“Saldiva e Plonski manifestam e atualizam o espírito do IEA”

Leia a seguir o discurso do ex-diretor do IEA, Martin Grossmann, lido durante a cerimônia de posse da nova diretoria do Instituto de Estudos Avançados

Por - Editorias: Cultura
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MARTIN GROSSMANN, ex-diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP

 

Martin Grosssmann - Foto: Marcos Santos
Martin Grossmann – Foto: Marcos Santos

Daqui de Birmingham, saúdo a todos que participam dessa solenidade de posse da nova diretoria do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

Confesso de antemão certa tristeza por não poder compartilhar presencialmente com vocês desse momento, mas agradeço pela possibilidade de participar, mesmo que seja virtualmente.

É motivo de júbilo que essa cerimônia ocorra em um dos principais centros de artes de São Paulo, o Instituto Tomie Ohtake, e em particular cercada por obras daquele que foi o mais impactante artista visual do século 20. O dionisíaco em Picasso, das artes, inspira a invenção, novas ideias, nos impele para o desconhecido, permite o encontro dos opostos, abraça a diversidade, promovendo, assim, a renovação. Esse contexto reflete perfeitamente o espírito de nosso Instituto de Estudos Avançados: plataforma mutante de pesquisa, crítica, reflexão, debate e exposição, que almeja e promove permanentemente não só sua atualização e renovação, como em particular as da Universidade e em especial das políticas públicas.

Interessante um breve retrospecto em relação ao perfil dos diretores anteriores: Carlos Guilherme Motta, historiador; Jacques Marcovitch, administrador; Umberto Cordani, geólogo; Alfredo Bosi, crítico literário; Gerhard Malnic, fisiologista; João Steiner, astrofísico; César Ades, etólogo. Eu tenho uma formação de artista visual. Ou seja, mesmo a distância, estou em casa. A diversidade sempre esteve presente também no perfil dos vice-diretores. Agora, com Saldiva e Plonski, temos a medicina e as engenharias. Esse é um claro exemplo da singularidade e pertinência de um dispositivo metacrítico como um IEA, no centro de nossa USP, uma vez que organicamente fomenta e cultiva a interdisciplinaridade.

A situação atual de nosso país e de alguns de nossos vizinhos, como a Venezuela, a decisão separatista aqui, a ascensão assustadora de personagens como Trump, Le Pen, Erdogan, Farage, Hofer, a existência de terrorismo ubíquo como o promovido pelo Estado Islâmico, o questionamento da validade das humanidades e ciências sociais em estruturas acadêmicas, como ocorre no Japão, assim como em nosso Estado de São Paulo, o gesto do atual governo federal de extinguir o Ministério da Cultura, são sinais claros de que o mundo, mais uma vez, gira fora do eixo, que está deixando de lado princípios essenciais de convivência e de entendimento. São tempos difíceis, perigosos, complexos.

O IEA da USP, desde sua criação, é movido pela inquietação, pelo estranhamento, pelo novo. Manteve-se, nesses 30 anos, como um dispositivo de vanguarda, o que demonstra a continuidade na gestão, apesar da diversidade dos perfis de seus diretores, salientados anteriormente. Por meio das artes, do conhecimento, da ciência, do entendimento interdisciplinar e multicultural, o IEA permite o exercício da transcendência, abrindo, assim e constantemente, novas frentes de estudo, reflexão e interação.

Saldiva e Plonski, em seu projeto de gestão, manifestam e atualizam esse espírito, apresentando claramente um plano de ação que não se conforma a esse estado de coisas. É um projeto que nos ajuda a vislumbrar futuros possíveis e desejáveis, fortalecendo e, mais uma vez, renovando nosso IEA.

Parabéns e “cabeças” à obra!

 

 

 

 

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