Evento na USP celebra 150 anos de “O Capital”, de Karl Marx

Nesta quinta-feira, dia 31, especialistas falam sobre a difusão da obra de Marx na Europa e na América Latina

Por - Editorias: Cultura
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Exemplar da primeira edição de O Capital, de Marx, no museu Deutsches Historisches, em Berlim, na Alemanha – Foto: Wikimedia Commons

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Das Kapital (O Capital) – obra máxima de Karl Marx (1818-1883), que inspirou movimentos revolucionários ao longo do século 20 – completa 150 anos de publicação. Para comemorar a data, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP promove, nesta quinta-feira, dia 31, às 19h30, o Colóquio Internacional Das Kapital, 150 Anos. O evento traz estudiosos dedicados à edição da obra completa de Marx e Engels e à fortuna editorial de O Capital na América Latina. O evento tem a coordenação do professor Jorge Grespan e tradução de Claudia Dornbusch, ambos da FFLCH.

O Capital, livro 1, capa da primeira edição, de 1867 – Foto: Zentralbibliothek Zürich / Domínio Público via Wikimedia Commons

Rolf Hecker, doutor pela Universidade de Moscou, fala sobre a edição e a difusão do livro de Marx na Europa. Carl-Erich Vollgraf, doutor pela Universidade de Leipzig, apresenta a MEGA (Marx-Engels Gesamtausgabe), coleção das obras completas de Marx e Friedrich Engels (1820-1895). Hecker e Vollgraf fizeram parte do grupo de trabalho da MEGA e continuam atuando na decifração e edição dos manuscritos de Marx e Engels.

O panorama da recepção de O Capital na América Latina é tema da fala de Horacio Tarcus, doutor pela Universidad Nacional de La Plata, fundador e diretor do Centro de Documentación e Investigación de la Cultura de Izquierdas en la Argentina (CeDInCI), o maior centro de documentação histórica das esquerdas latino-americanas.

A abertura do evento fica a cargo da diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda, do chefe do Departamento de História (DH), Osvaldo Coggiola, e do coordenador do Programa de Pós-Graduação em História Econômica, Everaldo Andrade.

“Há uma tendência, hoje, de partir de O Capital para compreender as mutações desse capital nos séculos 20 e 21”, reflete a coordenadora do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nele) da USP, professora Marisa Midori Deaecto. “O interesse é fazer a revisão do pensamento econômico da mesma forma que Marx fizera com a economia política desde o final do século 18, como vinha se apresentando com Adam Smith e David Ricardo.”

Professora Marisa Midori Deaecto – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Para Marisa, a obra ainda hoje desperta interesse não apenas para marxistas ou marxianos, mas para economistas em geral. Segundo a professora, a partir da leitura da obra de Marx é possível tentar “entender as incongruências ou falhas vindas desde a crise de 1929 e a própria falência do estado de bem-estar social”.

Ao lado desse interesse, destaca, há também a produção de livros, artigos e ensaios sobre a obra de Marx, alimentada por iniciativas como do grupo da MEGA. “Há um trabalho de fundo sobre os manuscritos”, afirma, “para o estabelecimento de edições críticas, não só sobre O Capital, mas sobre textos marginais que dão subsídios para a obra.”

Karl Marx (1818-1883) – Foto: John Jabez Edwin Mayall / Domínio Público via Wikimedia Commons

Em artigo escrito em parceria com o professor da FFLCH Lincoln Secco – publicado no Jornal da USP -, Marisa conta que O Capital foi publicado pela primeira vez em Hamburgo, em 1867, com uma tiragem de mil exemplares. Recebeu uma segunda edição em fascículos, revisada pelo autor, entre junho de 1872 e 1873. Uma edição póstuma foi publicada por Engels em 1883, com acréscimos e correções a partir de notas manuscritas de Marx e de edições anteriores em alemão e francês. A edição “definitiva”, que norteou novos estudos e traduções ao longo do século 20, veio em 1890. Leia a íntegra do artigo de Marisa Midori Deaecto e de Lincoln Secco aqui.

O Capital é divido em quatro livros, embora apenas o primeiro tenha sido editado com Marx ainda vivo. Os livros 2 e 3 foram publicados por Engels em 1885 e 1894 e o livro 4, em 1905, pelo filósofo, jornalista e teórico marxista Karl Kautsky (1854-1938).

“É importantíssimo pensar nos 150 anos de forma crítica”, pondera Marisa, “e entender o gênio criador de Marx que, no seu tempo, já conseguiu revelar uma série de contradições que ainda hoje estão vivas”.
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Cartaz do Colóquio Internacional Das Kapital, 150 Anos – Foto: Divulgação

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O Colóquio Internacional Das Kapital, 150 Anos acontece nesta quinta-feira, dia 31 de agosto, às 19h30, no Auditório Nicolau Sevcenko da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP (Avenida Professor Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, em São Paulo). A promoção é do Programa de Pós-Graduação em História Econômica da FFLCH, com apoio do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nele) da USP e da Fundação Rosa Luxemburgo. Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-3786.

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