Livro analisa educação a partir de Hannah Arendt

Em cinco ensaios, professor da Faculdade de Educação da USP investiga o sentido do ensino na sociedade contemporânea

Por - Editorias: Cultura
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O professor José Sérgio Fonseca de Carvalho: exercício de pensamento inspirado em Hannah Arendt – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Pensar o sentido da educação no mundo contemporâneo. Essa é a ação que o professor da Faculdade de Educação (FE) da USP José Sérgio Fonseca de Carvalho realiza no livro Educação, Uma Herança Sem Testamento (Perspectiva), lançado em junho passado. Para empreender essa tarefa, Carvalho faz suas reflexões nascerem a partir do diálogo com as ideias da filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975).

Mais conhecida e estudada por suas obras sobre totalitarismo, relação público-privado e a banalidade do mal, Arendt escreveu nos anos 50 um ensaio batizado como “A crise na educação”. No texto, a autora partia da realidade do ensino nos Estados Unidos para pensar o papel da educação na sociedade contemporânea. São principalmente desse ensaio as ideias com as quais Carvalho se encontra.

“Você tem esse impasse: uma sociedade que a tudo devora no processo vital e um processo educativo que tem a ver com a durabilidade de um mundo” – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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“O que eu faço é pegar o que me parece ser os grandes temas que emergem desse texto”, afirma o professor. Contudo, destaca também que Educação, Uma Herança Sem Testamento não é uma explicação do ensaio de Arendt. “Eu procuro fazer um exercício de pensamento inspirado pela Arendt, que dialogue tanto com a minha experiência como com a obra dela como um todo. Eu vou recolhendo aqui e acolá subsídios para pensar as questões que me interessam: público-privado e educação, política e educação, liberdade e autoridade”, explica Carvalho, que se dedica há 15 anos à obra da filósofa.

Cinco ensaios compõem o livro. No primeiro, “A formação escolar em uma sociedade de consumidores”, o autor analisa os desafios políticos e educacionais de ensinar numa sociedade organizada em torno do consumo – entendido como o conjunto de atos que dizem respeito à manutenção e reprodução da vida: comer, beber, dormir.
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O problema é como eu posso pensar a educação, que estaria para Arendt comprometida não com essa dimensão do que se esvanece imediatamente pelo consumo, mas aquilo que perdura, que é tanto o legado do passado quanto a promessa do futuro. Você tem esse impasse: uma sociedade que a tudo devora no processo vital e um processo educativo que tem a ver com a durabilidade de um mundo.

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Em “Política e educação em Hannah Arendt: distinções, relações e tensões”, segundo ensaio do volume, o autor discute o caráter pré-político da educação e os aspectos políticos de sua crise. Já em “Autoridade e educação: o desafio em face do ocaso da tradição”, o foco é entender as práticas pedagógicas no contexto de uma sociedade que não reconhece mais autoridades. O quarto texto “Educação e liberdade: da polêmica conceitual às alternativas programáticas”, parte do entendimento de Arendt sobre o que é liberdade para aplicá-lo na reflexão sobre educação.

Encerra o livro o ensaio “A experiência escolar ainda tem algum sentido?”, que Carvalho considera o mais “solto” dos textos. “É um pouco pensar um diálogo com a Arendt, porque ela não trabalha isso. Em que medida esse legado da formação humanista do renascimento teria sentido hoje? Que sentido poderia ter esse diálogo com as obras que nos chegam de outro mundo?”

No livro, Carvalho pensa a educação em diálogo com a política, autoridade, liberdade e a sociedade de consumidores – Foto: Divulgação (Clique na imagem para ampliar)

Educação, Uma Herança Sem Testamento, de José Sérgio Fonseca de Carvalho, Editora Perspectiva, 144 páginas, R$ 46,00

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