Portal de Livros Abertos facilita acesso ao conhecimento produzido na USP

Lançado em março, novo portal do Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP já reúne cerca de 50 títulos de livre acesso aos leitores

Por - Editorias: Cultura
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Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - Foto: Francisco Emolo/Arquivo Jornal da USP
A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP: conhecimento para todos – Foto: Francisco Emolo/Arquivo Jornal da USP

O Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP lançou em março passado o Portal de Livros Abertos da USP, um espaço organizado para a divulgação e o compartilhamento do conhecimento através de livros produzidos por professores e pesquisadores da Universidade, seguindo o modelo de acesso aberto. A chefe técnica do Sibi, Maria Crestana, afirma que “o objetivo principal é a democratização para a publicação e para o acesso das obras”.

O projeto, ainda incipiente, vem sendo pensado desde o final de 2015 e atualmente conta com cerca de 50 títulos, dos quais a maioria já estava disponível em diversos sites da Universidade, de maneira difusa. Segundo André Serradas, que atua na supervisão geral do projeto, vários professores já publicavam na internet livros abertos (isto é, que não têm fim comercial e privilegiam a livre circulação, uso e reúso do material), mas não tinham uma plataforma única e confiável para isso, deixando as obras dispersas e com pouca visibilidade. “A ideia do portal é ser um espaço respeitável, sob a marca USP, para a publicação desse conteúdo e para facilitar o acesso principalmente para quem não é da USP e não conhece tudo que ela pode oferecer.”

André do Nascimento Serradas - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
André Serradas – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

As primeiras obras a serem disponibilizadas na plataforma foram selecionadas pelas bibliotecas da Universidade, que mapearam e localizaram os livros de acesso aberto que já existiam em seus catálogos, para que fossem incluídas no portal unificado, o que era “uma necessidade latente da USP”, de acordo com Serradas. Agora a proposta é que as próximas obras publicadas sejam indicadas pelas próprias unidades onde são produzidas. “Podem ser obras ligadas a todas as áreas do conhecimento. Por exemplo, linguística, cultura, exatas, política, biológicas. Não há restrição editorial com relação a isso”, explica ele.

O serviço busca potencializar a tendência atual de produção de livros digitais de acesso aberto na Universidade. “Queremos que o livro já nasça no formato digital, e a partir daí o portal servirá como plataforma de divulgação”, explica Célia Regina de Oliveira Rosa, bibliotecária responsável pelo projeto. Para facilitar também essa produção, o professor Francisco Mônaco, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está desenvolvendo um mecanismo que permita aos autores dos livros a serem publicados fazer a edição deles no próprio portal.

Célia Regina da Silva Rosa - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Célia Regina de Oliveira Rosa – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Há vários professores com textos prontos, mas que não podem ser publicados por questões financeiras. Queremos tirar esses textos da gaveta através dessa ferramenta de edição”, diz André Serradas. “O próprio autor poderá organizar o livro e trabalhar de maneira simplificada a parte gráfica, de modo que, ao final, ele tenha um material tecnicamente apto a ser disponibilizado no portal, após a indicação da unidade.”

O sistema do Portal de Livros Abertos da USP é o mesmo utilizado e desenvolvido pelas Universidades de Stanford, nos Estados Unidos, e Simon Fraser, no Canadá. Inspirando-se nesses novos métodos de produção e compartilhamento do conhecimento postos em prática no exterior, os responsáveis pelo portal procuram modernizar e trazer novas práticas para a Universidade e para o País. “As pessoas têm que entender que um livro aberto pode ter todas as qualidades que um livro qualquer tenha. Não é o fato de ser pago ou não que determina sua qualidade”, afirma Serradas. “Vários professores no Brasil já têm os livros abertos não só como prática, mas como filosofia. Eles acreditam que o ciclo da inovação segue um caminho muito mais ágil e com retornos muito melhores num ambiente aberto do que num de propriedade intelectual e direitos autorais.”

Maria Fazanelli Crestana – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Outra parte importante desses novos conceitos é reconhecer o valor das redes sociais, como diz Célia: “Como nossa missão é a divulgação e a disseminação de conteúdo, as redes sociais são muito importantes, pela facilidade com que as pessoas podem compartilhar aquilo que leem”. Serradas acrescenta que “o site terá indicadores de uso dos livros através de dados de downloads, de compartilhamento em redes sociais (tanto especializadas como públicas) e dados de citação no Google Acadêmico, para que o autor tenha uma medida sobre o uso e o compartilhamento do seu livro”. Isso foge aos métodos tradicionalmente usados pela USP, que “seguem as mesmas métricas consolidadas de grandes editoras”, explica Maria Crestana. “Queremos estar pari passu com o crescimento da importância das redes sociais nesses indicadores de uso, pois elas fazem parte da vida das pessoas. Essa é uma evolução natural. Há cursos da USP disponibilizados em mídias que antes seriam impensáveis”, avalia.

Obras raras

Portal de Livros Abertos da USP - Foto: Divulgação
Página de abertura do Portal de Livros Abertos da USP – Foto: Divulgação

O Portal de Livros Abertos da USP é a mais recente iniciativa do Sibi voltada para a disseminação do conhecimento disponível na Universidade. Mas há outras. Entre elas, a Biblioteca Digital de Obras Raras, Especiais e Documentação Histórica da USP, que reúne cerca de 7 mil títulos de difícil acesso, versando sobre as mais diversas áreas do conhecimento e pertencentes ao acervo da Universidade, além de documentos históricos que preservam a sua memória. Ela pode ser acessada no endereço www.obrasraras.usp.br.
“A biblioteca permite preservar o original físico, disponibilizando uma versão digital em alta resolução que satisfaça às necessidades dos pesquisadores, fazendo com que, na medida do possível, a obra física possa ser preservada, tendo menos necessidade de ser consultada”, explica André Serradas. “Com a diferença de que as obras presentes na Biblioteca de Obras Raras existem na forma física, o princípio é o mesmo do Portal de Livros Abertos: permitir o acesso fácil e gratuito ao conhecimento que existe na USP.”

O Portal de Livros Abertos da USP pode ser acessado no endereço www.livrosabertos.sibi.usp.br.

 

Novo lançamento do portal aborda identidade brasileira

Um dos mais recentes lançamentos do Portal de Livros Abertos da USP é o livro Culturas e Identidades Brasileiras, uma coletânea organizada pela professora Ana Paula Cavalcanti Simioni, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. O livro é o primeiro a ser lançado pelo IEB no portal.

Com 324 páginas, o livro traz 29 artigos de pós-graduandos do IEB, que giram em torno de oito grandes temas: “Arte e Literatura no Brasil entre Finais do Século 19 e Inícios do 20”, “Controvérsias do Urbano”, “Olhares Múltiplos Sobre Mário de Andrade”, “Arte e Cultura em Tempos de Ditadura e Redemocratização”, “Cultura e Poder em Tempos de Estado Novo”, “Saberes Populares” e “Visões Sobre o Nordeste”.

De acordo com o texto de apresentação da obra, os artigos publicados em Culturas e Identidades Brasileiras são o resultado das comunicações e debates ocorridos no 1º Encontro de Pós-Graduandos do IEB, realizado em 2014, e revelam as “possibilidades fecundas” do diálogo interdisciplinar proporcionado pelo Programa de Pós-Graduação do instituto, voltado para fazer do Brasil e de sua complexidade temas de reflexão. “Vale ainda notar que várias das dissertações desenvolvidas versam sobre o patrimônio e os acervos do IEB, contribuindo assim para a extroversão, qualificada mediante reflexão acadêmica, das potencialidades inesgotáveis dos materiais congregados pelo instituto. Esperamos que esta publicação seja a primeira de muitas, e que, mais do que servir como a finalização de um evento, seja um convite para que os leitores sintam-se convidados a pesquisar, refletir e dialogar com nossas pesquisas e acervos dedicados à compreensão do Brasil.”

 

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