“Rasga Coração”, de Vianninha, está de volta

Laboratório da USP promove leitura dramática da peça que se tornou um marco da dramaturgia brasileira

Por - Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=223074
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Detalhe de cartaz de divulgação de uma das encenações da peça Rasga Coração – Foto: Reprodução/Arquivo Lucélia Santos

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Se tu queres ver a imensidão do céu e mar

Refletindo a prismatização da luz solar

Rasga o coração, vem te debruçar

Sobre a vastidão do meu penar

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A canção de Anacleto de Medeiros com a letra de Catulo da Paixão Cearense está na abertura do texto de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha. Foi essa composição de 1896 que deu nome à peça apontada como um clássico da dramaturgia brasileira. Rasga Coração, que já virou filme e foi tantas vezes encenada, está de volta com o projeto Liberdade em Cena, que promoverá a leitura dramática dessa peça neste sábado, dia 9, às 14h30, no Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc, em São Paulo. A iniciativa é do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (Obcom) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, em parceria com o CPF.

Oduvaldo Vianna Filho – Foto: Arquivo Nacional via Wikimedia Commons

Encenada pela primeira vez em 1979, Rasga Coração é a última peça escrita por Vianninha antes de morrer, em 1974, aos 38 anos de idade, de câncer pulmonar. O ator, diretor de teatro, televisão e dramaturgo integra a “geração de briga”, participando da luta em prol da renovação do teatro como um espaço para a reflexão social, política e estética. Com amigos do Teatro Arena, do grupo Opinião e da União Nacional dos Estudantes (UNE), defendeu a função do teatro integrado à vida social e política do País.

Com a leitura dramática de Rasga Coração, o projeto Liberdade em Cena abre a sua programação de 2019. “A proposta do Obcom e do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc é apresentar as obras e autores que configuraram a cena teatral brasileira no século 20, por meio de leituras dramáticas seguidas de debate”, explica Maria Cristina Castilho Costa, professora da ECA e coordenadora geral do projeto. “São peças e autores que percorrem o século 20 e suas transformações dramatúrgicas, abrangendo diversas questões nacionais e abordando as contribuições e inovações da obra à dramaturgia e ao espetáculo teatral brasileiro. A ideia é trazer ao público essas obras e discutir sobre sua mensagem e conteúdo, assim como averiguar a importância que elas têm hoje e as razões para a sua marcante presença nos palcos brasileiros.”

Considerando a atual conjuntura social e política, entendo que o texto é absolutamente atual e traz informações que o autor, com sua genialidade, anteviu.”

Cartaz de uma das encenações de Rasga Coração – Foto: Reprodução/Arquivo Lucélia Santos

A direção geral de Rasga Coração é de Roberto Ascar. “Trata-se de um mergulho analítico na consciência histórica de três gerações sucessivas. O texto abrange ações representativas  de momentos histórico-políticos de 1904 a 1970”, observa. “Parte da Revolta da Vacina, de 1904, passando pelo tenentismo, pela ditadura e governo Vargas, pela chamada Intentona Comunista de 1935, pela Campanha da Petrobras, nos anos 1950, e pela ditadura militar, até o dramático início da década de 1970. Considerando a atual conjuntura social e política, entendo que o texto é absolutamente atual e traz informações que o autor, com sua genialidade, anteviu.”

A peça sintetiza o pensamento artístico, político e social de Oduvaldo Vianna Filho. “Conta a história de Manguari Pistolão, funcionário público e militante comunista. Ele sonha ver o filho formado em medicina, mas sonha também em sensibilizá-lo para as questões da luta política”, destaca o diretor. A história vai se desdobrando em fatos que teriam ocorrido nos últimos 70 anos. É apresentada em duas épocas, o passado e o presente, que se intercalam, com inversão da ordem cronológica, separação das épocas pela iluminação e intercalação de canções para ilustrar a atmosfera socio-histórica. Os desdobramentos são absolutamente imprevistos, e alguns fatos, mesmo quase trágicos, são apresentados com humor cáustico.”

No elenco estão Adriana Dham, Carlos Palma, Lia Benacon, Oswaldo Mendes, Pedro Bonilha, Pedro Paulo Vicentini, Rodrigo Mercadante, Tin Urbinatti e Agenor Bevilacqua Sobrinho, além dos músicos Jean Garfunkel, Pratinha Saraiva e Betinho Sodré. Após a apresentação, haverá debate com as professoras Maria Cristina Castilho Costa e Maria Silvia Betti, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

A leitura dramática de Rasga Coração, de Oduvaldo Vianna Filho, será realizada neste sábado, dia 9, às 14h30, no Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc (Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, em São Paulo). Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3254-5600 e no site do CPF.

 

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