Livro ajuda a entender uma modernidade que sempre recomeça

Em obra lançada pela Editora da USP, o poeta francês Henri Meschonnic debate o conceito de modernidade

Por - Editorias: Cultura
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Detalhe da capa do livro Modernidade, Modernidade, lançado pela Editora da USP – Foto: Divulgação

“A modernidade é a vida. A faculdade do presente. O que faz das invenções do pensar, do sentir, do ver, do ouvir, a invenção de formas da vida. Eis por que pode haver um depois do modernismo, não um depois da modernidade.” No livro Modernidade, Modernidade, lançamento da Editora da USP (Edusp), o poeta francês Henri Meschonnic (1932-2009) traz as suas reflexões e questionamentos sobre a poética e a política da teoria que divide o tempo do homem, da arte, da literatura e da sociedade.

Reflexões que o professor Roberto Zular, do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, esclarece no texto da orelha do livro, orientando a boa leitura. “Ao escapar da falácia dualista que coloca o moderno contra o antigo ou o pós-moderno contra a modernidade, Henri Meschonnic atualiza um debate fundamental para compreendermos o contínuo que faz da modernidade uma aventura ao mesmo tempo do presente e do passado, da linguagem e da história, do sujeito e da sociedade. A modernidade, modernidade, que desde sempre recomeça.”

Para o poeta, a modernidade é um combate que recomeça sem cessar. “É um estado nascente, indefinidamente nascente, do sujeito, de sua história, de seu sentido. Deixa, sem cessar, para trás os acomodados do pensamento, aqueles nos quais as ideias pararam, atrasaram-se e que confundem sua antiga juventude com o envelhecimento do mundo.” Meschonnic ressalta que a modernidade costeia o cemitério de conceitos fósseis que nos soterra. “E que tornam surdos. Surdos ao que virá.”

O questionamento de Meschonnic percorre as 360 páginas do livro. Compartilha, compara e esclarece suas dúvidas lembrando as considerações de outros pensadores. “Eis por que, seja Humboldt, seja Walter Benjamin, os que pensaram entre as categorias de seu tempo, as do descontínuo da linguagem, as do signo, em direção ao contínuo linguagem-história, se passaram – Humboldt, emblematicamente – por difíceis, quer dizer, de acordo com o sentido do mundo, impensáveis, irredutíveis, segundo as categorias do século 19, que continuam a reger o 20.”

Para o professor Zular, “o pulo do gato de Meschonnic é nos colocar nesse presente sempre se fazendo que reinventa a relação com o passado e o futuro”. Observa: “Mas só há modernidade, quando ambas – poética e política – são atravessadas pela ética. A responsabilidade ética de fazer esse presente é o que torna este livro mais do que necessário, urgente.”

Modernidade, Modernidade, de Henri Meschonnic, tradução de Lucius Provase, Editora da USP (Edusp), 360 páginas, R$ 54,00.

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