Renata Pallottini recebe Troféu Juca Pato de 2017

Professora da USP receberá a honraria da União Brasileira dos Escritores no dia 24, terça-feira, às 19 horas

Por - Editorias: Cultura
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A professora Renata Pallottini, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

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O termo polímata define uma pessoa cujo conhecimento não se restringe a uma única área. Um exemplo prático disso é a professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP Renata Pallottini, que recebe nesta terça-feira, dia 24 de outubro, o Troféu Juca Pato 2017, pelo conjunto de sua carreira e especificamente por seu mais recente livro de poemas,
Poesia Não Vende, publicado em 2016 pela Hucitec Editora.

Formada simultaneamente em Direito pela Faculdade de Direito da USP e em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo nos anos 50, Renata começou a vida profissional como advogada. Na década seguinte, após uma bolsa de estudos em Madri, durante a qual ficou fascinada pelo teatro tradicional espanhol, graduou-se em Artes Cênicas pela Escola de Arte Dramática (EAD) da USP e mais tarde tornou-se professora na ECA.

Tanto nos tempos de estudante como quando atuou como advogada, e depois na carreira acadêmica, Renata sempre conciliou suas atividades com ainda outra vocação: a poesia. “Poesia é o que mais me atrai. É uma fala das emoções, transforma as revoluções internas em palavras. Comecei muito cedo a escrever, ainda na adolescência, com as primeiras inquietações”, recorda. Ainda na Faculdade de Direito, publicou seu primeiro livro de poemas, Acalanto.

Embora hoje julgue que o início de sua produção seja fraco em qualidade (“não sabia como transformar os sentimentos em palavras, não tinha a prática e o conhecimento, naturalmente”), Renata seguiu escrevendo e publicando ao longo da carreira, indo também além da poesia. Em 1974, publicou seu primeiro trabalho de ficção em prosa, Mate é a Cor da Viuvez, e dez anos depois lançou Tita, a Poeta, voltado ao público infantil.

Renata Pallottini estudou Direito na USP, Filosofia na PUC e Dramaturgia na Escola de Arte Dramática da USP – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

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No teatro, a professora se recorda de grandes professores que teve na EAD, como Décio de Almeida Prado e Anatol Rosenfeld. “Estudei dramaturgia, não interpretação, e a partir daí comecei a escrever, escrevi O Crime da Cabra [1965], e a me relacionar com a literatura dramática, que foi uma das áreas sobre as quais lecionei quando me tornei professora na ECA.”

Mesmo depois de ter se aposentado, a professora diz ainda estar ligada ao teatro e à ECA. “Contribuo da maneira que posso, estou ligada a um grupo de professores que luta pela liberdade de expressão e contra a censura”, afirma. Sobre os recentes episódios de censura a obras e exposições de arte em museus, Renata defende que aquilo que não for contrário ao que é determinado pelo Código Penal e pela Constituição Federal não pode ser barrado. “Nossa posição é de que é preciso lutar o máximo pela liberdade de expressão. Pessoas como eu, que já não têm mais que lutar por um emprego, uma vez que já deram sua contribuição, devem lutar pelos seus ideais.”

A professora também faz críticas à desvalorização da literatura e dos escritores. Seu último livro, Poesia Não Vende, traz uma coleção de 130 poemas escritos em diferentes momentos da vida. “Havia algum tempo que eu não publicava, então juntei todo esse material inédito e que me agradava, sem um tema específico. O título veio de uma conversa com o dono de uma livraria, a quem perguntei por que os livros de poesia não eram colocados em destaque, e a resposta foi ‘porque poesia não vende’. Isso dá uma ideia da desvalorização da literatura no Brasil. Então quis fazer uma provocação.”

A variada obra de Renata Pallottini inclui livros de poesia e ficção – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

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O livro e o conjunto de sua obra renderam à professora o Troféu Juca Pato de 2017, um dos mais importantes da literatura nacional e com o qual Renata tem uma ligação antiga. “Eu estava presente na reunião em que decidiram criar o prêmio, fui vice-presidente da UBE (União Brasileira dos Escritores), que é responsável pelo Juca Pato. Então estou muito contente por receber o troféu, me traz muitas boas recordações e me faz pensar na importância da UBE. Em outros países, associações de escritores são valorizadas, mas aqui é como se não existíssemos, não temos nenhum apoio”, protesta.

A professora tem ainda outra obra a caminho, um romance sobre a história de seu avô, um anarquista italiano que incomodou os proprietários de fazendas do interior de São Paulo difundindo suas ideias entre os trabalhadores do campo. “O livro já está pronto, está com a editora. Em tempos de poesia, com tantos transtornos e inquietações no mundo, quis escrever um romance.”

O Troféu Juca Pato 2017 será entregue à professora Renata Pallottini pela União Brasileira dos Escritores (UBE), no dia 24 de outubro, terça-feira, às 19 horas, no Teatro da Academia Paulista de Letras (Largo do Arouche, 324, República, em São Paulo).

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