Concerto de Natal da Reitoria acontece nesta sexta-feira

Espetáculo vai reunir a Orquestra Sinfônica da USP e a Orquestra de Câmara, também da USP

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Na USP, o fim do ano é marcado pelo Concerto de Natal da Reitoria. Já um evento tradicional na Universidade, o diferencial em 2019 é que, desta vez, a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) e a Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP estarão juntas no palco do auditório do Centro de Difusão Internacional (CDI) da USP, na Cidade Universitária, nesta sexta-feira, 13 de dezembro, às 12h30. 

A apresentação vai começar com a obra Adeste Fideles, um dos hinos de Natal mais tocados em todo o mundo, que tem uma origem não muito certa. A teoria mais aceita é que foi composta por volta de 1640 pelo inglês John Francis Wade. No concerto da Reitoria ela será interpretada pelo tenor Jean William, que estudou Canto e Arte Lírica na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. O cantor teve como um dos ápices de sua carreira o ano de 2013, quando cantou para o papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro.

De acordo com a vice-diretora, da Osusp, Mayra Moraes, o repertório normalmente é escolhido pelo maestro da vez, mas, dada a quantidade de pessoas envolvidas nesse processo, as músicas foram selecionadas pelos maestros e diretores dos dois grupos, em um esforço coletivo. “É um repertório muito bonito, para que as pessoas possam ir para 2020 de alma lavada”, conta ela.

O maestro Gil Jardim, diretor artístico e regente titular da Orquestra de Câmara (Ocam) da USP – Foto: Marcelo Macauê

A segunda música do concerto será a clássica Noite Feliz, de 1818, com letra escrita pelo padre Joseph Mohr e a melodia feita por Franz Xaver Gruber, na Áustria. Traduzida para mais de 45 línguas, a canção foi considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2011.

A última obra que compõe o repertório do Concerto de Natal da Reitoria é Quadros de uma Exposição (1874), do russo Modest Mussorgsky. “Ele fazia parte do chamado Grupo dos Cinco, compositores russos que, no século 19, procuravam fazer uma música nacionalista e criaram uma escola com essas ideias”, afirma o diretor artístico e regente titular da Ocam, maestro Gil Jardim. De acordo com ele, a obra só ficou realmente conhecida depois da orquestração de Maurice Ravel.

Concerto na Sala São Paulo

Depois do evento na Cidade Universitária, a Osusp e a Ocam apresentam concerto na Sala São Paulo neste sábado, dia 14, às 21 horas. Nessa apresentação, o repertório começará com Pavane Op. 50 (1887), do francês Gabriel Fauré. “A obra foi escrita para uma condessa e a letra é como se fosse uma paquera entre os dois”, confidencia Jardim. 

Ainda segundo o maestro, Fauré costuma ter um estilo quase sacro em suas obras, como na segunda composição do repertório, Cantique de Jean Racine Op. 11 (1865), também de Fauré. “Ele leva essa atmosfera para a Pavane, mas surpreende o público com essa letra.”

A apresentação prosseguirá com Danças Polovitzianas, parte da ópera Príncipe Igor (1887), do russo Aleksandr Borodin. Esse compositor também fez parte do Grupo dos Cinco, mas antes disso foi químico e deu aulas na Academia Militar de São Petersburgo, onde defendia que as mulheres também deveriam ter o direito de estudar medicina. 

Para Jardim, a troca de conhecimentos entre os profissionais da Osusp e os estudantes da Ocam, que eventos como o Concerto de Natal da Reitoria e a apresentação na Sala São Paulo proporcionam, é de extrema importância e representa “uma das experiências mais legais” que um jovem músico pode ter. Mais necessário ainda, na visão dele, é a “vocação civilizatória” das orquestras “Nós temos um ambiente de convivência muito saudável, abraçando as diversidades com muita consciência e carinho”, diz, referind0-se especialmente à Ocam.

O Concerto de Natal da Reitoria acontece nesta sexta-feira, dia 13, às 12h30, no auditório do Centro de Difusão Internacional (CDI) da USP (Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 310, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis.

O concerto da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) e da Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP acontece neste sábado, dia 14, às 21 horas, na Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, Luz, em São Paulo). Ingressos a partir de R$ 15,00.

 

Orquestra de Câmara da USP lança dois CDs

Os novos CDs da Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

A Ocam acaba de lançar dois CDs, intitulados Sons sobre Tons e Segredos de Vera Cruz: Música Popular Brasileira para Gaita e Orquestra.

Da parceria entre o maestro Gil Jardim e o gaitista italiano Gianluca Littera surgiu o CD Segredos de Vera Cruz. Ele traz reinterpretações de clássicos da MPB para orquestra, como Flor de Lis, de Djavan, Beatriz, de Edu Lobo e Chico Buarque, e As Rosas Não Falam, de Cartola. O CD segue uma das principais diretrizes da Ocam, como diz Jardim: praticar uma programação aberta e eclética, sem perder de vista o repertório da música clássica histórica. 

Esse encontro entre os músicos aconteceu quando Jardim foi convidado pelo maestro John Neschling a dirigir dois concertos de música de câmara da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), tendo Littera como solista na gaita. Realizadas em 2004, as apresentações foram um grande sucesso, o que fez com que a colaboração e a amizade entre eles gerasse outros frutos.

Sons Sobre Tons inclui obras de compositores contemporâneos da cena musical paulista, entre eles Alexandre Lunsqui, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Valéria Bonafé, presentes na primeira parte do disco, gravada em 2016. Já a segunda parte foi gravada em 2019 e conta com trabalhos dos compositores Paulina Luciuk, Yugo Sano Mani e Wellington Gonçalves. Os três venceram o Concurso Tomie Ohtake, feito em parceria com o instituto de mesmo nome. A regência tem Gil Jardim como principal responsável, mas Filipe Fonseca e Enrico Ruggieri também atuam como regentes.  

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