Documentário aborda a vida e a obra de Maria Alice Vergueiro

Atriz, que morreu no dia 3 passado, aos 85 anos, foi tema de Trabalho de Conclusão de Curso na USP em 2012

Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=327295

Assista abaixo ao documentário Pela Desordem Natural das Coisas, sobre a atriz Maria Alice Vergueiro, produzido por Maria Clara Matos.

A vida e obra da atriz Maria Alice Vergueiro, que morreu no dia 3 passado, aos 85 anos, foram tema de um documentário apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP em 2012. Intitulado Pela Desordem Natural das Coisas, o documentário foi produzido pela então aluna do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA Maria Clara Matos. Com orientação do professor Renato Levi Pahim, tem a participação de Antonio Abujamra, Cacá Rosset, José Celso Martinez Corrêa, Luciano Chirolli, Luiz Galízia e Pascoal da Conceição. Assista ao documentário no link acima.

“Trabalho impactante e transformador “

Em nota divulgada no dia 3, o Departamento de Artes Cênicas da ECA lembrou que o trabalho da atriz como professora da Escola de Comunicações e Artes, no início dos anos 70, foi “impactante e transformador”. “Com a disciplina Teatro Aplicado à Educação, Maria Alice praticamente introduziu os alunos de Teatro da ECA nos estudos de licenciatura e nas então inovadoras práticas de ensino da pesquisadora norte-americana Viola Spolin”, destaca a nota. “Seu maior feito como professora universitária, contudo, foi estimular oficinas criativas em que, como uma atriz formada nos anos 60 no Teatro Oficina, engajava-se plenamente, ao lado dos alunos, nos processos de criação.”

Na nota, o Departamento de Artes Cênicas lamenta que a Universidade não estivesse preparada, na época, para práticas pedagógicas tão avançadas como as que Maria Alice propunha, o que resultou no desligamento da professora da ECA em 1974. “Mas aquelas iniciativas revolucionárias acabaram aproximando a atriz de dois de seus ex-alunos, Luiz Roberto Galizia (1953-1984) e Cacá Rosset, com quem fundou em 1977 o grupo Ornitorrinco, com um primeiro e antológico espetáculo chamado Os Mais Fortes, que reuniu três peças curtas de August Strindberg (1849-1912) e foi apresentado no porão do Teatro Oficina”, acrescenta a nota. “A encenação foi um marco na retomada do teatro experimental no País, depois do AI-5 (Ato Institucional número 5) e do endurecimento do regime militar, e deu continuidade à gloriosa carreira da atriz, sempre associada a jovens e inquietos artistas e participando de projetos estéticos inovadores e radicais.”

Paulistana, nascida em 1935 na tradicional família Campos Vergueiro, pentaneta do senador Vergueiro – um dos mais influentes políticos do período imperial do Brasil -, Maria Alice atuou em 31 peças de teatro, entre elas algumas das mais importantes apresentações da história do teatro brasileiro, como O Rei da Vela, de José Celso Martinez Corrêa, e Mahagony Songspiel, de Cacá Rosset. No cinema, participou de 30 produções. Em 2016, no 44º Festival de Cinema de Gramado, ganhou o Prêmio Especial do Júri, uma das mais de 40 honrarias nacionais e internacionais que recebeu. Foi também personagem em sete telenovelas, como Sassaricando (1987), Bebê a Bordo (1988), Brava Gente (2009), Tudo Que É Sólido Pode Derreter (2000) e Condomínio Jaqueline (2016).

 

 

.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.