Orquestra de Câmara da USP se apresenta no Auditório Ibirapuera

Conjunto faz concerto nesta sexta-feira com a cantora Clarice Assad e o gaitista italiano Gianluca Littera

 23/10/2019 - Publicado há 2 anos  Atualizado: 25/10/2019 as 12:56
Por
Ensaio da Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, com regência do maestro Gil Jardim – Foto: Marcelo Macaue / Divulgação / Ocam

.

Com um programa bem variado, que inclui canções da música popular brasileira, fantasias, temas de filmes e até uma obra performática, a Orquestra de Câmara (Ocam) do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP se apresenta nesta sexta-feira, dia 25, às 21 horas, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Sob regência do maestro Gil Jardim, o concerto traz como convidados a cantora, compositora e pianista brasileira Clarice Assad e o gaitista italiano Gianluca Littera, além da participação especial do percussionista brasileiro Ari Colares.

No palco, 45 músicos, além dos convidados, vão apresentar obras que percorrem o mundo. Entre elas, a fantasia espanhola Toledo, de James Moody, composta especialmente para harmônica e orquestra, com solo de Gianluca Littera, um instrumentista que passeia com desenvoltura pela música clássica e pelo jazz. Jardim abre um parêntese para falar da parceria de mais de 15 anos entre ele e o músico, que rendeu convites para o maestro tocar na Europa com grandes orquestras italianas, e a vinda de Littera ao Brasil – esta é a quarta vez que “Luca vem ao País”. A amizade também rendeu a produção de um CD, que fica pronto no dia do concerto (leia o texto abaixo).

Amante do jazz e da música brasileira, Littera é regularmente convidado como solista de importantes orquestras, e lembra de um convite especial, em 2003, quando o maestro John Neschling o convidou para vir ao Brasil tocar com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), época também em que conheceu Gil Jardim. “Foi um lindo destino da vida. Não podia acreditar que dali viria uma grande parceria com Gil, que agora resulta em um CD, uma soma do percurso musical e de uma amizade”, afirma Littera.

.

O gaitista italiano Gianluca Littera com o maestro Gil Jardim: parceria e amizade de 15 anos rende concerto e lançamento de CD – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

.

“Eu penso que a música sem sentimento é uma música pobre. Tenho a sorte de juntar à música a relação com pessoas que compartilho sentimento e emoção. É a máxima expressão da música”, opina Littera. Para ele, esse concerto e o CD significam um “momento sagrado” de sua vida. É também, segundo o músico, uma festa dupla, pela qualidade da programação da Ocam. “Eu sigo de longe, mas com carinho e afeto, a trajetória da Ocam, que vem apresentando um programa diversificado, com inquietude artística, unindo músicas clássicas e contemporâneas, tentando sempre surpreender”, afirma.

Ainda no programa, um medley de temas de filmes, como Cinema Paradiso e A Missão, compostos por Ennio Morricone, compositor italiano com o qual Gianluca Littera tem proximidade – frequentemente Literra colabora com Morricone, que já até compôs uma obra minimalista em homenagem ao músico –, e duas canções brasileiras emblemáticas, Beatriz, de Chico Buarque e Edu Lobo, e Vera Cruz, de Milton Nascimento e Márcio Borges. Na sequência, a poética aquática de Mar de Setembro para Mezzo Soprano e Orquestra, de Derek Bermel, a partir de textos do poeta português José Fontinhas, com a participação de Clarice Assad. “Bermel é um jovem compositor e, apesar de parecer simples, sua peça tem uma polirritmia que dá trabalho. São quatro canções bem-humoradas, que são perfeitas para Clarice”, comenta Jardim.

Orquestra de Câmara convida os solistas Gianluca Littera (harmônica) e Clarice Assad (voz e piano) – Cartaz do evento / Divulgação/OCAM

O concerto se encerra com a estreia brasileira de É Goool!, uma obra performática de Clarice Assad em homenagem à jogadora Marta Vieira da Silva, eleita pela Fifa (Federação Internacional de Futebol) por cinco vezes consecutivas a melhor jogadora de futebol do mundo, entre os anos de 2006 e 2010. Premiada em Cabrillo Festival of Contemporary Music, em Santa Cruz, nos Estados Unidos, “é a primeira peça escrita para orquestra e plateia”, como diz a autora em sua página oficial do Facebook. Segundo ela, a ideia é explorar várias emoções comuns a todos os seres humanos e, para isso, “nada melhor do que o futebol, que une as pessoas, que cantam, gritam e vibram por seus times”.

Como conta Clarice, a narrativa por trás da obra é uma fantasia que se passa dentro da cabeça da atleta, que começa e termina em um sonho. O primeiro movimento é um pesadelo, em que a jogadora está ansiosa e nervosa, preparando-se para uma grande partida. “Passamos um dia imaginário com ela, seguindo atividades diferentes, como caminhar, correr e meditar.” A plateia, assim como a orquestra, participa com “sons esquisitos e dissonantes”. Por meio da projeção de instruções ilustradas por Orlando Pedroso que remetem às histórias em quadrinhos, o público canta, faz percussão corporal e até beatbox (percussão vocal do hip-hop). E no final, afirma a compositora, “o gol é de todo mundo”. Segundo Jardim, “é uma celebração”.

A Ocam é um dos principais organismos artísticos da USP e tem sido referência no âmbito das orquestras profissionalizantes. Segundo Gil Jardim, que dirige a orquestra desde 2001, seu corpo é formado 50% por alunos regulares da USP, que saem para o mercado ingressando em grandes orquestras do Brasil e do exterior, e os outros 50%, por músicos profissionais vindos de várias partes da América Latina, e ela se renova todos os anos. “Desde que assumi a Ocam, já passaram por ela 800 jovens músicos”, afirma Jardim. E conclui: “A orquestra é um reflexo do mundo contemporâneo e abraça toda a diversidade, cultural e musical”.

O concerto Ocam Convida Clarice Assad e Gianluca Littera acontecerá nesta sexta-feira, dia 25 de outubro, às 21 horas, no Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, Parque do Ibirapuera, em São Paulo). Os ingressos custam R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia) e podem ser adquiridos neste link. Mais informações estão disponíveis no site da Ocam

 

Orquestra lança dois discos

A Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP está finalizando dois CDs, que ficam prontos ainda nesta semana. Segundo o maestro Gil Jardim, os trabalhos contam com apoios institucionais do Santander e da empresa EDP. O primeiro é um disco de música contemporânea, Sons Sobre Tons – Criações Musicais sobre Ideias Visuais, que será lançado nas plataformas digitais no dia 6 de dezembro, e o segundo, Segredos de Vera Cruz – Música Popular Brasileira para Gaita e Orquestra, com a participação de Gianluca Littera, ainda não tem previsão de lançamento.

Segundo Jardim, o primeiro reúne composições de Alexandre Lunsqui (Fibers, Yarn and Wire e Carreteis II) e Valéria Bonafé (A Menina que Virou Chuva), além de obras de três jovens compositores, vencedores do Concurso de Composição Musical Tomie Ohtake, realizado em agosto passado pela Ocam – Afterimage. Homage to Tomie Ohtake (Paulina Luciuk), A Escuridão, o Corpo Vermelho e o Fascínio (Yugo Sano Mani) e Dinâmica dos Fluidos (Wellington Gonçalves). “De surpresa, logo depois da premiação, levei a orquestra para o estúdio e registrei os vencedores do concurso”, comenta Jardim. No CD, a orquestra executa as obras com os elencos de 2016 e 2019, sob a regência do próprio Jardim, Filipe Fonseca e Enrico Peceguini Ruggieri.

Já o segundo disco, como conta Jardim, tem no título a união de duas músicas presentes em suas faixas, Segredo, de Erivelto Martins, e Vera Cruz, de Milton Nascimento, e traz ainda composições de Djavan, Ivan Lins, Chico Buarque, Edu Lobo, Cartola, Paulo Bellinati e Léa Freire, entre outros. Gravado com a formação de 2012 da Ocam, conta com participações especiais de Ari Colares (percussão), Daniel Grajew (piano), André Bachur (bandolim), Guilherme Sparrapan (violão) e Neymar Dias (contrabaixo acústico). “A Ocam tem uma série de gravações que não se transformaram ainda em CD, inclusive mais antigas. Vou tentar”, promete o maestro.

 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.