Livro reúne a arte de Takashi Fukushima

O artista e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP tem sua história contada no livro Diáfanas Paisagens, escrito pelo jornalista e crítico Jacob Klintowitz

Por - Editorias: Cultura
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Imagens do livro Diáfanas Paisagens de Takashi Fukushima - Foto: Reprodução
Meteor, 2015, de Takashi Fukushima – Foto: Reprodução

 

 

“É tudo paisagem. Ou cósmica. Ou da terra. Ou do sentimento humano. Para Takashi Fukushima o  mundo é uma contemplação.”

A obra do pintor brasileiro Takashi Fukushima é sintetizada por Jacob Klintowitz nestas primeiras frases de Diáfanas Paisagens. Lançada pelo Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, a obra traz o universo do artista, arquiteto e professor sob a análise do crítico, jornalista e escritor.

Os planetas que se fundem em um universo de cores, os oceanos, os penhascos, os pássaros sobrevoando as metrópoles, a natureza urbana, o nascer do sol e a luz noturna. Todo esse universo flui entre a percepção sensível e o conhecimento de quem sabe captar e transformar o pensamento da pintura em palavras. Diáfanas Paisagens é o 160o livro de Jacob Klintowitz, autor que vem se dedicando à divulgação da arte brasileira. “Eu quis escrever um livro que fosse muito parecido com o artista”, comenta. “E acredito ter conseguido.”

“Eu quis escrever um livro que fosse muito parecido com o artista”, comenta. “E acredito ter conseguido.”

Takashi Fukushima - Foto: Divulgação
O artista Takashi Fukushima, professor da FAU – Foto: Divulgação

Um desafio harmonioso. Takashi Fukushima herdou o silêncio e o horizonte do pai,  o pintor Tikashi Fukushima. Mas eles seguiram caminhos diferentes na arte. O pai se deixou levar pela liberdade das cores, das formas. E o filho arquiteto, pela projeção das paisagens. “Meu pai olhava atentamente os meus quadros. Gostava de me ver pintar. Mas nunca fez um elogio ou uma crítica”, lembra Takashi. “Quando comecei a querer desenhar, ele me deu as tintas, as telas. Mas me deixou livre para seguir.”

Tikashi sabia que os caminhos na arte são infinitos.  O filho tinha um ano quando o levou no colo para mostrar seu quadro na 1a Bienal Internacional de São Paulo, em 1951. “Cresci vendo exposições de arte e acompanhando meu pai e os amigos pintando pelas ruas e praças da cidade.”

Um cotidiano que o influenciou na opção pela arte da paisagem e pela arquitetura. Entrou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP em 1970 e o arquiteto abriu espaço para o pintor das cidades. Não só a São Paulo onde nasceu e cresceu, a realidade densa das metrópoles, mas também os espaços no fundo dos oceanos ou planetas desconhecidos. “Eu nunca mergulhei, mal sei nadar. Mas eu gosto de pintar essa sensação de ver a vida no fundo do mar. Imagens que só conheço dos filmes”, comenta.

 

Universo pictórico

Imagens do livro Diáfanas Paisagens de Takashi Fukushima - Foto: Reprodução
Planetas, 2008, de Takashi Fukushima – Foto: Reprodução

“Em Takashi Fukushima todas as coisas são olhar e consciência. Com uma lógica interna impecável, esse é o seu percurso”, observa Klintowitz. “É profundamente marcado pela cultura japonesa, tanto a clássica quanto a contemporânea. Por formação, ele é oriundo da geração japonesa que deslumbrou o Brasil com o informalismo lírico e abstrato, artistas como Manabu Mabe, Kazuo Wakabayashi e Tikashi Fukushima, seu pai. Eram imigrantes sem formação artística, homens destinados às atividades agrícolas, mas que despertaram, duplamente, a sua sensibilidade. O movimento abstrato os situou, em parte, em sua cultura de origem e lhes apresentou um ambiente propício à emergência individual de um universo pictórico.”

Imprimir paisagens, onde o homem é só um rastro, é o que a obra propõe. “Eu nunca consegui fazer retratos”, diz Takashi. “Pensei em elaborar um autorretrato, mas só pensei.”

A ausência da figura humana é observada por Klintowitz. “O ser está no olhar e na expressão. Não tem pessoas, mas o ser humano está presente, pois é como se a paisagem fosse a inscrição do sentimento, a sinalização do pensamento, o rastro que resta no percurso percorrido. O homem é esse rastro. E o homem é o que olha”, pontua. “A cor é inteiramente mental, pois construída a cada vez. A referência não é a natureza, no sentido da tentativa de mimetismo, mas a da experiência do olhar transformador. Ver e rever, ver e reler o que se leu, o olho selvagem, se é que isso realmente existe, e o olho civilizado que, a cada vez, relê o visto. A paisagem em Takashi Fukushima é uma construção do espírito.”

 

Arte e educação

Imagens do livro Diáfanas Paisagens de Takashi Fukushima - Foto: Reprodução
Luz e Sombra, 2012, de Takashi Fukushima – Foto: Reprodução

As paisagens de Takashi Fukushima foram o tema das oficinas de arte e educação do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, uma associação sem fins lucrativos que desenvolve projetos artísticos e esportivos, aprovados em leis de incentivo fiscal. Atende, prioritariamente, crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual. Vem lançando livros de artistas brasileiros que participam como educadores voluntários.

“Foi uma oportunidade de conviver com alunos especialmente sensíveis”, conta Takashi Fukushima. “Sempre dei aula para universitários, que já vêm com uma bagagem cultural. Com os integrantes do Olga Kos, eu tive a oportunidade de reaprender a pintura.”

Os alunos tiveram como referência as paisagens do livro. “Não precisei explicar nada. De repente, eles estavam pintando com as mesmas cores, os mesmos planetas, porém, com uma liberdade própria.” As telas das crianças e jovens do instituto foram expostas de 30 de junho a 10 de julho na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, ao lado dos quadros de Fukushima. “Ao ver as imagens reunidas, percebi que estava acompanhado de grandes artistas.”

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Diáfanas Paisagens – Takashi Fukushima, de Jacob Klintowitz, Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, 164 páginas, R$ 100,00.

 

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