Dissertação sobre capoeira e samba ganha o Prêmio Marta Rossetti

Trabalho investiga práticas negras na cidade de São Paulo entre o século 19 e meados do século 20

 04/08/2021 - Publicado há 4 meses
Desde o seu surgimento no Brasil, no século 19, até a primeira metade do século 20, a capoeira sofreu com políticas de segregação e repressão – Foto: Wikimedia Commons

 

Uma dissertação sobre práticas culturais negras em São Paulo na primeira metade do século 20, de autoria do pesquisador Filipe Amado, conquistou o primeiro lugar do Prêmio Marta Rossetti Batista de Dissertações, promovido pelo Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. O segundo lugar coube à dissertação do pesquisador Conrado Vivacqua Raymundo dos Santos, que aborda criticamente a obrigatoriedade no Brasil da formação universitária para a atuação na área de arquitetura. Os dois trabalhos foram orientados pelo professor Jaime Tadeu Oliva. Foi concedida Menção Honrosa à dissertação de Elisiane da Silva Quevedo, que, sob orientação do professor Marcos Antonio de Moraes, trata da caracterização dos personagens de sobrenome Caré na trilogia O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo. O resultado foi divulgado em 30 de julho passado.

Em sua dissertação, Amado mostra que a capoeira, assim como o samba, é uma cultura praticada por indivíduos que se relacionam intensamente com a cidade e suas transformações. Ao mesmo tempo em que, desde suas origens no Brasil, no século 19, faz parte das interações urbanas, também sofreu políticas de segregação e repressão até meados do século 20. “É a partir das dinâmicas urbanas do século 20 e das aproximações entre o samba e a capoeira que se forma a tiririca, uma manifestação negra paulista, que representa uma transformação sofrida pela capoeira, adquirindo ludicidade e musicalidade através da batucada e versos do samba”, escreve Amado. “A tiririca fez parte do cotidiano da cidade, sendo praticada em diversas regiões e se aproximando de instituições populares negras, como times de futebol de várzea e cordões carnavalescos.”

Bianual, o Prêmio Marta Rossetti Batista de Dissertações foi criado em 2008 pela família da professora e ex-diretora do IEB Marta Rossetti Batista (1940-2007), como uma homenagem póstuma à historiadora da arte e museóloga nascida em Limeira (SP). Neste ano, a comissão de seleção do prêmio foi composta pelas professoras Dulcilia Helena Schroeder Buitoni, Luciana Suarez Galvão e Walnice Nogueira Galvão.


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