“Macunaíma” em diálogo com os games é tema de seminário

Especialistas discutem a modernidade do clássico de Mário de Andrade no dia 31, com transmissão ao vivo

 27/08/2021 - Publicado há 3 meses
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Detalhe de pôster de uma adaptação cinematográfica de Macunaíma – Imagem: Divulgação

 

No próximo dia 31, terça-feira, às 14 horas, o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP promove o seminário on-line Macunaíma em Jogo, a respeito da célebre obra de Mário de Andrade. O evento será transmitido ao vivo através do canal do IEB no Youtube

Mário de Andrade – Foto: Wikipédia

“A intenção do seminário é discutir em que medida Macunaíma, quase centenária, pois foi concluída e editada em 1928, pode dialogar com os novos formatos de acesso a conteúdos disponibilizados para os estudantes e para os jovens em geral”, diz a professora Flávia Camargo Toni, que participará do seminário. “‘Além do livro’ — entre aspas porque no geral nós professores somos arredios em relação às alternativas a esse formato consagrado e querido —,  quais as possibilidades trazidas pela linguagem dos games, cujo próprio nome ainda soa estrangeiro para nós?”, completa Flávia. Também participam do seminário os professores Gilson Schwartz, Marcos Antonio de Moraes e Telê Ancona Lopez. 

Professora Emérita do IEB e especialista na obra de Mário de Andrade, Telê Ancona Lopez afirma que Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter é uma obra que cresce, a cada ano, para o público. “Multiplicada em sucessivas tiragens, traduzida em várias línguas, recriada no cinema, no teatro, nas artes plásticas, na música, nas HQ, nos games, objeto de teses universitárias, a obra atrai, pois incorpora, atualmente, a necessidade da poesia e a crítica à vida tecnizada, reificada”, diz Telê.

Capa da primeira edição de Macunaíma, publicado em 1928 – Foto: Wikipédia

Macunaíma foi publicada em julho de 1928, num momento em que estava acesa a discussão sobre a questão da brasilidade no Modernismo, afirma a professora. Na época, o livro chocou os leitores brasileiros. Telê destaca uma afirmação do crítico de arte Anatol Rosenfeld acerca dos choques produzidos por uma arte que renova. Para o crítico, essa arte é capaz de mostrar “aspectos da realidade exterior ou interior a uma luz renovada, estranha, surpreendente, fazendo com que vejamos e aprendamos o que geralmente nos escapa devido ao esgotamento da sensibilidade, gasta pela rotina e pelo hábito”. 

Para Telê, Macunaíma não apenas escandalizou, mas construiu. “É a narrativa de ficção que, em 1928, absorve a música, a mitologia, o folclore, a cultura popular, na experimentação que constrói a rapsódia”, avalia. Segundo ela, dentre os elementos de destaque da obra estão a quebra do gênero romance pela rapsódia — tipo de composição livre, que obedece características especiais ou clássicas —,  a presença do maravilhoso, a coexistência do tempo contemporâneo do escritor com o tempo imemorial, a “desgeograficação” (de acordo com Mário de Andrade) ou subversão do espaço, deslocando e fundindo elementos de todo o Brasil. 

“Também as características que subjazem no caráter nenhum ou na sátira: a preguiça como o ócio criativo, a mentira como a capacidade de inventar, efabular, a sensualidade exacerbada como o sexo sem pecado”, enumera Telê. Por último, a professora destaca a importância, em Macunaíma, da “utilização, por artifício, da língua portuguesa falada no Brasil, a ‘fala impura’”.

O seminário Macunaíma em Jogo, promovido pelo Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, acontece no dia 31 de agosto, às 14 horas, com transmissão ao vivo pelo canal do IEB no Youtube. Grátis. Não é preciso fazer inscrição.

Cartaz do evento – Imagem: Divulgação


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