Marisa Midori recebe título de Doutora Honoris Causa na Hungria

Honraria, que será entregue no dia 16, reconhece trabalho da professora da USP em bibliotecas do Leste Europeu

Por - Editorias: Cultura
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A professora Marisa Midori Deaecto, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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No dia 29 de agosto, a professora Marisa Midori Deaecto, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, recebeu uma carta de Kálmán Liptai, reitor da Universidade Eszterházy Károly, em Eger, na Hungria. A correspondência trazia a notícia de que, com base em nomeação do Departamento de Estudos de Patrimônio Cultural e História Cultural da instituição, a professora fora condecorada com o título de Doutora H
onoris Causa. O título será entregue em cerimônia na universidade húngara na próxima segunda-feira, 16 de outubro.

Formada em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, pela qual também é mestre e doutora em História Econômica, a professora diz que a notícia foi uma grata surpresa. “Eu não esperava. Eu me considero jovem demais para receber um título de Doutora Honoris Causa de uma universidade estrangeira desse porte. Por outro lado, trabalhei bastante, mantenho um contato duradouro com aquela região. Mas ainda ‘não caiu a ficha’.” Marisa é colunista da Rádio USP, onde faz comentários sobre livros e edição na coluna “Bibliomania”, que vai ao ar sempre às sextas-feiras, às 9 horas.

Marisa conta que começou a viajar para o Leste Europeu em 2010, em pesquisas sobre livros e bibliotecas antigas, e atribui a relação que construiu com a universidade húngara ao acaso. “Na época eu estudava as relações entre Brasil e França na circulação dos impressos, sobretudo no século 19. A Universidade Eszterházy Károly foi fundada antes disso, em 1774, com forte influência da expansão do movimento das Luzes, que teve seu epicentro justamente na França. Lá se dão aulas em francês, e assim comecei a estudar as bibliotecas e livros do leste dos séculos 16, 17.”

Fachada da Universidade Eszterházy Károly, na Hungria – Foto: Rakás via Wikimedia Commons – CC BY-SA 4.0

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Entre seus trabalhos na região, a professora ministrou um breve curso sobre a história do livro no Brasil na Universidade Eszterházy Károly, que possui um curso semelhante ao de Biblioteconomia da ECA para a formação de conservadores de bibliotecas. Também escreveu um artigo sobre as antigas bibliotecas da Transilvânia, território romeno que antes pertenceu à Hungria. “O que nos move é a pesquisa, as viagens, colóquios, o esforço de escrever em duas línguas”, afirma Marisa sobre a experiência.

A professora também visitou o Museu de História da Hungria, de onde diz ter tirado a inspiração para escrever o discurso que fará na cerimônia de entrega do título, na semana que vem. “Fiquei tocada com as revoluções de 1848, quando houve um movimento de independência, com a tomada de consciência dos húngaros da possibilidade de se tornarem independentes da Áustria.”

“À época, o poeta húngaro Sándor Petőfi escreveu um poema que se tornou uma espécie de canção nacional do país, como a Marselhesa é para a França. Isso me marcou muito, e no meu discurso vou falar sobre como 1848 foi uma inspiração no mundo, e as relações dessas canções nacionais com a obra de poetas brasileiros como Gonçalves Dias, que escreveu a Canção do Exílio naqueles tempos”, explica.

Marisa Midori é professora do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA e do Programa de Pós-Graduação em História Econômica da FFLCH, além de pesquisadora visitante do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. No início do ano, foi professora convidada na École Normale Supérieure de Paris e, em 2013, foi convidada na Cátedra de História e Civilização do Livro, na École Pratique des Hautes Études, também na capital francesa.

Com a obra O Império dos Livros: Instituições e Práticas de Leitura na São Paulo Oitocentista ganhou, em 2011, o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Biblioteca Nacional, na categoria Melhor Ensaio, e o Prêmio Jabuti, em 2012, na categoria Comunicação.

Agora, agraciada pela Universidade Eszterházy Károly, a professora diz que o reconhecimento é mais que uma honra pessoal. “Um título de Doutor Honoris Causa em uma universidade é muito importante também do ponto de vista da produção científica da USP. Ele coloca a nossa universidade e a nossa pesquisa em evidência.”

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