaugura, às 11 horas, Heranças de um Brasil Profundo, reunindo arte plumária, adornos, máscaras, fotografias, esculturas e utensílios de povos indígenas – a exposição encerra a trilogia que ilumina a arte e a cultura dos povos que deram origem ao Brasil e que já exibiu as contribuições africanas e portuguesas. Paralelamente, acontece um pocket show da rapper, atriz e ativista indígena Katú Mirim; e o lançamento do livro Viemos de Longe, Para Longe Vamos – Povos originários do Brasil – Dos paleoíndios à contemporaneidade, uma bibliografia, com autoria do professor, sociólogo e historiador Carlos Eugênio Marcondes de Moura (mais informações no site do museu).

A Secretaria Municipal de Cultura também preparou mais de 300 atrações gratuitas, espalhadas por 150 pontos da cidade de São Paulo, incluindo shows de Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Skank e dos rappers Emicida e Karol Conka. Há também cinema, dança, teatro, circo, debates, palestras e roteiros de memória. O destaque é o Grande Cortejo Modernista, que sai às 12 horas do Pátio do Colégio, com itinerário que percorre vários pontos turísticos da capital, onde serão realizados shows enquanto atores convidados dão vida a personagens históricos, como o escritor Mário de Andrade (interpretado por Pascoal da Conceição), Heitor Villa-Lobos (Marcos Palmeira) ou Anita Malfati (Virginia Cavendish). É uma verdadeira viagem pela história do Modernismo e suas manifestações, trazendo, entre os destaques, o Balé da Cidade, em coreografias inspiradas em Tarsila do Amaral; clássicos do samba paulistano, com o grupo Demônios da Garoa em trilha que embala os bailarinos em performances aéreas; além do Bloco Pagu, que homenageia a escritora e jornalista Patricia Galvão e conduz o público até o cruzamento das famosas Avenidas Ipiranga e São João. Confira a programação completa aqui.

No Teatro Municipal de São Paulo, que tem suas sacadas e saguão ocupados durante o cortejo modernista, ainda acontecem dois concertos. No período da manhã, às 10 horas, a Orquestra Bachiana Filarmônica Sesi-SP, sob a regência do maestro João Carlos Martins, recebe três músicos convidados: Tom Zé, Paulinho Moska e Filipe Catto, e conta com solos do tenor Jean William e da soprano Anna Beatriz Gomes. O programa São Paulo, 466 anos com alegria, sob o comando da jornalista Fabíola Cidral, ainda traz reflexões do filósofo, escritor e professor Mario Sergio Cortella, e da atriz e cantora Lu Lopes (a Palhaça Rubra). No período da tarde, às 16 horas, em frente ao teatro, a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal, também sob a regência de Martins e solo de Anna Beatriz Gomes, recebem a bateria da Escola de Samba Vai-Vai.
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