Livro busca novos olhares sobre o compositor Heitor Villa-Lobos

Lançamento da obra acontece durante o 3º Simpósio Villa-Lobos, nos dias 10 e 11 de novembro, na USP

Por - Editorias: Cultura
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Obra reúne 14 artigos de pesquisadores ligados ao grupo de estudos Percepção e Análise Musical de Villa-Lobos (Pamvilla) – Foto: Divulgação

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eunindo 14 artigos inéditos, o livro Villa-Lobos, Um Compêndio – Novos desafios interpretativos apresenta de maneira multidisciplinar a vida e a obra de Heitor Villa-Lobos (1887-1959). A publicação é resultado do trabalho de integrantes do grupo de pesquisa Percepção e Análise Musical de Villa-Lobos (Pamvilla) e comemora os 130 anos de nascimento do compositor. Criado em 2012, o grupo integra pesquisadores de diferentes universidades do Brasil e do exterior.

“Esse livro sedimenta o que vem acontecendo nesta última década em relação à pesquisa de Villa-Lobos”, explica o professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP Paulo de Tarso Salles, líder do Pamvilla e coorganizador da publicação. “São releituras de aspectos biográficos, do papel dele como educador, do trabalho como compositor, do papel dentro do modernismo brasileiro, do modernismo internacional, dentro do cenário dos compositores internacionais.”

Segundo o professor da USP Paulo de Tarso Salles, livro é esforço multidisciplinar de reinterpretar o papel e a obra de Villa-Lobos – Foto: Fritz Cohen/Wikimedia Commons

Ainda segundo Salles, essa releitura proposta pelos pesquisadores do Pamvilla procura também desconstruir o mito criado em torno de Villa-Lobos como um rebelde com má formação técnica. “O que às vezes é pensado como ‘o Villa-Lobos foi para o morro tocar com os chorões como uma diversão inconsequente’ na verdade era o aprendizado dele, era a escola dele. Ele cursou uma escola de música brasileira e com uma intensidade que nenhum outro músico erudito havia feito antes. E ele forja com isso uma técnica, com um jeito de pensar o fazer musical que é único naquele momento.”

A seleção de textos versa sobre diversos aspectos do trabalho do compositor, a partir de diferentes perspectivas. Dois artigos oferecem novos olhares sobre as representações indígenas de Villa-Lobos. Num deles, o sociólogo Leopoldo Waizbort apresenta a pesquisa realizada pelo compositor a partir das gravações feitas por Roquette Pinto durante a expedição Rondon. Já o educador e etnomusicólogo Pedro Paulo Salles busca as raízes morfológicas da canção Nozani-ná, dos paresi-haliti do Mato Grosso, levando a composição de Villa-Lobos à aldeia e reinterpretando o significado da canção para os indígenas.

O professor Paulo de Tarso Salles: apresentações sobre os artigos do livro são a “espinha dorsal” do simpósio sobre Villa-Lobos, nos dias 10 e 11 de novembro – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Em outro texto, os musicólogos Flávia Toni e Manoel Corrêa do Lago interpretam as cartas trocadas por Mário de Andrade, Villa-Lobos, Di Cavalcanti e Adolph Bolm para o planejamento de coreografias, figurinos e cenários dos balés do compositor. O maestro Lutero Rodrigues dedica seu estudo a questionar a ideia de que Villa-Lobos teria “descoberto o Brasil” somente após sua primeira viagem a Paris, em 1923, desconstruindo a visão do compositor como oportunista e arrivista.

Para os pesquisadores Allan Falqueiro, Walter Nery Filho, Joel Albuquerque e Ciro Visconti, o interesse foi o papel da simetria na obra do compositor. Em diferentes abordagens, eles desenvolvem o tema a partir da relação da matemática com a linguagem musical, da exploração das relações motívicas e intervalares na geração de estruturas harmônicas, da bipartição do teclado do piano em teclas brancas e pretas e dos aspectos idiomáticos que geram simetria a partir da ação do instrumentista no violão.

Simpósio

O novo livro sobre Villa-Lobos – Foto: Divulgação

O lançamento do livro acontece no 3º Simpósio Villa-Lobos, durante os dias 10 e 11 de novembro, na ECA. Além da apresentação de trabalhos, o evento contará com falas dos autores dos artigos da publicação, mesas temáticas e apresentações musicais. Numa das mesas temáticas será abordado o papel de Villa-Lobos como educador musical. Em outra, serão investigadas as influências e conexões entre o compositor, Tom Jobim e a bossa nova.

“Eu diria que esse livro é fruto desses simpósios que acabaram reunindo pessoas interessadas em Villa-Lobos e que tinham essa visão comum, de que a história precisava ser repensada, reinterpretada”, conclui Salles, que também preside a comissão organizadora do evento.

O 3º Simpósio Villa-Lobos acontece na ECA, nos dias 10 e 11 de novembro, das 9 às 19 horas. A programação completa pode ser acessada aqui.

Villa-Lobos, um compêndio: novos desafios interpretativos, de Paulo de Tarso Salles e Norton Dudeque (organizadores), Editora UFPR, 492 páginas, R$ 60,00.

 

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