Livro mostra as transformações políticas em São Paulo

Obra do professor James Woodard, dos Estados Unidos, será lançada no dia 17 de outubro pela Editora da USP

Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=277723
Constituição brasileira de 1891: no centro, página com a assinatura de Epitácio Pessoa (primeira assinatura) – Foto: Acervo Arquivo Nacional / Domínio público

São Paulo dos anos 1890 a 1930, época marcada por conflitos políticos e mudança social e cultural no Estado – e também no País -, é tema da análise do professor James P. Woodard, da Universidade de Monclair, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, no livro Um Lugar na Política – Republicanismo e Regionalismo em São Paulo, da Editora da USP (Edusp), com tradução de Ana Maria Fiorini. O lançamento acontece no dia 17 de outubro, a partir das 16h30, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, incluindo mesa-redonda com o tema Repensando a República em São Paulo, com a participação do autor e das historiadoras e professoras da USP Maria Helena Capelato e Maria Helena Machado.

Segundo Woodard, São Paulo foi palco de um dos desenvolvimentos políticos mais importantes do País, como a contestada campanha presidencial de 1909-1910 e a revolta militar de 1924. Resultado de sua tese de doutorado, o estudo de Woodard começa nos anos finais do século 19, quando a Constituição de 1891 definia poderes políticos nas esferas federais, e se estende até a mobilização em massa de 1931-32, quando os paulistas se revoltaram e marcharam contra o governo nacional. “O objeto de estudo do livro é a política em seu sentido amplo, abrangendo estruturas, práticas, tradições, ideias e identidades políticas, e sua formação e reformação”, afirma Woodard na introdução.

A campanha de Ruy Barbosa à Presidência da República, em 1910, foi marcada por forte oposição à candidatura do marechal Hermes da Fonseca, e ficou conhecida como Campanha Civilista – Foto: Reprodução / Agência Senado via Wikimedia Commons
Venceslau Brás, presidente do Brasil entre 1914 e 1918 – Foto: Arquivo Nacional / Domínio público

O autor recorre a uma grande variedade de fontes documentais, estabelecendo um diálogo crítico entre a bibliografia brasileira e a norte-americana, e propõe uma reinterpretação da política e da cultura política no Estado de São Paulo. Segundo ele, São Paulo abrigou alguns dos mais importantes movimentos políticos, intelectuais e sociais do Brasil. “Nas décadas de 1870 e 1880, foi o lar do mais notável movimento de oposição antimonárquica do Brasil, o qual buscava substituir o governo ‘imperial’ centralizado do País por uma república federativa”, escreve, e ainda lembra que, nessas mesmas décadas, a província foi também campo de batalha para as maiores campanhas antiescravistas do Brasil.

Na década de 1910, segundo o autor, um nacionalismo mobilizador desfrutou de seu auge, não somente na capital, mas também no interior. “Enfrentando uma derrota certa, Ruy Barbosa desistiu do que teria sido a campanha presidencial de 1913-1914, deixando campo aberto ao candidato mineiro (Venceslau Brás) das grandes máquinas estaduais”, informa. Segundo ele, os anos de 1921 e 1922 viram mais uma disputada campanha presidencial, na qual Nilo Peçanha, do Rio de Janeiro, desafiou Arthur Bernardes, outro candidato mineiro apoiado pelas grandes e poderosas máquinas políticas estatais. “Como convém a um político experimentado, Peçanha aceitou sua derrota com tranquilidade, mas alguns de seus apoiadores, não.”

Folheto de campanha presidencial de Ruy Barbosa, em 1919 – Foto: PD-Brazil-media via Wikimedia Commons
O livro Um Lugar na Política – Republicanismo e Regionalismo em São Paulo, de James Woodard, lançado pela Editora da USP (Edusp) – Foto: Reprodução

Em 1924, uma mobilização de outro tipo emergia: uma rebelião militar conduzida principalmente por oficiais jovens e de baixa patente ocupou a cidade de São Paulo por semanas. “Dois anos mais tarde, a capital foi o local escolhido para a fundação do mais importante movimento civil de oposição da época, um partido político (Partido Democrático de São Paulo) que desafiou a máquina republicana do Estado em termos liberais e constitucionalistas”, afirma. E continua: “Quatro anos depois, em 1930, os líderes do novo partido ataram seu destino a políticos oligárquicos de outros Estados naquela que seria conhecida e reconhecida como a ‘Revolução de 1930’”.

O autor enfatiza que, ao longo desses anos, São Paulo – cidade e Estado – foi cenário e sujeito da elaboração de um profundo e persistente senso de diferenciação e distinção regionais, e que as experiências políticas paulistas pré-1930 abriram caminho para a última grande revolta regionalista do Brasil, a Revolução Constitucionalista, de 1932.

Segundo Woodard, a despeito de sua importância, a política desse período ainda não recebeu a atenção historiográfica que merece. “Evidentemente, ela é há muito apontada como crucial para a formação do Brasil moderno, mas seu exame é sempre limitado a temas específicos (um partido ou personalidade aqui, uma municipalidade ou revista acolá)”, analisa, acrescentando que o livro pretende fazer uma série de contribuições, principalmente para o entendimento da política moderna.

Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) fotografada por Claro Jansson durante sua passagem por Itararé (São Paulo), a caminho do Rio de Janeiro, após a vitoriosa Revolução de 1930 – Foto: Claro Jansson / Domínio público via Wikimedia Commons

Um Lugar na Política – Republicanismo e Regionalismo em São Paulo, de James P. Woodard, tradução de Ana Maria Fiorini, Editora da USP (Edusp), 376 páginas, R$ 56,00.

O lançamento do livro acontece no dia 17 de outubro, a partir das 16h30, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP (Avenida Professor Luciano Gualberto, 78, Cidade Universitária, em São Paulo), incluindo mesa-redonda com o tema Repensando a República em São Paulo, com a participação do autor e das historiadoras e professoras da USP Maria Helena Capelato e Maria Helena Machado. Mais informações pelo telefone (11) 3091-4156. 

Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.