“O Samba Pede Passagem” segue sua tradição com novidades na programação

O produtor e apresentador do tradicional programa da Rádio USP, Moisés da Rocha, fala sobre o novo quadro dedicado ao choro e a programação especial que celebra o centenário do samba

Por - Editorias: Cultura
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Moisés da Rocha do programa da rádio USP "O Samba pede passagem" - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Moisés da Rocha, produtor e apresentador do programa “O Samba Pede Passagem” – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O tradicional e consagrado programa “O Samba Pede Passagem”, que vai ao ar pela Rádio USP FM (93,7 MHz) aos sábados, das 12h às 14h, terá novidades a partir do dia 5 de junho. Além de o programa voltar a ser transmitido também aos domingos, a segunda hora do programa será dedicada exclusivamente ao choro, no quadro “O Samba Pede Passagem em Tempo de Choro”, das 13h às 14h. Além disso, ao longo da programação semanal da rádio, o produtor e apresentador do programa, Moisés da Rocha, fará pequenas entradas em comemoração ao centenário do samba, celebrado em 2016, contando a história do estilo musical que simboliza o Brasil.

Notabilizado por difundir o samba em suas diversas vertentes e intérpretes há quase quatro décadas, “O Samba Pede Passagem” agora busca levar ao público o choro, que, segundo Moisés da Rocha, “apesar de seu forte apelo popular, possui muito pouco espaço no rádio”. Surgido da fusão de ritmos afro-brasileiros e europeus, o estilo, majoritariamente instrumental, é marcado pelo virtuosismo nas improvisações em seus diversos instrumentos, como banjo, bandolim, violão, cavaquinho e flauta, e tem seu maior expoente em Pixinguinha. Mas Moisés da Rocha pretende mostrar mais no novo segmento de seu programa. “O choro será apresentado em todas as suas vertentes: cantado, tocado, os solos, os grupos. Queremos mostrar todas as formas de choro, com seus vários instrumentos.”

 

Centenário do samba

O ano de 2016 marca o centenário do primeiro samba gravado em disco, a música Pelo Telefone, composta pelo sambista carioca Donga e pelo jornalista Mauro de Almeida na Casa da Tia Ciata, na praça Onze, no Rio de Janeiro. Era lá que grandes nomes do samba na época se reuniam em festas realizadas pela baiana.

“Em qualquer lugar onde tenha havido trabalho escravo, houve a batida, o batuque, o samba de morro” – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Para celebrar esse marco histórico, “O Samba Pede Passagem” se infiltrará na programação diária da Rádio USP. “Além dos programas aos sábados e domingos, haverá, de segunda a sexta, de três a quatro entradas diárias na programação, com aproximadamente cinco minutos, narrando e tocando a história do samba, seus personagens e estilos.” Nesses “programetes diários”, como chama Moisés, “O Samba Pede Passagem” terá um foco maior no samba paulista. “Pouca gente conhece bem o samba de São Paulo. Então a ideia é mostrar as suas várias fases, facetas e personagens, além de contar a história do samba de maneira geral, como já fazemos nos finais de semana.”

Moisés da Rocha afirma que São Paulo, embora já tenha sido chamada de “túmulo do samba” – uma brincadeira incompreendida do poeta Vinícius de Moraes –, também era conhecida como o lugar “onde os sambistas vinham ganhar dinheiro, para depois gastar no Rio”, e tem grande importância para a história do estilo musical. “Apesar do pioneirismo do Rio de Janeiro, desde os anos 30, 40, o mercado de trabalho dos sambistas era aqui em São Paulo. É bom lembrar também que, já em 1914, existia aqui o Grupo Barra Funda, com seu carnaval de rua”, lembra Moisés da Rocha. “Em qualquer lugar onde tenha havido trabalho escravo, houve a batida, o batuque, o samba de morro (que ainda existe no interior de São Paulo), essa expressão musical dos escravos, tanto no canto de trabalho quanto nas horas de lazer.”

 

Tradição e inovação

Integrantes do grupo Fundo de Quintal em 2015
Integrantes do grupo Fundo de Quintal em 2015 – Foto: Wikimedia Commons

O programa “O Samba Pede Passagem” foi ao ar pela primeira vez em 1978, sempre apresentado por Moisés da Rocha. Foi o primeiro programa de rádio no Brasil a dedicar-se exclusivamente ao samba, e se consagrou não só pela preservação e divulgação da cultura popular brasileira, tarefa pela qual foi elogiado e premiado pela crítica, mas também pela revelação de novos talentos, alguns dos quais se tornaram divisores de águas no estilo. “‘O Samba Pede Passagem’ foi o programa que deu visibilidade ao grupo Fundo de Quintal, que ficou conhecido primeiro aqui em São Paulo e acabou dando origem a um novo estilo de samba, que chamaram de pagode”, conta Moisés.

O apresentador relata que o programa também foi importante na carreira do vocalista do grupo, Mário Sérgio, falecido aos 58 anos, no dia 29 de maio, no Rio de Janeiro. “Ele era da ala de compositores da Vai Vai, e em 1985 existia a ‘Caravana O Samba Pede Passagem’, junto com a Secretaria da Cultura do Estado. Colocamos o Mário Sérgio para tocar banjo nos shows de abertura da caravana na Grande São Paulo”, relata. “Depois de um tempo, ele me ligou dizendo que havia acabado de receber o convite para integrar o Fundo de Quintal, com a saída do Arlindo Cruz e do Sombrinha, e eu o incentivei a aceitar imediatamente. Deu no que deu: além do grande compositor que já era, se tornou um grande intérprete, acrescentou muito ao grupo e foi um enorme sucesso. É uma grande perda para o nosso samba.”

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