Livro discute os fatos que introduziram o Brasil no Ocidente

Obra é de autoria do professor João Paulo Pimenta, do Departamento de História da USP

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A Independência do Brasil foi um evento relevante para inserir o Brasil no chamado “mundo ocidental”, segundo o professor João Paulo Pimenta – Foto: Reprodução de pintura a óleo sobre tela de Pedro Américo (1843-1905) via Wikimedia Commons / Domínio público

Um livro lançado pela Editora Intermeios busca trazer ao leitor os acontecimentos históricos que colocaram o Brasil no mundo ocidental, entre os séculos 18 e 19. Tempos e Espaços das Independências – A Inserção do Brasil no Mundo Ocidental (1780-1830), do professor João Paulo Pimenta, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, é uma coletânea de nove ensaios que possuem em comum “o entendimento da posição histórica que o Brasil ocupa no contexto revolucionário mundial”, entre o final do século 18 e início do 19.

Integrante da Coleção Ent(H)istórias, que publica obras produzidas por professores e alunos do Programa de Pós-Graduação em História Social da FFLCH, o livro mostra que não foi apenas um aspecto que inseriu o Brasil no mundo ocidental. Segundo João Paulo Pimenta, há diversos fatores que localizaram o País no sistema capitalista em ascensão, como mais um quadro e ao mesmo tempo como mais uma parte da dinâmica das relações internacionais da época.

Segundo Pimenta, o livro se diferencia da historiografia clássica porque esta tradicionalmente isola o Brasil, “como se sua história fosse marcada tão somente por uma brutal diferença em relação a outras partes do mundo”. Em sua obra, o professor busca trazer ao leitor que os desenvolvimentos político e econômico brasileiros não podem ser separados do que acontecia nos outros países do globo, principalmente no que se refere à história da América hispano-portuguesa.

Ao percorrer o livro, o leitor vai notar que inúmeras são as situações históricas e contextos políticos e econômicos ao redor do globo que influenciaram diretamente a entrada do Brasil e de outros países da América naquilo que ficou conhecido como “mundo ocidental”, como a crise do antigo sistema colonial, as convulsões político-sociais e os movimentos revolucionários e de independência nas colônias espanholas e portuguesas, bem como suas relações (ou os rompimentos) com suas respectivas metrópoles.

Tais rupturas, somadas a outros episódios – como a chegada da família real portuguesa ao Brasil –, contribuíram em maior ou menor grau para a inserção do Brasil e de outras colônias da América na modernidade do mundo ocidental, segundo o professor.

Limites do termo “Ocidente”

O termo “Ocidente”, muito utilizado para designar geográfica e politicamente uma determinada região do planeta, é problematizado por Pimenta, que reconhece a precariedade da expressão. Principalmente em tempos como os atuais, em que se associa o termo às ideias de superioridade de certas civilizações sobre outras, às ideologias neoimperiais, aos nacionalismos, xenofobias e guerras religiosas, bem como à suposta irrelevância da democracia e do Estado de direito face a relativismos culturais, aponta.

No entanto, ele crê que a expressão ainda pode ser útil, porque seu uso estabelece “a premissa de que o mundo de fins do século 18 não havia superado a pluralidade de unidades socioeconômicoculturais” e porque, na obra, usa-se o termo “Ocidente” de forma preliminar, como ponto de partida para caracterizar um outro espaço e tempo, mais adequados aos limites desenhados pela própria história observada.

Diferente metodologia

A obra também traz ao leitor as diferentes metodologias que a historiografia utilizou para estudar e analisar os rompimentos das colônias americanas com suas metrópoles e as consequências históricas dessas rupturas.

Capa do livro do professor João Paulo Pimenta- Foto: Reprodução

Um exemplo dado por Pimenta são as diversas visões sobre a emancipação política e econômica da colônia brasileira em relação a Portugal. “Concebemos que a Independência do Brasil é resultado de uma experiência histórica; isto é, que resulta de um conjunto de elaborações realizadas por meio de leituras da história, de leituras do mundo, que forneceram aos partícipes daquele processo — e não apenas aos seus protagonistas mais destacados — parâmetros de ação, inspirações, paradigmas negativos ou positivos, indicaram caminhos e possibilidades, ensinaram a rejeitar condutas, criaram temores de excessos e subsidiaram expectativas.”   

Essas diferentes visões e metodologias do estudo da história do Brasil, não só entre os historiadores, mas também entre os atores que participaram diretamente ou indiretamente de tais acontecimentos, condicionaram “as formas de fazer política da época, e da qual resultam soluções dentre as quais as mais importantes viriam a ser, sem dúvida, a formação do Estado e nação brasileiros”.

O livro Tempos e Espaços das Independências – A inserção do Brasil no mundo ocidental (1780-1830), de João Paulo Pimenta, pode ser adquirido através do site da editora Intermeios.

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