“Existem muitos modos de traduzir a poesia antiga”

Na série “Estudos Clássicos em Dia”, professor contesta “objetividade” da tradução predominante na academia

Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=352689
Safo de Lesbos, Sexto Propércio, Horácio e Calímaco: grandes poetas da Antiguidade grega e latina – Foto: Divulgação – Fotomontagem /Jornal da USP

Predominante na academia no último século, a chamada “tradução de estudo” – caracterizada pelo rigor filológico e semântico – busca um vínculo tão estreito com o texto original que chega a se confundir com uma suposta objetividade semântica, como se ela estivesse o mais próximo possível daquele original. No entanto, todo texto “prolifera de sentidos” e exige escolhas críticas do tradutor. Cada vez que um texto é traduzido, ele ganha “camadas de legibilidade” para o público. A prova de que a tradução de estudo não atinge o que promete é que dois tradutores de um mesmo texto não produzem duas traduções idênticas, ainda que se situem num contexto histórico e linguístico semelhante. “Se a tradução tem potencial de ser uma revisão do texto original, ou uma ressensibilização diante desse texto que permanece aberto – portanto o original não é um texto estanque -, haverá muitos modos de traduzir.”

Essa problematização da tradução da poesia antiga é feita pelo professor Guilherme Gontijo Flores, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no mais recente episódio de Estudos Clássicos em Dia, série de vídeos produzida pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. No vídeo – intitulado Poesia Antiga em Performance -, Flores discute como é possível transpor obras clássicas para os dias atuais e “ressignificá-las”. “Ao se traduzir poesia numa tradução de estudo, pode-se capturar muito do que o texto diz em relação ao seu contexto”, reconhece o professor. “No entanto, o poema se caracteriza por uma organização formal, material e expressiva que o singulariza.”

Guilherme Flores é tradutor de obras dos poetas latinos Horácio (65-8 a.C.) e Sexto Propércio (43-17 a. C.) e dos fragmentos da poetisa Safo de Lesbos (século 7 a.C.) e do poeta Calímaco (310-240 a.C.), ambos gregos.

Assista neste link ao vídeo Poesia Antiga em Performance, da série Estudos Clássicos em Dia. Clique aqui.

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