Os jovens que fazem o caminho da arte brasileira

Oito artistas mostram suas obras na “1ª Mostra Virtual de Arte Contemporânea”, em cartaz até 10 de janeiro

 23/11/2020 - Publicado há 1 ano
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A 1ª Mostra Virtual de Arte Contemporânea fica no ar até 10 de janeiro – Fotomontagem Jornal da USP

São jovens artistas buscando caminhos que levam a descobrir as diferenças que fazem a arte brasileira brilhar e ser admirada em todo o mundo, ser democrática com o idealismo e humanidade das cores de sua gente e paisagens.

Alice Lara, Henrique Detomi, Jean Pierre Pierote, Alexandre Matos, Fernando Soares, Luiz Lira, Manassés Muniz e Ramon Santos surpreendem pela criatividade e conhecimento. Seus trabalhos dialogam entre si e com os que apreciam e acompanham a arte brasileira nesta 1ª Mostra Virtual de Arte Contemporânea.

Navegar no site da Mostra leva a uma experiência que vai além de uma visita on-line. O projeto do curador Jairo  Goldenberg não se limita às obras descritas em áudios: abre espaço para os artistas contarem suas histórias, a forma como refletem e pintam o mundo, discutem os temas e opções estéticas de seus trabalhos. Essas conversas foram registradas em vídeos e tiveram a participação dos cocuradores Antonio Carlos Suster Abdalla e Vítor Mizael.

O site da mostra também anuncia futuras lives de temas diversos – Foto: Reprodução/ Mostra Contemporânea

O curador Goldenberg destaca a importância de se valorizar novos nomes no cenário das artes. “Por isso, selecionamos artistas com carreira em fase de consolidação e obras com relevância para a formação de um novo público, pouco habituado aos espaços convencionais de apresentação da arte. A intenção é fomentar a atividade cultural no País, tanto no âmbito de produção quanto de difusão.”

A 1ª Mostra Virtual de Arte Contemporânea é uma realização do Ministério do Turismo e da Secretaria Especial da Cultura através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com o patrocínio da Athié Wohnrath.

 

“A obra, em si, muito revela de seu criador. Contudo, a voz do artista anuncia um novo horizonte e revela a mão humana existente sob a obra.”

 

A mostra busca aproximar o espectador, destacando o pensamento e as reflexões dos artistas em vídeos de 30 minutos. Um recurso interessante para propiciar uma leitura menos técnica, mais humana das 80 obras apresentadas. Os cocuradores Aballa e Mizael se dividiram para orientar tanto o trabalho dos artistas como o olhar do público. Cada um deles acompanhou quatro artistas.

“Nos vídeos, os artistas são apresentados em duplas, reunidas não por afinidades conceituais ou plásticas, mas justamente pela diferença e pela possibilidade de questões individuais provocarem pensamentos e reflexões nos interlocutores”, explica o cocurador Vitor Mizael, também artista e mestre em Estética e História da Arte pela USP.

“Existem interstícios da criação que a obra de arte e as exposições em que se apresenta não conseguem comunicar”, argumenta Mizael. “A fala de quem cria, alguns de seus pensamentos, anseios, procedimentos e verdades nem sempre são apresentados com as obras. A obra, em si, muito revela de seu criador. Contudo, a voz do artista anuncia um novo horizonte e revela a mão humana existente sob a obra.”

Alice Lara. Menina Ariranha e Bolsa de Gatinho. Série As Ordens no Paraíso, 2019. Acrílica e Óleo sobre tela, 100×100 cm

Alice Lara é mestranda em Poéticas Visuais na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. “Eu nasci no Distrito Federal, vivi na cidade satélite de Taguatinga e sempre morei numa chácara. Tive uma vivência diferente daqueles que moram em São Paulo. Eu me graduei em Artes Visuais na Universidade de Brasília (UnB), tive contato com pessoas incríveis e desde então passei a pintar.”

Lara pesquisa a representação de animais e as suas relações com os seres humanos. Suas telas sugerem uma volta à infância, em que a natureza está sempre presente entre cores, fantasias e animais. Elefante, onça, urubus e de repente a mãe e o menino.

Henrique Detomi. Sem título, 2019. Óleo sobre tela, 65 x 45 cm

No vídeo, ela dialoga com o artista mineiro Henrique Detomi, também mestrando em Poéticas Visuais na ECA. Sua obra também busca a natureza através da pintura, gravura, fotografia. Pensa a paisagem em constante mutação.

A seguir, o vídeo dos artistas Alice Lara e Henrique Detomi:

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Mizael também orienta a dupla Jean Pierre Pierote e Alexandre Matos.

Jean Pierre Pierote. Sem título, 2020. Fotografia digital impressa em tecido de poliéster, 100 x 150 cm

Baiano de Rio das Contas, Pierote vive e trabalha em São Vicente, no litoral de São Paulo. É doutor e mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Como artista, pesquisa e explora as relações entre pedras, plantas, terra, água e o meio. O sertão brasileiro é um dos temas de sua arte.

Alexandre Matos. Ponte (Díptico), 2018. Grafite sobre papel, 84 x 77 cm (cada)

Alexandre Matos nasceu em São Caetano do Sul (SP). Mas vive e trabalha em Lisboa, Portugal. Seus desenhos surpreendem pela poética. As casas com seus grafismos saem do papel para serem transformadas em esculturas de madeira, porém com a mesma leveza. Tem o domínio da técnica, cria e recria com sutileza e liberdade.

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“Num período de exceção e distanciamento como o atual, esses jovens se mostram antenados em formas de expressão buscadas com seriedade, estudo e dedicação constantes.”

 

O cocurador Antonio Carlos Suster Abdalla atuou com Fernando Soares e Luiz Lira e a dupla Manassés Muniz e Ramon Santos. “São quatro jovens e promissores artistas”, observa. “Num período de exceção e distanciamento como o atual, esses jovens se mostram antenados em formas de expressão buscadas com seriedade, estudo e dedicação constantes. Estão num caminho certeiro, e os resultados surgem incomuns e valorosos.”

Fernando Soares. Série Força, 2020. Látex sobre chassi de madeira, 60 x 50 cm

Fernando Soares é paulistano. Sua arte tem, como relata a série, Força e desafia o olhar. “É o mais ousado, com obras que revelam a influência de Lúcio Fontana e a tridimensionalidade da textura própria dos materiais como a borracha e a fibra sintética, aproximando-se da vertente da Nova Tapeçaria”, comenta Abdalla. “Sua pesquisa parte das propriedades e ambiguidade dos materiais e de fatores como ação/reação entre eles.”

Luiz Lira. Série Corpos Dançantes, 2020. Xilogravura, 50 x 50 cm

Luiz Lira é paulistano. Atua nas artes com desenho, animação, capoeira, argila e xilogravura. É formado em Computação Gráfica no Instituto Criar de TV e Novas Mídias. Atualmente, estuda Artes Visuais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Luiz Lira se apresenta com uma visão mais social e dramática, centrando sua temática na figura humana, com alguns retratos imaginários e outros reais, todos de grande força expressiva”, observa Abdalla.

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Como Lira, o alagoano Manassés Muniz também trabalha com xilogravura. Estuda Artes Visuais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Manassés Muniz. Sem título, 2020. Pena e nanquim sobre papel, 40 x 60 cm

“Seus desenhos são de grande e devastador efeito. Figuras terríficas, trabalhadas com esmero e perfeccionismo, se aproximam da arte românica e fantasiosa, com seres fantásticos e irreais, íncubos e súcubos, grifos, utopias e gárgulas, todos seres monstruosos criados pela imaginação para afastar os demônios internos, expulsando-os da vida cotidiana e mantendo-os a distância segura”, analisa Abdalla.

Ramon Santos. Série Sombras Botânicas, 2019. Xilogravura, 88 x 60 cm

Manassés está no vídeo com Ramon Santos, paulistano que conheceu a xilogravura aos 8 anos de idade no Instituto Acaia, organização social sem fins lucrativos. Tem 21 anos, é o mais jovem do grupo. Sua gravura se destaca pelo olhar lírico entre flores em pequenos vasos. Apresenta a série Sombras Botânicas, um poema que reverencia a beleza das coisas simples do cotidiano, que aliam a natureza sob a luz e a sombra.

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A 1ª Mostra Virtual de Arte Contemporânea fica em cartaz até 10 de janeiro de 2021 no site do evento.


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