Dossiê sobre Paulo Freire vai comemorar centenário do educador

Revista “Comunicação & Educação” recebe artigos de estudiosos da obra do autor de “Pedagogia do Oprimido”

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O educador Paulo Freire (1921-1997): a educação como diálogo, em que todos aprendem com todos – Foto Reprodução

 

Em comemoração ao centenário do educador pernambucano Paulo Freire (1921-1997) – que se completará no dia 19 de setembro deste ano -, a revista Comunicação & Educação, ligada ao Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, planeja publicar um dossiê sobre a obra do autor de Pedagogia do Oprimido. Para isso, ela está recebendo artigos de estudiosos de Paulo Freire, que poderão fazer parte do dossiê, a ser publicado no final do ano. Os interessados devem submeter seus textos à revista – através deste link – até 31 de maio.

O dossiê tem a coordenação de três professores: Ismar de Oliveira Soares, do Departamento de Comunicações e Artes da ECA, Pablo Nabarrete Bastos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Douglas Kellner, da Universidade da Califórnia (Ucla), nos Estados Unidos.

“Freire entendia a autêntica educação como um intenso diálogo, mediante o qual ninguém ensina ninguém e todos aprendem com todos”, afirma o professor Ismar Soares, explicando a importância do educador. Segundo Soares, o pensamento de Paulo Freire passou a ser um “divisor de águas” entre os tradicionais modelos de educação, baseados na imposição de padrões de conhecimentos e de comportamentos, e as visões construtivistas de formação humana, que valorizam o protagonismo dos sujeitos da educação – tanto o professor como o aluno. “Contudo, a polarização interessa ao momento histórico que estamos vivendo”, completa.

O pesquisador lembra a atuação de Freire como secretário de Educação do município de São Paulo, no governo da prefeita Luiza Erundina (1989-1993). “Ele deu início à introdução da informática nas escolas públicas da cidade, não sem antes advertir para o perigo do ‘cavalo de Troia’: caberia à educação apoderar-se das tecnologias para melhorar a comunicação de professores e alunos, e não a estas definir as regras do jogo para as práticas curriculares.”

O dossiê a ser publicado em Comunicação & Educação deverá ter artigos em português, espanhol e inglês – as línguas faladas na maioria dos países que hospedam os 19 Institutos Paulo Freire existentes nos cinco continentes atualmente. “A revista quer expor uma diversidade de vozes, no Brasil e no exterior, ao tratar do autor brasileiro mais traduzido em todo o mundo, com ideias de dimensão internacional”, afirma Soares, lembrando que Freire recebeu 35 títulos de Doutor Honoris Causa em 11 países da Europa e das três Américas. Uma vez aceito para publicação, o  artigo original em idioma estrangeiro será traduzido para o português, e será publicado nas duas versões. Só serão avaliadas as contribuições que respeitarem as normas e indicações de publicação da revista. 

Mais informações estão disponíveis na página da revista Comunicação & Educação.


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