Festival de arte do Morro do Querosene visa à criação de parque

Gratuito, evento on-line com mais de 70 atrações acontece neste fim de semana, dias 20, 21 e 22 de agosto

 18/08/2021 - Publicado há 4 meses
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Entre as mais de 70 atrações do festival estão Barbatuques, Isca de Polícia, Bloco Ilú Obá de Min e Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene – Foto: Divulgação

 

Neste fim de semana – dias 20, 21 e 22 de agosto -, acontece o Festival Fonte de Artes do Morro do Querosene (FAMQ) 2021, festival on-line e gratuito. O evento faz parte da luta pela criação do Parque da Fonte do Peabiru no Morro do Querosene, bairro da região do Butantã, em São Paulo, e contra a construção de um megaempreendimento residencial previsto no local. Ao longo dos três dias, o evento contará com mais de 70 atrações, dentre elas performances musicais de nomes como Rappin Hood, Nasi, Barbatuques, Dinho Nascimento, Isca de Polícia, Bloco Ilú Obá de Min e Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene. Dezenas de artistas vão se revezar em três estúdios para as apresentações, que incluem samba de roda, capoeira, shows de reggae, rock, rap, salsa, forró e rodas de conversa sobre sustentabilidade, ambiente e urbanismo. 

Para o professor Luiz Alberto de Farias, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, a importância de eventos culturais como o FAMQ se dá porque, “numa cidade como São Paulo, o trabalho das comunidades e dos afins permite manter a memória de várias questões que são deixadas de lado pelo poder público”. Ainda que em um período de crise sanitária, é necessário manter a mensagem viva, já que a força de agregação e o aspecto reivindicatório poderiam se perder com uma descontinuação do festival, que acontece anualmente desde 2015, analisa o professor. “A arte é um elemento de conexão valiosíssimo e serve como liga, como aproximação entre as pessoas”, diz.  

Banner de Divulgação do evento – Imagem: Divulgação

 

“A especulação imobiliária pode ser vista em grandes cidades sem nenhum esforço. Diversas regiões são devastadas para o erguimento de empreendimentos que não têm relação com a localidade e que gerarão risco ao ambiente”, reflete Farias. “Reunir pessoas para protestar é fundamental, mesmo que decisões sobre liberações de construções de grande impacto nem sempre levem em conta o interesse e a necessidade do local e da população.”

Para os moradores da região, o megaempreendimento trará consequências ambientais e de mobilidade para o local. Cecilia Pellegrini, organizadora do evento, diz, em texto de divulgação do FAMQ 2021, que o projeto para o parque envolve construções que sigam os princípios da permacultura. Dentre as propostas está a instalação de um Centro Popular de Cultura e de um Centro de Documentação do Peabiru, a fim de preencher uma lacuna de registros históricos.

O professor Farias analisa que a cidade é pobre em equipamentos culturais, parques e outros espaços voltados ao público. “Mesmo que possamos listar vários equipamentos, todos sabemos que isso não atende adequadamente à população. É necessário empenho para a criação de novos espaços, de centros voltados para as comunidades, sem presença da iniciativa privada, sem objetivos de rentabilidade. E isso não parece ser algo natural em diversas administrações nos diferentes espaços de poder”, afirma Farias.

O projeto FAMQ-2021 foi selecionado pelo Edital-Festivais do ProAC 2020 – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo. Este é o segundo ano em que o evento acontece de forma virtual, em decorrência da pandemia de covid-19. Trata-se de uma maneira de manter vivo o espaço de encontros, artes e manifestações culturais representado pelo Morro do Querosene. 

A programação completa do Festival Fonte de Artes do Morro do Querosene (FAMQ) 2021 está disponível no Instagram e no Facebook do evento. O festival será transmitido ao vivo através dos seguintes canais: Youtube, Facebook, Instagram, TV Socializando Saberes, e Rádio Cidadã


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