Ribeirão Preto vai lançar a Coleção USP de Música

Projeto prevê a produção de seis livros-CDs com músicas brasileiras dos séculos 19 e 20

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Os livros-CDs da USP de Ribeirão Preto – Foto: André Estevão

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Resultado de pesquisas científicas na área musical, a Coleção USP de Música – desenvolvida por professores do Núcleo de Pesquisa (NAP) em Ciências da Performance em Música (Cipem) do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) – é formada por seis volumes de livros-CDs sobre temas diversos. De acordo com o professor Rubens Russomano Ricciardi, daquele departamento, os seis volumes já estão impressos e as gravações já foram concluídas nos próprios estúdios do campus da USP de Ribeirão Preto. “Estamos aguardando agora a prensagem dos CDs.”

O primeiro volume, o livro-CD Música Popular Brasileira Antiga, é fruto da pesquisa do professor Ricciardi e contém 21 faixas de repertórios populares brasileiros do período de 1820 a 1940. “Nossa pesquisa procura divulgar as tradições musicais populares no Brasil que remontam ao período colonial. Daí nossa tese de que a real música popular brasileira é muito mais antiga do que aquilo que se cristalizou posteriormente como sendo MPB, algo excludente da maior parte de nossa rica história”, esclarece.
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Projeto destaca música brasileira antiga - Foto: André Estevão
Projeto destaca música brasileira antiga – Foto: André Estevão

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O livro-CD teve a participação do maestro José Gustavo Julião de Camargo, da FFCLRP, da professora Maria Yuka de Almeida Prado, também da FFCLRP, da professora Dorothea Hofmann, da Escola Superior de Música e Teatro de Munique, na Alemanha, do Ensemble Mentemanuque – grupo de música de câmara ligado ao Departamento de Música da FFCLRP – e dos músicos Claudio Micheletti e André Micheletti. “O livro-CD Música Popular Brasileira Antiga tem modinhas cantadas, lundus e choros instrumentais”, informa Ricciardi.

Por se tratar de um projeto da USP, a Coleção USP de Música não será comercializada, mas sim distribuída entre bibliotecas e demais instituições públicas de ensino e pesquisa em música.

Descobertas

Em busca de esclarecer problemas sobre a origem da música popular brasileira, o professor Rubens Ricciardi pesquisou diferenças epistemológicas entre os batuques e os lundus coloniais (ritmo afro-brasileiro) e também o surgimento do samba na música brasileira.
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O professor Rubens Ricciardi - Foto: André Estevão
O professor Rubens Ricciardi – Foto: André Estevão

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Segundo Ricciardi, ao contrário do que a maioria acredita, o samba brasileiro surgiu no Estado de São Paulo, e não no Rio de Janeiro. “O samba na música brasileira surgiu graças ao Samba do músico e compositor Alexandre Levy, escrito em abril de 1890, na verdade um lundum sinfônico. Não existia samba fora do contexto do ritual do candomblé. Não era música, mas sim parte de um ritual religioso”, afirma o professor.

Levy, após ler o livro A Carne, do escritor Júlio Ribeiro, se inspirou numa passagem de Samba para uma nova obra sinfônica, a Suíte Brasileira. Depois, a ideia do samba em música passou pelos caipiras italianos e turcos no interior de São Paulo e pelo repertório de bandas, para só bem depois chegar nos morros cariocas e virar samba-canção, como o samba Pelo telefone, considerado o primeiro samba. “Ou seja, quase 30 anos posterior ao Samba de Levy”, diz o professor.

Gabriela Vilas Boas, de Ribeirão Preto

 

 

 

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