Evento na USP aborda a cena musical carioca na Primeira República

Encontro acontece no dia 25 de junho, segunda-feira, às 14 horas, no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB)

Por - Editorias: Cultura
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Rio de Janeiro durante a Belle Époque – Foto: Cedida pela pesquisadora / Mônica Vermes

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A sala 12 do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP recebe nesta segunda-feira, dia 25 de junho, o seminário
Músicas e Músicos do Rio de Janeiro na Primeira República, apresentado pela professora Mônica Vermes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O evento ocorre das 14 às 17 horas. 

A revista Fon-Fon, que no início do século 20 divulgava eventos musicais no Rio de Janeiro – Imagem: Cedida pela pesquisadora / Mônica Vermes (Clique na imagem para ampliar)

O seminário pretende discutir o complexo cenário musical em que se encontrava o Rio de Janeiro na virada para o século 20, que tinha desde peças musicais até óperas eruditas espalhadas pelos clubes e teatros da cidade. Mônica conta que sua apresentação é baseada em dois textos principais, que abordam temas como a relação da música popular com a erudita e “a invisibilidade de boa parte dos agentes que se dedicaram à música durante a Primeira República”.

O interesse pela pesquisa musicológica surgiu quando a professora ainda estava na faculdade, estudando para ser pianista. ”No trabalho com o piano, eu comecei a ter curiosidade pelo repertório musical brasileiro, por compositores menos conhecidos.” O cearense Alberto Nepomuceno, que fez boa parte de sua carreira no Rio de Janeiro, foi quem mais chamou sua atenção. ”A partir da atividade dele é que eu comecei a me interessar pelo meio musical carioca de maneira mais geral, que de certa maneira serviu de referência para todo o País.”

Sobre o recorte temporal, Mônica explica que a Primeira República é um período muito singular. “Essa época acaba ficando um pouco comprimida entre dois momentos que são referências fortes na música brasileira: o Romantismo e o Modernismo.” Assim, em um fenômeno semelhante ao que ocorreu na literatura, os compositores que não se enquadram exatamente em nenhum desses dois momentos recebem o selo de pré-modernistas. O foco da pesquisa, segundo a professora, é entender esse período como tendo uma identidade própria. “Esses fatores fazem com que essa cena seja muito rica, muito interessante, e ainda sim pouco compreendida.”

Edição da extinta revista Fon-Fon divulga eventos musicais da época – Imagem: Cedida pela pesquisadora / Mônica Vermes (Clique na imagem para ampliar)

Em meio à Belle Époque, e logo após a abolição da escravidão, a cidade do Rio de Janeiro apresentava diversas incongruências sociais. Diferentemente do que se pode pensar, os famosos teatros musicais da época não eram exatamente exclusivos das elites, existindo uma relação cheia de nuances entre a cultura erudita e a popular. ”Vemos, por exemplo, espetáculos teatrais com uma série de números musicais. Os que faziam sucesso começavam a circular através de partituras e acabavam em desfiles de rua de carnaval e nos realejos”, conta ela.

O seminário faz parte do quarto encontro do grupo Música e Ciências Humanas do Laboratório Interdisciplinar do IEB (Labieb), formado por pós-doutorandos e pesquisadores. O objetivo é criar discussões com autores que escrevem e relacionam essas duas áreas do conhecimento.

O seminário Músicas e Músicos do Rio de Janeiro na Primeira República ocorre no dia 25 de junho, das 14 às 17 horas, no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP (Avenida Professor Luciano Gualberto, 78, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis. Não é preciso fazer inscrição prévia. Mais informações estão disponíveis no site do evento.
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