Livro apresenta biografia do “pai da mecanização agrícola”

Formado pela USP, Hugo de Almeida Leme teve papel importante na história da agricultura brasileira

Por - Editorias: Cultura
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Hugo de Almeida Leme é considerado o “pai da mecanização agrícola” – Foto: João Felipe C.S via Wikimedia Commons

No último dia 18 de dezembro foi promovido lançamento do livro O Mestre da Terra – Vida e Obra de Hugo de Almeida Leme, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. Leme formou-se engenheiro agrônomo em 1939, na 37ª turma da Esalq, com o firme propósito de mudar a agricultura brasileira.

O ano de 2017 marca o centenário do nascimento de um dos personagens centrais da história da agricultura no Brasil. Engenheiro agrônomo, professor, diretor de uma das instituições de ensino mais importantes do País, ministro de Estado e presidente de empresa, Hugo de Almeida Leme entrou para a história pelo trabalho e por ações que fez, durante a vida acadêmica e profissional, em favor da mecanização da agricultura brasileira. O título de “pai da mecanização agrícola”, estampado em manchetes de jornais e artigos de revistas, principalmente a partir das décadas de 1960 e 1970, lhe cai perfeitamente bem.

Professor Hugo de Almeida Leme – Foto: Reprodução / Esalq

No livro, os jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste reconstituíram, com base em fatos e depoimentos, a trajetória do menino de origem humilde que se tornou – por esforço próprio e incentivo dos pais – ministro da Agricultura de um país hoje reconhecido como um dos maiores produtores de alimentos e de commodities agrícolas do planeta. Um título inimaginável cinquenta anos atrás, quando a imagem do Brasil rural era a do Jeca Tatu, o personagem da literatura que sofria as mazelas decorrentes da falta de educação e do atraso no campo. Foi quando o jovem professor catedrático da Esalq passou a defender um ideal: a necessidade de mecanizar a lavoura para dar o grande salto e eliminar o cenário onde era preciso percorrer léguas e léguas para encontrar um único trator arando a terra.

Recheado de memórias de quem conviveu com o professor Hugo Leme no dia a dia, na Universidade e nos tempos de ministério, a biografia retrata, em linguagem simples, um pouco da história do Brasil: o primeiro governo militar, do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, a criação do Estatuto da Terra, a aprovação do Código Florestal, o início da mecanização da agricultura e a chegada das primeiras grandes indústrias de máquinas agrícolas ao País, além de fatos que abalaram o mundo, como a morte do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy. Passeia, ainda, pelo Rio de Janeiro dos anos 1960, pela Piracicaba que assistia aos primeiros sinais de desenvolvimento, sem perder a tradição do bonde, pela São Paulo já marcada pelos grandes congestionamentos. Por fim, traz à tona as mudanças vividas pela Esalq, uma das cinco mais importantes do mundo.

Durante cinco meses, os autores entrevistaram 49 pessoas. Os depoimentos de filhos, noras e genros, netos, sobrinhos, amigos, ex-alunos, colegas de trabalho, além de autoridades e ex-ministros de Estado, ajudaram os autores a descortinar as diversas aptidões do professor Hugo. As entrevistas renderam 43 horas de conversas,  permeadas por histórias de superação, “causos” alegres ou tristes. Memórias que afloraram, às vezes em meio a lágrimas, quando saudade e nostalgia se misturavam às lembranças.

Os autores também recorreram aos acervos de instituições, como a Biblioteca Central da Esalq, o Arquivo Público do Estado de São Paulo, o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, a Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba; consultaram 59 publicações, entre livros, jornais e revistas, além de 33 sites da Internet. O resultado são 284 páginas, em que sobressai o jovem empenhado em vencer pela educação; o professor preocupado com a qualidade de ensino; o pesquisador que se debruçou sobre os problemas da agricultura; o diretor obstinado em produzir os melhores resultados com investimento do dinheiro público; e o ministro disposto a pavimentar a estrada que levaria o País a ser um gigante agrícola.

Alicia Nascimento Aguiar / Divisão de Comunicação da Esalq

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