USP coloca a arqueologia brasileira no dia a dia das escolas

Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) promove, nos dias 17 e 24 de outubro, cursos de formação de professores, que vão aprender a utilizar kits e maquetes para ensinar a cultura de antigos povos do Brasil

Por - Editorias: Cultura
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Maquete tátil mostra o cotidiano dos índios que habitavam o Brasil
Os professores participam do programa do MAE e emprestam os kits com maquetes táteis e objetos arqueológicos para ensinar seus alunos – Foto: Divulgação/MAE

Contar a história, cultura e arte dos primeiros povos que habitaram o Brasil para os estudantes do ensino fundamental e médio é um dos desafios do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. Desde a década de 1980, o museu desenvolve um projeto pioneiro de educação, orientando na formação de professores que compartilham o que aprenderam nas salas de aula. E, além da aprendizagem, levam kits emprestados com maquetes táteis e reproduções de objetos arqueológicos de há 2 mil anos que os alunos podem manipular e descobrir os vestígios da realidade de uma sociedade que eles jamais imaginaram. Neste mês de outubro, as inscrições para os cursos de formação para os professores do ensino fundamental e médio estão abertas. Serão realizados nos próximos dias 17 e 24.

Maquete tátil mostra o cotidiano dos índios que habitavam o Brasil
Maquete tátil mostra o cotidiano dos índios que habitavam o Brasil – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A educadora Carla Gilbertoni Carneiro também não imagina quantos professores e quantos milhares de crianças de São Paulo já aprenderam com o programa. “A área de educação do MAE é pioneira na formação de professores”, observa. “Esta ação faz parte, desde o início, das estratégias realizadas pela área de educação do MAE, que acreditou na potencialidade da cultura material no processo de ensino-aprendizagem e ressaltou a especialidade das instituições museológicas nessa contribuição.”

Cenas reproduzem a vida atual dos indígenas
Cenas reproduzem a vida atual dos indígenas – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Duas maquetes diferentes contam a vida dos povos indígenas no passado e o cotidiano atual das comunidades que habitam perto dos rios. São cenas que tentam resgatar a realidade através dos estudos desenvolvidos pelos pesquisadores do MAE. “Nos últimos anos, as pesquisas realizadas por arqueólogos do MAE nos Estados do Amazonas, São Paulo e Minas Gerais têm trazido subsídios para a compreensão do modo de vida de diversas populações do passado e suas relações com as comunidades do presente”, conta o educador Maurício André Silva. “Para além dos avanços nas pesquisas, o MAE salvaguarda acervos importantes de cada região, sendo necessária a sua democratização com o público visitante da instituição.”

Silva explica que os kits de objetos indígenas despertam um interesse especial dos estudantes. “Esse material propicia o conhecimento de alguns aspectos referentes à socialização das crianças indígenas, por intermédio de desafios que envolvem várias habilidades, como manuseio, observação, questionamento, investigação, comparação e reflexão, que caracterizam a diversidade cultural dos povos indígenas.”

Programas educativos

O contato prévio com professores, segundo Carla Carneiro, é um dos princípios que norteiam as ações desenvolvidas pela equipe de educadores do MAE. “Reconhecemos a importância dessa aproximação, seja nos encontros de formação, seja no empréstimo dos recursos pedagógicos, com o desdobramento na orientação dos alunos em sala de aula.” A educadora salienta que o contato com a cultura material e a visita ao MAE acontecem de forma mais aprofundada e prazerosa. “Com uma equipe bem consolidada, voltada a propor diferentes experiências e desenvolver reflexão acadêmica sobre suas práticas, o MAE vem contribuindo para o desenvolvimento do campo da educação em museus no âmbito desta Universidade e no cenário nacional.”

As maquetes, muito bem montadas, apresentam a realidade dos índios que as crianças desconhecem
As maquetes, muito bem montadas, apresentam a realidade dos índios que as crianças desconhecem – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Outro kit que os professores, após a formação, podem utilizar na sala de aula é o de objetos arqueológicos e etnográficos. “Esse material pretende oferecer recursos para atividades com temas da arqueologia e da etnologia. Propõe desafios que envolvem o olhar, o observar, o manusear, o sentir, o relacionar, o questionar, o investigar e o comparar, além de desenvolver atitudes que permitem a cada um perceber-se sujeito na produção cultural que nos cerca”, orienta Maurício Silva. “O material é composto de objetos arqueológicos de diferentes partes do País e objetos etnográficos de diferentes grupos, contribuindo com a discussão sobre a diversidade cultural ao longo do tempo e do espaço.”

Os professores, depois da formação, podem ficar 15 dias com os kits educativos para orientar os seus alunos. Segundo estatísticas do MAE, a cada ano, todo o material educativo chega em diferentes escolas e instituições de São Paulo. No ano passado, os kits passaram pelas mãos de 17.188 estudantes de diversas idades. Diante desse resultado, o setor educativo do museu pretende desenvolver mais dois kits de objetos africanos e afro-brasileiros e também de objetos de arqueologia clássica. O protótipo desse material já está pronto. No entanto, o MAE está aguardando a verba para a sua produção.

Os estudantes podem manipular reproduções de fragmentos arqueológicos de há dois mil anos. Os kits também trazem brinquedos como uma boneca carajá, além de pentes, ralador de mandioca e objetos de uso pessoal - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os estudantes podem manipular reproduções de fragmentos arqueológicos de há dois mil anos. Os kits também trazem brinquedos como uma boneca carajá, além de pentes, ralador de mandioca e objetos de uso pessoal - - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os estudantes podem manipular reproduções de fragmentos arqueológicos de há dois mil anos. Os kits também trazem brinquedos como uma boneca carajá, além de pentes, ralador de mandioca e objetos de uso pessoal - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os estudantes podem manipular reproduções de fragmentos arqueológicos de há dois mil anos. Os kits também trazem brinquedos como uma boneca carajá, além de pentes, ralador de mandioca e objetos de uso pessoal - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os estudantes podem manipular reproduções de fragmentos arqueológicos de há dois mil anos. Os kits também trazem brinquedos como uma boneca carajá, além de pentes, ralador de mandioca e objetos de uso pessoal - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os estudantes podem manipular reproduções de fragmentos arqueológicos de há dois mil anos. Os kits também trazem brinquedos como uma boneca carajá, além de pentes, ralador de mandioca e objetos de uso pessoal - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os estudantes podem manipular reproduções de fragmentos arqueológicos de há dois mil anos. Os kits também trazem brinquedos como uma boneca carajá, além de pentes, ralador de mandioca e objetos de uso pessoal - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os educadores Carla Carneiro e Maurício André Silva - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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As próximas edições do Programa de Formação de Professores do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP serão realizadas em 17 e 24 de outubro, das 9h às 12h e das 14h às 18h. Grátis. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3091-4905. O MAE fica na avenida Professor Almeida Prado, 1.466, Cidade Universitária, em São Paulo.

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