Evento na USP promove reflexões sobre a pandemia

Nos dias 13 e 14 de setembro, “Poéticas do Confinamento” vai misturar arte, literatura e psicologia

 12/08/2021 - Publicado há 4 meses  Atualizado: 17/08/2021 as 11:00
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Evento ocorre nos dias 13 e 14 de setembro – Foto: Divulgação/IP-USP

 

Durante a pandemia, parte da sociedade brasileira ficou isolada socialmente e sentiu que essa situação mudou a percepção do tempo, como se o presente fosse imóvel e como se não houvesse previsão sobre o futuro. A imaginação literária, as artes cinematográficas e a psicologia são áreas que se relacionam nesse contexto, já que podem ser uma forma de “escape” da realidade e até mesmo provocar mudanças de hábitos. Essas reflexões sobre o isolamento social e seus impactos serão debatidas no evento Poéticas do Confinamento – Literatura, Cinema, Psicologia, que acontece nos dias 13 e 14 de setembro.

O evento será promovido pela área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e pelo Laboratório de Pesquisas e Intervenções Psicanalíticas (Psia) do Instituto de Psicologia da USP. A parceria busca “pensar a partir dessa situação de pandemia as decorrências de isolamento, restrições, angústias que o mundo tem vivido nesse último ano e meio”, explica o professor Renato Tardivo, do Instituto de Psicologia da USP, coordenador do evento. Ele conta que o evento vai oferecer reflexões sobre como encontrar alternativas que apontem para a resistência em relação à forma como a humanidade tem lidado com o planeta e com as pessoas. Além disso, é possível que o evento possa oferecer pensamentos diferentes que possam promover saúde mental, acrescenta Tardivo.

“A literatura, o cinema e a psicologia serão abordados dentro da psicanálise e da psicologia analítica, que envolve a obra do psicanalista Carl Jung”, ressalta o professor. Ele acredita que sejam áreas conectadas umas com as outras, numa perspectiva interdisciplinar, que podem favorecer alternativas criativas, poéticas ou até mesmo políticas de resistência. Essas áreas estarão ligadas de formas distintas em quatro mesas de debate.

No dia 13 de setembro, às 14 horas, a primeira mesa terá a presença da psicanalista e doutora pelo Instituto de Psicologia da USP Noemi Moritz Kon, que abordará o tema Sobre resistência e esperança. O debate será composto também pelo coordenador do Psia, professor Daniel Kupermann, que falará sobre Psicanálise da vida covidiana. Patrícia Mafra de Amorim, psicóloga, psicanalista e doutora em Psicologia Clínica pela USP, será a mediadora da mesa.

Em seguida, às 16h, a mesa 2 terá debate entre Yudith Rosenbaum, professora da área de Literatura Brasileira da FFLCH, e Liliana Liviano Wahba, pesquisadora do Núcleo de Estudos Junguianos. Rosenbaum vai discutir Arte e hábito: leitura da crônica “Medo da Libertação“, de Clarice Lispector, enquanto Wahba irá expor o tema A literatura fantástica e o assalto das sombras. A mediação da mesa 2 ficará por conta de Mário Lugarinho, professor da área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da FFLCH.

A mesa 3 será no dia 14 de setembro, às 14 horas. O tema O traumático e a criação: reflexões a partir do documentário “Sobreviventes” (2009) será desenvolvido por Miriam Chnaiderman, psicanalista, cineasta, professora do Departamento de Psicanálise do Sedes Sapientiae e doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A mesa 3 terá a presença de Victor Palomo, doutor em Letras pela FFLCH e também coordenador do evento, e Letícia Mei, doutora em Letras pela  FFLCH-USP. Palomo e Letícia irão tratar de O coração confinado: uma leitura do poema “Sobre isto”, de Vladimir Maiakóvski. Emerson Inácio, também professor da área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da FFLCH, será o mediador da mesa.

Logo depois, às 16 horas, a última mesa, mesa 4, terá o tema A violência do desaparecimento como liberdade alternativa, apresentado por Nara Vidal, escritora, editora da Capitolina Revista e autora de Sorte (2018). Já a temática Dos deveres insistentes do confinamento será tratada por Julián Fuks, escritor, crítico literário, autor de A resistência (2015). Renato Tardivo irá mediar a mesa.

Para Tardivo, as reflexões que o evento propõe vão nesta linha: o confinamento da mente e do corpo do indivíduo, o confinamento que diz respeito, num primeiro momento, à situação de isolamento social que as pessoas adotaram em nome da saúde. “Ao mesmo tempo, a partir dessa condição primeira, a ideia do evento é pensar sobre quais outros confinamentos essa situação de isolamento social pode promover ao longo do tempo”, afirma.

O evento Poéticas do Confinamento – Literatura, Cinema, Psicologia será realizado nos dias 13 e 14 de setembro. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail evento.poeticas@gmail.com. Na inscrição será fornecido o link de acesso ao evento.

A programação do evento – Imagem: Divulgação/IP-USP


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