Mostra especial celebra os 25 anos do Cinema da USP

Evento ocorre de 3 a 21 de dezembro em salas na Cidade Universitária e no Centro Universitário Maria Antonia

Por - Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=212597
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Bob Roberts, de 1992, dirigido por Tim Robbins, foi o primeiro filme a ser exibido pelo Cinusp, em sua inauguração em 1993 – Foto: Reprodução/Cinusp

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Em 25 anos de história, o Cinema da USP Paulo Emílio (Cinusp) se estabeleceu como referência cultural na capital paulista. Em comemoração a esse bem-sucedido modelo de aproximação entre a Universidade e a sociedade, o Cinusp promove, de 3 a 21 de dezembro, a mostra comemorativa especial Cinusp 25 Anos. Em cada sessão haverá a exibição de filmes marcantes de cada um dos últimos 25 anos, em ordem cronológica, começando com o primeiro filme apresentado pelo Cinusp na sua inauguração, em 1993, Bob Robert, uma produção norte-americana de 1992. “Serão 25 filmes representando cada ano de atividade do Cinusp”, explica o atual diretor do Cinusp, Cristian Borges.

“Vamos apresentar alguns dos filmes mais marcantes dos últimos 25 anos”, afirma um dos curadores da mostra especial, Lucas Silva. “São filmes brasileiros, europeus, asiáticos, americanos e latino-americanos muito importantes nesse período e todos eles com grande destaque. Com diferentes tipos de idealizadores, são realmente um mosaico do cinema nesses últimos 25 anos. É uma mostra imperdível.”

O Cinusp conseguiu o direito de exibir na mostra obras consagradas. Dois dos clássicos são brasileiros: Central do Brasil (1998) e Cidade de Deus (2002). Central do Brasil teve duas indicações ao Oscar, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e ganhou o Urso de Ouro e de Prata no Festival de Berlim. Já Cidade de Deus (2002), apesar de grande destaque em premiações internacionais – o filme ganhou em quatro categorias do Festival de Havana e um Bafta Awards (premiação britânica) -, não se deu bem em premiações mais relevantes, embora tenha recebido quatro indicações ao Oscar, em 2004, e uma indicação ao Globo de Ouro.

Além dos consagrados filmes brasileiros, haverá exibições de obras cinematográficas recentes, como o provocante Corra! (2017), que teve enorme sucesso de crítica e bilheteria do ano passado, e Han Solo: Uma História Star Wars (2018), filme que renovou a popular saga de ficção científica, ampliando os moldes estabelecidos por George Lucas.

Sobre a seleção do Cinusp, ela não está fechada ainda, pois quem irá colaborar desta vez será o público, em votação on-line até o dia 14 de dezembro. Serão definidas as últimas três exibições, em escolha dos filmes já em cartaz, e que historicamente recebem reexibições pelo Cinusp. “Pela primeira vez em muitos anos, vamos deixar o público escolher os filmes que serão reexibidos nas últimas sessões”, revela Thiago André, coordenador de produção e programação do Cinusp.

A história

O professor da USP e crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes, que dá nome ao Cinema da USP – Foto: Acervo Cinemateca

O Cinema da USP leva o nome do professor, escritor e crítico Paulo Emílio Sales Gomes, um dos principais pensadores do cinema brasileiro e um dos responsáveis pela fundação da Cinemateca Brasileira. Além disso, foi um dos dos articulares e peça-chave para a criação do curso de Cinema da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Thiago André destaca a raridade de se ter no Brasil e no mundo cinemas universitários que exibem filmes de forma totalmente gratuita e com uma produção de alta qualidade. “Algumas universidades no Brasil possuem salas de cinema, mas nem todas com entrada franca. Esses 25 anos mostram que o Cinusp é um projeto em que a USP acredita e que está contribuindo para o ambiente universitário e para a formação dos alunos.”

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O público

Imagem do filme O Piano (1993), dirigido por Jane Campion – Foto: Divulgação/Cinusp

Estabelecendo-se como atração na Cidade Universitária nesses 25 anos, o público do Cinusp está cada vez mais em busca de diversificação, e vem crescendo. “O pessoal que está sempre vindo é composto basicamente das pessoas do Audiovisual, do Crusp e de outros estudantes da USP, além das pessoas que são de fora e que vêm aqui assistir. Há outro público que vai atrás de mostras específicas, outros que buscam certos filmes. Os números variam de mostra para mostra, mas estão sendo bastantes consistentes nas mostras deste ano, por exemplo”, conta Lucas Silva.

Thiago André destaca o papel que o Cinusp adotou e que continua atraindo pessoas (mesmo que com certa oscilação), na contramão do que acontece com o cinema convencional, que enfrenta a concorrência dos serviços de streaming e da internet. “Obviamente o público oscila muito de uma mostra para outra. Nós não vendemos ingresso e nosso objetivo não é fazer número de público. Nosso propósito é apresentar uma amplitude cinematográfica rica, que terá coisas mais conhecidas e outras nem tanto. Coisas mais óbvias e coisas que só serão exibidas aqui. O público já foi maior para o cinema como um todo, mas, observando os nossos dados, é perceptível que nos últimos quatro anos o público do Cinusp tem crescido.”

A seleção

O trabalho da curadoria não é fácil. Ela é responsável por pesquisas minuciosas, que têm como objetivo atender aos diversos conceitos dos curadores e dos membros da equipe das mostras e fazer sentido para o público. O trabalho inclui contatos com as distribuidoras, análise de temas e até a tradução de títulos inéditos no Brasil, sem exibições em países lusófonos. Tudo isso para selecionar filmes que farão parte da linha temática proposta numa determinada mostra.

Na mostra especial que comemora os 25 anos do Cinusp, esse trabalho não foi diferente. “Só temos filmes incríveis que serão exibidos”, afirma Thiago André. Mas ele faz uma ressalva: “Obviamente não estamos chamando esses filmes de melhores em seus respectivos anos. Eles não ganharam o Oscar de Melhor Filme ou a Palma de Ouro em Cannes nem o Festival de Berlim ou o de Veneza. Fizemos uma seleção nossa, de filmes em destaque em cada ano, colocando filmes brasileiros e estrangeiros.”

 

Hans Solo: Uma História Star Wars (2018), dirigido por Ron Howard – Foto: Reprodução/Cinusp

 

Filme Central do Brasil (1998), com direção de Walter Salles – Foto: Reprodução/Cinusp
Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund – Foto: Reprodução/Cinusp

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Mostras marcantes?

Definir qual mostra realizada pelo Cinusp, ao longo da sua história, foi a mais relevante é uma tarefa difícil. “Em todas as mostras o processo é o mesmo: criamos debates, selecionamos minuciosamente cada filme, buscando um recorte o mais preciso possível, representamos diversos tipos de cinema com origens e estilos diversificados. Então, acredito que todas as mostras são importantes”, pondera o curador Lucas Silva.

Esse pensamento é compartilhado pelo coordenador Thiago André: “Seria injusto dizer qual mostra foi mais relevante ou marcante. Acredito que a última coisa que eu diria é que a mostra com mais público foi a melhor, muito pelo contrário. Às vezes uma mostra que fez pouco público é mais importante, pela curadoria mais apurada para ela acontecer”.

Filme norte-americano Corra! (2017), com direção de Jordan Peele, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original – Foto: Reprodução/Cinusp

 

A Vizinhança do Tigre (2014), do diretor Affonso Uchoa – Foto: Reprodução/Cinusp

 

O Piano (1993), de Jane Campion – Foto: Reprodução/Cinusp

Representatividade paulistana

“Não é uma coisa comum a estrutura que existe no Cinusp, que é ter sessões gratuitas durante toda a semana de filmes de alta qualidade. O Cinusp se tornou uma alternativa ante os circuitos principais do cinema paulistano”, afirma Lucas Silva.

Essa especialidade fez com que o Cinusp fosse referência na cidade, pois ele vai além de ser uma opção do circuito alternativo de cinema paulistano. Para Thiago André, “o Cinusp se preocupa em ir atrás de coisas que não vão passar em nenhuma sala de cinema. Às vezes apresentamos filmes que nunca foram lançados no Brasil porque não tiveram alcance comercial para serem mostrados no circuito alternativo. Mas são filmes importantes e interessantes.”

Segundo ele, muitos desses filmes estavam escondidos em seus respectivos países de origem e, se não fosse o Cinusp, não haveria sequer referência ou citação desses filmes no Brasil ou em outro país de língua portuguesa. Tanto que, nesses casos, o Cinusp precisa traduzir e editar todo o filme para exibição em português. Thiago André cita como exemplo a recente mostra sobre o cinema de Taiwan. “Esses filmes nunca foram exibidos aqui e sequer possuíam legendas em português”, diz.

O diretor do Cinusp, Cristian Borges, reitera o papel do Cinusp no cenário paulistano. “O Cinema da USP já faz parte do calendário cultural da cidade em termos de cinema e é muito respeitado em termos de programação”, afirma.

Ele destaca que a aproximação do Cinusp com a sociedade é facilitada pela manutenção de duas salas de exibições, uma na Cidade Universitária e outra no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP, na Vila Buarque, região central de São Paulo. Borges adianta que em 2019 deverá ser inaugurada uma nova sala do Cinusp, no Anfiteatro Camargo Guarnieri, também na Cidade Universitária, que atualmente se encontra em reforma.

Nostalgia da Luz (2010), do diretor chileno Patricio Guzmán – Foto: Reprodução/Cinusp

 

Através das Oliveiras (1994), filme iraniano com direção de Abbas Kiarostami – Foto: Reprodução/Cinusp

A mostra Cinusp 25 anos será realizada de 3 a 21 de dezembro, nas salas do Cinusp na Cidade Universitária (Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia, favo 4) e no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP (Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, em São Paulo). Entrada grátis. A programação completa da mostra está disponível no site do Cinusp.

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