Exposição na USP aborda o desejo humano por plenitude

“Paraíso Paradoxal: Visões do Humano na Escultura em Cerâmica” está na Cidade Universitária até 16 de maio

Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=243178
O recorrente uso de pernas e pés questiona o dualismo corpo e mente ─ Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A procura por felicidade. Essa ambição de atingir uma condição plena de realização, que move os seres humanos tanto na esfera individual quanto na coletiva, é uma discussão subjetiva e recorrente em reflexões nas ciências humanas. Para dar concretude a essa temática, a artista plástica Elaine Nunes elaborou sua tese de doutorado em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, que deu origem à exposição Paraíso Paradoxal: Visões do Humano na Escultura em Cerâmica. A mostra fica em cartaz até 16 de maio, das 10 às 20 horas, no Espaço das Artes da ECA, na Cidade Universitária, em São Paulo. A entrada é grátis.

“Basicamente, esse ‘paraíso paradoxal’ são visões do humano. Elas envolvem aspectos do indivíduo, do coletivo, da relação com o mundo externo, e contêm essa ideia fundamental de felicidade e sentido da vida, de se ver realizado como um ser pleno”, conta Elaine..

Obras da artista plástica Elaine Nunes expostas em Paraíso Paradoxal, no Espaço das Artes ─ Foto: Marcos Santos / USP Imagens

.
O trabalho original conta com 60 obras, discriminadas em 15 séries diferentes. Para a mostra no Espaço das Artes, Elaine selecionou 50 obras e resolveu colocá-las todas juntas, no mesmo espaço, numa longa mesa com iluminação interna. A inspiração, conta ela, partiu do quadro
Jardim das Delícias Terrenas, do pintor holandês Hieronymus Bosch (1450-1516), pintado no início do século 16.

“O painel central do quadro ainda provoca muitas interpretações. Isso pelo fato de ele conter uma grande liberdade de elementos dispostos juntos. Você vê uma efervescência humana que transpassa esse desejo por plenitude que abordo na exposição”, diz Elaine.

Ela ressalta que uma diferenciação com a ideia proposta por Bosch é a forma como essa liberdade se dá. A mistura das obras na exposição possui um certo caos, que não se encontra tanto na confusão harmônica que se vê no quadro.

Algo que chama a atenção na exposição é o frequente uso de pernas e pés, copos e cálices nas esculturas. Elaine afirma que sua intenção ao utilizar pernas e pés foi colocá-los no mesmo plano do pensamento. Geralmente vistos apenas como motores, os membros são postos como centro de controle do corpo. Um questionamento sobre o dualismo corpo e mente.

Já os copos e cálices representam a celebração do aparente alcance da plenitude, mas que não se concretiza. “São representações que simbolizam o prazer, o prazer da bebida, em que você pode se deixar ser tomado totalmente, mas que não é pleno e completo. Existem diversas coisas prazerosas ao nosso redor, mas, a meu ver, não alcançamos a plenitude, tanto pessoal como coletiva”, complementa Elaine.

“Esta mostra é a visão de mundo de um artista, é como eu enxergo o ser humano, como eu enxergo o mundo, e como eu me vejo e vejo as pessoas à minha volta”, conclui a artista.

A exposição Paraíso Paradoxal: Visões do Humano na Escultura em Cerâmica fica aberta até 16 de maio, de segunda a sexta-feira, das 10 às 20 horas, no Espaço das Artes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Rua da Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis.

Obras expostas em Paraíso Paradoxal

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Fotos: Arquivo Pessoal - Elaine Nunes / Reprodução
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Fotos: Arquivo Pessoal - Elaine Nunes / Reprodução
Fotos: Arquivo Pessoal - Elaine Nunes / Reprodução

 

Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.