Evento on-line aborda velhas e novas pesquisas sobre o Modernismo

Nesta sexta-feira, às 16 horas, especialistas vão debater estudos seminais dos anos 70 e seus desdobramentos

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Catálogo da Semana de Arte Moderna de 1922 – Foto: Reprodução

Em 1972, para comemorar os 50 anos da Semana de Arte Moderna – o célebre evento realizado em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal, em São Paulo, que transformou a arte no País -, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) promoveu uma grande exposição, intitulada A Semana de 22: Antecedentes e Consequências. Na época, o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP editou o catálogo Brasil, Primeiro Tempo Modernista, que, com mais de 800 páginas, reunia textos relacionados àquela exposição, incluindo ensaios de jovens pesquisadores, artigos de jornais, fotografias e até o catálogo da mostra.

Anúncio de uma das sessões da Semana de Arte Moderna de 1922 – Foto: Reprodução

Essa publicação e as pesquisas geradas a partir dela vão ser o centro das atenções nesta semana num evento promovido pelo IEB. Na sexta-feira, dia 18, às 16 horas, o seminário virtual Brasil, Primeiro Tempo Modernista vai reunir especialistas para discutir as pesquisas sobre o Modernismo na época dos 50 anos da Semana de Arte Moderna e seus desdobramentos até hoje. O seminário – que faz parte da série de eventos virtuais do IEB denominada IEBnário – é grátis e será transmitido através da página do IEB no Facebook.

Capa do livro O Coro dos Contrários, de José Miguel Wisnik, obra fundamental sobre o Modernismo e a música- Foto: Reprodução

Entre os participantes do encontro estão a Professora Emérita do IEB Telê Ancona Lopez, o professor José Miguel Wisnik, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, e o professor Carlos Augusto Calil, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), também da USP, além das professoras Diana Vidal e Flávia Toni, respectivamente diretora e vice-diretora do IEB.

A organizadora do seminário desta sexta-feira, a professora Flávia Toni destaca a importância do catálogo publicado pelo IEB em 1972. “Quando consultamos esse material, verificamos que houve naquela época uma pesquisa marcada por uma análise inédita sobre a Semana de Arte Moderna”, afirma. Além disso, diz a professora, há outros aspectos que fazem com que aquela investigação sobre a Semana de Arte Moderna, feita nos anos 70, seja lembrada sempre – entre eles, a forma como foi organizada. “Ela reuniu jovens pesquisadores que estavam no início da vida acadêmica, marcando a carreira de todos eles”, destaca, citando como exemplos professores que estarão no seminário – Telê, Wisnik e Calil -, além das pesquisadoras Marta Rossetti Batista e Yone Soares de Lima. “Imediatamente após aquele esforço coletivo de pesquisa, todos contribuíram de maneira impressionante para o estudo do Modernismo”, ressalta Flávia.

O professor José Miguel Wisnik publicou, em 1977, o livro O Coro dos Contrários – A Música Em Torno da Semana de 22, que, segundo a professora Flávia, é “um divisor de águas do estudo sobre o Modernismo e música, sobre a Semana de Arte Moderna e sobre a obra de Villa-Lobos apresentada durante a Semana de 22, além de um estudo formidável sobre Mário de Andrade como musicólogo”. Já o professor Carlos Augusto Calil “durante muito tempo trabalhou em torno das circunstâncias que fazem com que esse pensamento alimente novos trabalhos”. Para Flávia, a colaboração de Calil é fundamental para entender, por exemplo, como o poeta francês Blaise Cendrars (1887-1961) se aproximou do Brasil no início da década de 1920. “O professor Calil também fez a filmagem da grande exposição de 1972, no Masp. No filme, é possível ver como a mostra foi concebida”, informa, acrescentando que a exposição, no formato de painéis, viajou para a França e Portugal. “São desdobramentos que permitem olharmos agora para a celebração que se fazia naquele momento.”

Flávia chama a atenção também para a dedicação da professora Telê Ancona Lopez, que, com as professoras Marta Rossetti e Yone Soares de Lima, deram andamento a diversas pesquisas no IEB que se desdobram até hoje. “A professora Telê trabalhou, sobretudo, em torno da literatura de Mário de Andrade, e Marta, ao lado de Yone, deu andamento ao trabalho acerca do acervo pictórico, ou seja, toda a coleção de artes visuais de Mário de Andrade”, destaca.

Mário de Andrade – Foto: Reprodução

Não se pode esquecer, diz Flávia, que, assim como esse primeiro grupo de estudiosos, há outros pesquisadores com relevantes trabalhos relacionados à Semana de 22, como as pesquisas da historiadora e crítica de arte Aracy Amaral sobre artes plásticas. A professora ainda observa que os debates e estudos realizados nos anos 70 estavam ancorados principalmente no acervo de Mário de Andrade guardado desde 1968 no IEB, “sem dúvida nenhuma a coleção mais importante sobre o Modernismo Brasileiro que temos na USP”.

O seminário virtual Brasil, Primeiro Tempo Modernista acontece nesta sexta-feira, dia 18, das 16 às 18 horas, com transmissão ao vivo pelo página do IEB no Facebook. O evento é gratuito e sem necessidade de inscrição. Mais informações neste link

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