Dança expressionista de Rudolf Laban é tema de exposição no MAC

Performances, apresentações de dança e obras inspiradas nas ideias do coreógrafo alemão são exibidas no Museu de Arte Contemporânea da USP até 10 de julho

Por - Editorias: Cultura
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Ocupação Vesica Piscis - Laban em fluxo - Foto: Divulgação/MAC-USP
Ocupação Vesica Piscis – Laban em fluxo – Foto: Divulgação/MAC-USP

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O Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC) da USP inicia o mês de junho com uma exposição que destaca o mundo da dança e o expressionismo do dançarino e coreógrafo alemão Rudolf Laban (1879-1958), um dos principais nomes da dança contemporânea, responsável por estudos pioneiros sobre o movimento do corpo humano. O trabalho do alemão será abordado através das pesquisas da húngara Maria Duschenes (1922-2014), a maior propagadora do trabalho de Laban no Brasil. A exposição foi idealizada pela bailarina, coreógrafa e pesquisadora de dança brasileira Maria Mommensohn, ex-aluna de Duschenes.

Ocupação Vesica Piscis - Laban em fluxo - Foto: Divulgação/MAC-USP
Exposição apresenta figuras em formato de icosaedro (polígono de 20 faces) – Foto: Divulgação/MAC-USP

A ocupação Vesica Piscis, gratuita, teve início no dia 28 de maio e vai até 10 de julho, apresentando exposições, fotos, vídeos, a Orquestra de Tigelas de Cristal e espetáculos de dança com bailarinos que dialogam com o método Laban. A ocupação conta com duas atrações principais: a Ocupação Laban em Fluxo – Espaço Imersivo e a Exposição Maria Duschenes.

A primeira é composta de diversas figuras em formato de icosaedro (polígono de 20 faces), que aparecem como representações da figura em que Laban se inspirou para estudar a geometria das proporções e a harmonia do corpo humano. O artista utilizava as formas geométricas para dar suporte aos movimentos realizados pelos dançarinos. O espaço ainda proporciona que o visitante o altere ao se integrar a ele, uma vez que é possível movimentar os objetos.

A segunda mostra, dedicada a Duschenes, conta com filmagens e fotografias que mostram a trajetória da artista húngara. Maria Duschenes estudou com Laban na Inglaterra, nos anos que precederam a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

 

Coreografias

Além disso, a exposição contará com cinco obras coreográficas que acontecerão a partir do dia 3 de junho. São elas: “Cristal”, de Ciane Fernandes, em que o visitante pode fazer parte da instalação-performance, criando padrões que podem ser explorados pelos performances do coletivo A-Feto e vice-versa; “Uma Baleia Encalhada na Praia”, de Andreia Yonashiro, Marion Hesser e Marcius Lindner, performance em que o corpo realiza uma manifestação orgânica, com uma mulher grávida diante de pedras, com linhas musicais que geram percepções especiais; “Vesica Piscis”, por Henrique Schuller e Maria Mommensohn, em que o objetivo é proporcionar uma experiência cinética em um espaço dinâmico, no qual o público se move e novos aspectos do próprio espaço vão vindo à tona; “Obra sem Título”, por Juliana Morais, uma performance de meia hora, em que serão divulgados os primeiros resultados de uma pesquisa em andamento sobre coreologia (especialização dos estudos da dança, relacionada ao registro da coreografia por escrito, em forma de partituras); e, finalmente, “Cebola”, de Márcia Milhazes, que será interpretada por um casal em busca da natureza humana através dos gestos.

Ocupação Vesica Piscis - Laban em fluxo - Foto: Divulgação/MAC-USP
Ocupação Vesica Piscis – Laban em fluxo – Foto: Divulgação/MAC-USP

 

Cebola: peça para um duo de intérpretes - Foto: Divulgação/MAC-USP
Cebola: peça para um duo de intérpretes – Foto: Divulgação/MAC-USP

 

 

Movimentos

Rudolf Laban - Foto: Wikimedia Commons
O coreógrafo Rudolf Laban – Foto: Wikimedia Commons

As teorias de Laban – que buscava compreender os conflitos entre o corpo e a mente – contribuíram significativamente para as bases das abordagens contemporâneas da dança. Um dos pilares do expressionismo alemão na dança, ele foi o responsável pela criação do chamado labanotation, um método de notação dos movimentos que sistematiza as coreografias e lhes atribui memórias. Também foi o responsável pela criação da dança coral, uma modalidade em que um grupo de pessoas realiza uma coreografia de gestos simples, o que permite que dançarinos profissionais e pessoas leigas dancem juntas e de maneira colaborativa.

Grande parte dos trabalhos desenvolvidos por Laban aborda os elementos que constituem os movimentos e como eles são utilizados, enfocando as razões psíquicas e fisiológicas que levam os seres humanos a se movimentar. Ele considerava a forma como cada indivíduo se movimenta como expressão de sua personalidade.

Companheira de estudos de Laban, Maria Duschenes, nascida em Budapeste, veio ao Brasil em 1940 e aqui difundiu o método Laban. Em São Paulo, após ser acometida por uma poliomielite, dedicou-se à coreografia e ao ensino de dança, introduzindo a dança educativa moderna em suas aulas.

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MAC Ibirapuera - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
MAC Ibirapuera – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A ocupação Vesica Piscis está em cartaz até 10 de julho, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP (avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera, em São Paulo). Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas na página eletrônica do MAC (www.mac.usp.br).

 

 

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