Exposição lembra os tempos dos livros artesanais

Mostra sobre o editor e tipógrafo Elvino Pocai fica em cartaz na USP a partir de 8 de maio

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Um dos modelos de colofão – inscrição geralmente posta no final do livro indicando quem trabalhou na edição – utilizados por Pocai ao longo da carreira ー Foto: Editora Elvino Pocai / Reprodução

A mecanização da sociedade moderna inevitavelmente acabou por impor uma urgência e rapidez em diversos processos de produção. Entre os afetados está o processo de criação de livros, que antigamente possuía brecha muito maior para se apurar o trabalho, tratando com esmero os mínimos detalhes da obra.

Um dos grandes artistas que trabalharam artesanalmente a elaboração de livros no Brasil foi o editor e tipógrafo Elvino Pocai. Para celebrar sua obra e analisar o mercado editorial da época em que ele viveu, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP receberá de 8 de maio a 21 de agosto a exposição Elvino Pocai: Poeta das Artes Gráficas. A entrada é gratuita.

“Hoje a produção editorial e gráfica é amplamente mecanizada, especializada por áreas e exige-se enorme velocidade nos processos. Então, conhecer um trabalho praticamente artesanal, feito em uma época em que a figura do tipógrafo e do editor se mesclavam, é importante para entendermos como a indústria do livro se desenvolveu ao longo da primeira metade do século 20”, conta a pesquisadora Cristiane Tonon Silvestrin, uma das curadoras responsáveis pela mostra.

Capa do livro Memória Histórica do Instituto Butantan, exemplo do esmero de Elvino Pocai na produção de livros artesanais ー Foto: Editora Elvino Pocai / Reprodução
Capa do livro Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, de Mário Sobral, pseudônimo de Mário de Andrade, editado por Pocai ー Foto: Editora Elvino Pocai / Reprodução

Nascido no ano de 1881 em Florença, na Itália, Elvino Pocai foi criado em São Paulo, onde aprendeu seus ofícios e desenvolveu sua aptidão e senso estético na construção gráfica de livros. Na época, os editores que mais se dedicavam a trabalhar cada detalhe da obra eram quem se destacava no mercado, e Elvino Pocai sempre foi um dos que se diferenciavam. “Todos os artigos de periódicos que mencionavam edições feitas por ele sempre o elogiavam, enaltecendo seu talento e cuidado com os livros e os autores”, conta Cristiane.

Amplamente elogiado por jornalistas, intelectuais e profissionais do mercado no passado, hoje em dia pode-se dizer que sua obra – bem como o mercado editorial e gráfico brasileiro da época – caíram no esquecimento, o que reforça a necessidade desse resgate histórico promovido pela exposição.

A ideia embrionária da mostra surgiu com o trabalho de conclusão de curso de Cristiane, graduada em Editoração pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Na ocasião, o professor Plinio Martins Filho foi seu orientador, e agora ambos assinam a curadoria da exposição.

Serão 75 títulos e 106 exemplares nos quais Elvino Pocai se empenhou ao longo de toda a sua carreira. A maioria das obras é proveniente do acervo da própria USP, o que segundo Cristiane facilitou bastante a pesquisa. “O fato de ser uma seleção procedente de unidades da Universidade enriquece a exposição, pois será possível que o público tome contato com obras de várias áreas do saber, além de colocar o visitante em contato com o patrimônio da USP sob um recorte editorial”, complementa.

Uma das principais obras da mostra é o livro Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, editado por Pocai em 1917. Composto de 13 poemas ilustrados por gotas de sangue em um vermelho vivo, ele foi o livro de estreia de Mário de Andrade, que à época o assinou como Mário Sobral.

“A poesia e o esmero empregados por Pocai em suas edições sempre serão condições primordiais para bons editores, designers e gráficos, independentemente de sua época”, conclui Cristiane.

A exposição Elvino Pocai: Poeta das Artes Gráficas fica aberta de 8 de maio a 21 de agosto de 2019, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30, na Sala Multiuso da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP (Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 2648-0841.

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