Machismo ainda prejudica mulheres nas oimpíadas, diz professora

Jogos reproduzem estereótipos tradicionais porque o “esporte foi pensado pelos homens e para os homens”, escreve pesquisadora

Por - Editorias: Cultura
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Foto: Reprodução / Revista USP n.108
Foto: Reprodução / Revista USP n.108

As barreiras impostas pelo machismo às mulheres no esporte e nas Olimpíadas são discutidas pela professora Silvana Vilodre Goellner, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no artigo Jogos Olímpicos: a generificação de corpos performantes. Nele, Silvana identifica “o esporte como um espaço de construção de corpos generificados”, isto é, um ambiente que replica e fomenta uma lógica binária e estabelecida das características dos gêneros masculino e feminino.

Silvana sustenta que essa generificação se dá, de início, porque “o esporte foi pensado pelos homens e para os homens”, tese que se confirma nas palavras do barão Pierre de Coubertin (1863-1937), um dos idealizadores dos jogos olímpicos da era moderna, que era contrário à participação das mulheres.

No artigo As mulheres e os esportes, escrito pelo barão e publicado em 1938 – reproduzido por Silvana –, ele defende que as mulheres esportistas “serão sempre imitações imperfeitas” e que seu papel no esporte deveria se restringir a “tomar parte nos prazeres esportivos de seu marido” e “dirigir inteligentemente a educação física de seus filhos”.

Este é apenas um dos exemplos que Silvana traz para ilustrar seu argumento sobre a “mentalidade sexista” do Comitê Olímpico Internacional (COI), de outras entidades esportivas e da sociedade em geral, que define papeis sociais e padrões estéticos para homens e mulheres e não admite desvios nessas qualidades.

Silvana mostra que, mesmo após a introdução das mulheres nas Olimpíadas, em 1912, em Estocolmo, os ideais de feminilidade e masculinidade vigentes dificultaram a sua participação em diversas modalidades olímpicas ao longo da história dos jogos. Ela destaca que, ainda hoje, a aceitação da presença feminina é condicionada e regulada de uma maneira que não acontece com os homens.

Apesar de o número de competidoras estar se aproximando cada vez mais do número de competidores homens com o passar do tempo e de a última Olimpíada (Londres, 2012) ter sido a primeira em que todos os países levaram atletas mulheres em suas delegações, elas seguem sendo submetidas a testes hormonais de feminilidade para determinar se se enquadram biologicamente no padrão esperado para uma mulher, denuncia Silvana. Além disso, elas são alvo frequente de questionamentos quanto à sexualidade e têm seus atributos físicos muitas vezes colocados acima da qualidade técnica e do desempenho atlético das esportistas. Baseada nisso, a professora ressalta que “há ainda muitos desafios a enfrentar para que seus corpos performantes possam participar desse espetáculo com mais igualdade, autonomia e liberdade”.

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