Rolando Boldrin fala sobre novo show e conta “causo” na Rádio USP

No programa “Via Sampa”, apresentador lembrou a estreia como cantor, ainda criança, e fez críticas ao governo

Ouça no link abaixo a entrevista de Rolando Boldrin no programa Via Sampa, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitida ao vivo no dia 6 de dezembro de 2019. 

Rolando Boldrin: “Esse governo que está aí não está preocupado com cultura” – Foto: Marco Aurélio Espartaz

O ator, cantor, compositor e apresentador Rolando Boldrin estreou o show Cantador de Histórias, no dia 6 passado, em São Paulo. Horas antes do espetáculo, por telefone, ele foi entrevistado ao vivo no programa Via Sampa, da Rádio USP (93,7 MHz). Na entrevista, Boldrin falou sobre sua carreira, lamentou a situação da cultura no Brasil hoje e até contou um “causo”, sobre um caboclo que foi pescar no litoral. O “causo” pode ser ouvido no link acima.

Boldrin lembrou que um dos seus grandes incentivadores para fazer shows do tipo de Cantador de Histórias foi o dramaturgo santista Plínio Marcos (1935-1999), no final dos anos 50. “Ele me via contar histórias para os amigos na padaria, no bar, e insistia: ‘Boldrin, você tem que fazer um show’.”

Outro grande incentivador de Boldrin foi seu pai, que era mecânico. “Eu tinha seis, sete anos, pegava uma vassoura de piaçava, fingia que estava tocando e cantarolava”, recorda Boldrin. “Meu pai via isso e fez eu formar uma duplinha com meu irmão mais velho.” A dupla se chamava Boy e Formiga. Boldrin era Boy – uma referência ao ator norte-americano Willliam Boyd (1895-1972), que o pai via em filmes de faroeste e cujos cabelos loiros associava aos do filho.

Com dez anos, Boldrin aprendeu a tocar viola. Logo depois, foi inaugurada uma rádio na sua cidade, São Joaquim da Barra (SP), e os músicos locais foram convidados a se apresentar num programa da emissora. Boy e Formiga agradaram tanto que acabaram sendo contratados pela rádio. “Foi assim que tudo começou”, diz. “Depois fui para São Paulo.”

A respeito da situação da cultura no Brasil hoje, Boldrin se diz “preocupado”. “Eu sempre tentei promover a cultura verdadeiramente brasileira, e no momento da política atual a gente percebe um certo descaso. Esse governo que está aí não está preocupado com cultura, pelo que a gente vê.”

Numa situação como a atual, “como diz o caboclo, a gente tem que resistir”, recomenda Boldrin. Como exemplo, ele lembra o programa Som Brasil, que comandou na Rede Globo entre 1981 e 1984. “Eles esperavam que eu fosse produzir um programa sertanejo de alto consumo, que eu não gosto, eu trabalho contra isso, e produzi um programa de música e cultura brasileira”, diz. “Eu vendi lebre por gato.”

Ao final da entrevista, Boldrin elogiou a Rádio USP: “Continuem tocando música brasileira. Vocês são campeões nisso”.

Boldrin está no ar há 15 anos com o programa Sr. Brasil, da TV Cultura, transmitido aos domingos, às 9 horas.

Ouça no link acima a íntegra da entrevista de Rolando Boldrin no programa Via Sampa, da Rádio USP.

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