Orquestra Sinfônica da USP exibe Concertos de Brandenburgo, de Bach

Grátis, apresentação acontece nesta sexta-feira, dia 12, às 12h30, na Cidade Universitária, em São Paulo

 10/08/2022 - Publicado há 2 meses
O compositor alemão Johann Sebastian Bach e a Orquestra Sinfônica da USP – Fotos: Reprodução/Wikimedia Commons; Marcos Santos/USP Imagens

O ambiente em que o compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750) apresentou várias de suas composições instrumentais será parcialmente reconstituído nesta sexta-feira, dia 12, às 12h30, no Anfiteatro Camargo Guarnieri, na Cidade Universitária, em São Paulo, durante o 2º Encontro Manhãs no Café Zimmermann. Na ocasião, a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) executará os Concertos de Brandenburgo Números 1, 5 e 6, de Bach, além do Concerto de Brandenburgo Número 12, escrito pelo músico e musicólogo norte-americano Bruce Haynes (1942-2011) a partir de trechos concertantes de cantatas de Bach. A Osusp será regida pelo cravista Alessandro Santoro – filho do compositor Claudio Santoro (1919-1989).

O Café Zimmermann, em Leipzig, na Alemanha, onde Bach dirigiu concertos do Collegium Musicum de Leipzig – Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O Café Zimmermann citado no título do evento se refere ao estabelecimento comercial em Leipzig, na Alemanha, de propriedade de Gottfried Zimmermann – o Zimmermannsches Kaffeehaus -, onde Bach dirigia os concertos do Collegium Musicum, uma sociedade de músicos e amantes da música que se reunia semanalmente naquele local para tocar e apreciar a arte musical. Além de atuar como Kantor (diretor de música) da Igreja luterana de Sankt Thomas, em Leipzig, Bach foi diretor do Collegium Musicum entre 1729 e 1741 – com um intervalo de dois anos nesse período – e, nessa função, exibiu no Café Zimmermann obras de sua autoria para cravo, violino e outros instrumentos, algumas pela primeira vez. Os Concertos de Brandenburgo já estavam concluídos em 1721, quando o compositor alemão os dedicou ao margrave Chistian Ludwig, da corte de Brandenburgo.

Além de reger a orquestra, Santoro fará o solo ao cravo, requerido no Concerto de Brandenburgo Número 5 em Ré Maior (BWV 1050). Nesse concerto, pela primeira vez na história da música, Bach fez do cravo um instrumento solista, deixando de ser mero acompanhante. Como afirma o musicólogo inglês Malcolm Boyd (1932-2001) no livro Bach – The Brandenburg Concertos, “a longa e elaborada parte dedicada ao cravo no primeiro movimento não deixa dúvidas quanto à óbvia intenção de Bach de promover o cravo a uma posição de importância acima da de outros solistas, do violino e da flauta”.

Já o Concerto de Brandenburgo Número 6 em Si Be Mol Maior (BWV 1051) tem como principal característica a ausência de violinos. É o único dos seis Concertos de Brandenburgo que não utiliza esse instrumento, que no entanto traz viola, violoncelo, viola da gamba e cravo. Essa ausência faz com que seja raro incluir a peça em concertos dados por orquestras normalmente constituídas de cordas, daí o fato de ele ser o menos executado entre as seis composições do conjunto.

Por sua vez, o Concerto de Brandenburgo Número 1 em Fá Maior (BWV 1046) parece ser o mais antigo entre os seis Concertos de Brandenburgo, pelo menos em algumas partes. É também o único que tem quatro movimentos. Todos os outros, seguindo o modelo dos concertos do compositor italiano Antonio Vivaldi (1678-1741) que serviram de inspiração a Bach, contam com três movimentos.

O professor, músico e musicólogo Bruce Haynes (1942-2011) – Foto: Reprodução/Flickr

Oboísta, especialista em performance musical histórica e professor das Universidades de Montreal e McGill, no Canadá, Bruce Haynes produziu um disco – lançado em 2011, pouco depois da sua morte – com seis New Brandenburg Concertos, que numerou de 7 a 12. Ele compôs essas obras com arranjos de movimentos concertantes de cantatas de Bach, fazendo o mesmo que o compositor fazia, mas de forma inversa: enquanto Bach transformou trechos de suas obras instrumentais seculares em música sacra, Haynes utilizou movimentos de cantatas de igreja para criar música instrumental secular. “Esses concertos não significam reconstruções sérias”, escreveu Haynes na capa do disco. “Eles são meramente tentativas especulativas de demonstrar as possibilidades do tratamento instrumental do rico recurso de invenções musicais de Bach contido nas cantatas e em outras obras vocais.”

O 2º Encontro Manhãs no Café Zimmermann, com a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp), acontece nesta sexta-feira, dia 12, às 12h30, no Anfiteatro Camargo Guarnieri (Rua do Anfiteatro, 109, Cidade Universitária, em São Paulo). Grátis. Ingressos podem ser obtidos neste link (clique aqui).


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