Evandro Carlos Jardim observa a gravura na arte contemporânea

No dia 4 de setembro, o professor da USP participa do evento “O MAC Encontra os Artistas”

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Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Evandro Carlos Jardim é artista e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP – Fotos: Marcos Santos/USP Imagens

Desde que fez a sua primeira gravura, em 1955, o então estudante da Faculdade de Belas Artes Evandro Carlos Jardim foi gravando e imprimindo uma paisagem atrás da outra. São imagens da cidade de São Paulo, onde nasceu, mora e trabalha, do cotidiano, de lugares e pessoas que ele vai gravando, primeiro no olhar, no gesto. Depois, na trama, na cor, na luz.

Hoje, aos 83 anos, o artista e professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP já perdeu a conta das gravuras que criou. Infinitas como a sua própria arte, que tem também a história de alunos, gravadores, jovens e artistas que estão pelos caminhos diversos da arte contemporânea brasileira.

Na próxima terça-feira, dia 4 de setembro, às 19 horas, Evandro Carlos Jardim vai participar do evento O MAC Encontra os Artistas. Vai apresentar 35 gravuras que integram o acervo do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. Uma conversa que tem a curadoria da professora Cristina Freire, do MAC.

Jardim é um dos dez artistas convidados para o evento. Os encontros acontecem na primeira terça-feira do mês letivo e estão abertos, gratuitamente, para estudantes, pesquisadores, professores, artistas e todos os interessados, que não precisam fazer inscrição prévia. A programação começou com Giselle Beiguelman e Regina Silveira e também estão previstos encontros com Celina Yamauchi, no dia 2 de outubro, e Caciporé Torres, em 6 de novembro.

“A gravura é uma das primeiras manifestações humanas de comunicar algo, de reter e passar o acontecido.”

Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Prensa e ateliê. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Prensa e ateliê. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Reg. 269-18 Evandro Carlos Jardim. Escola de Comunicações e Artes (ECA). 2018/08/30 Foto: Marcos Santos/USP Imagens

No ateliê de Evandro Carlos Jardim, há a parceria do artista com a luz do sol – Fotos: Marcos Santos/USP Imagens

Na manhã do dia 30 de agosto passado, Evandro Carlos Jardim conversou com o Jornal da USP. Em seu ateliê, na Granja Julieta, uma bancada de peroba traz as marcas da trajetória do artista. “O professor Pietro Maria Bardi, quando me visitava, ficava admirado com esta bancada”, conta. Nela estão as marcas das ferramentas e das impressões de um trabalho diário. Fica diante de uma grande janela. O sol entra e vai distribuindo a luz sobre os sulcos e incontáveis linhas na madeira, sugerindo a paisagem do tempo.

Foi Jardim quem desenhou o seu próprio ateliê. Transformou uma velha garagem em um lugar para conversar com os alunos, trabalhar e estudar. O espaço é uma gravura feita com paredes de tijolos à vista, assoalho de madeira e grandes janelas de vidro. Há um corte em “L” no desenho que fez para preservar uma árvore, pau-brasil, trepadeiras e outras plantas que crescem espontaneamente. Enquanto trabalha, o artista observa o jardim, onde pássaros e gatos convivem harmoniosamente. “A arte nos convida a um projeto estético de vida e a perceber o seu entorno através dos sentidos”, observa.

Jardim lembra que a origem da arte está na história da gravura. “É uma das primeiras manifestações humanas de comunicar algo, de reter e passar o acontecido. E isso aconteceu no corte, na pedra dura, nos ossos.” Na conversa com o público no MAC, Jardim vai refletir sobre o percurso da gravura. “O que ela representa no contexto da arte contemporânea?”, questiona. “Importante destacar que a gravura se manifestou em todas as áreas do conhecimento. E a sua substância foi sendo reformulada ao longo do tempo.”

“Uma obra de arte é algo absolutamente livre no tempo e no espaço. Não podemos ficar presos às tendências.”

No MAC, Jardim vai abordar a gravura contemporânea e sua presença no mundo digital. “A gravura, na sua natureza interior, não sofre mudanças, ela só continua sendo visitada pelas reformulações de cada época, que não invalidam o seu princípio. A sua substância está aberta.”

O professor considera essencial refletir sobre as reformulações de cada tempo, evitando julgamentos e equívocos. “Creio que não podemos ser radicais. Uma obra de arte é algo absolutamente livre no tempo e no espaço. Não podemos ficar presos às tendências. A arte é uma manifestação externa de uma necessidade interior.”

O professor ressalta que, para entender arte, é preciso se aproximar das questões do ser humano, do fazer humano de diferentes maneiras. “Quando vemos uma gravura de Rembrandt, vemos através das nossas experiências, tempo, histórias”, afirma. Com essa postura, o professor incentiva os seus alunos e os jovens artistas na dimensão infinita da arte. “Eu nunca critico, eles devem estar livres em seu processo criativo. O horizonte da arte é infinito. E a arte é tentativa. E o espectador se aproxima se quiser, se achar que essa experiência pode penetrar o seu espírito”, observa. “A crítica de arte pode propor critérios de aproximação e apreciação da obra. Mas não pode julgar.”


O evento O MAC Encontra os Artistas, com Evandro Carlos Jardim, acontece no dia 4 de setembro, terça-feira, às 19 horas, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP (Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera, em São Paulo). Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 2648-0254.

Atravessando duas vezes o mesmo rio, 2011 – Reprodução
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Tamanduateí Contraluz, 1980 - Reprodução
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Concha, 1991 - Reprodução
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Interlagos, 1964 - Reprodução
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Noite de Verão, 1961 - Reprodução
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Oficina, 1962-2013 - Reprodução
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Tamanduateí Contraluz, 1980-2003 - Reprodução
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Duas Figuras, 1977-96 - Reprodução
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Tamanduateí Contraluz, 1980 - Reprodução
Tamanduateí Contraluz, 1980 – Reprodução
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