Coleção Reserva Literária amplia seu alcance

Série de livros da Editora da USP e da Com-Arte tira do esquecimento preciosidades da literatura brasileira

Por - Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=224434
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A Coleção Reserva Literária, da Editora da USP (Edusp) e da Com-Arte – Foto: Reprodução

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Desde 2011, uma das melhores iniciativas em literatura brasileira é a Coleção Reserva Literária, que já conta com seis títulos e foi e é pensada pelo professor José de Paula Ramos Jr., da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Patrocinada pela Editora Com-Arte, em coedição com a Editora da USP (Edusp), sua clara intenção é levantar o chamado “lado B” da literatura brasileira, tirando obras e escritores do esquecimento. A coleção teve seu início com a publicação de Contos Cariocas, de Artur  de Azevedo (1855-1908), e no final de 2018 foi lançado o primeiro livro de contos de Mário de Andrade (1893-1945),  1º Andar, que veio à luz em 1926. Badu (1932), de Arnaldo Tabayá, próximo volume da coleção, já está pronto e a Edusp apenas aguarda a liberação da verba para imprimi-lo.

A Com-Arte, uma invenção do “livrista” professor Plinio Martins Filho, é a editora dos alunos do curso de graduação em Editoração do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA.

A coleção é resultado do cruzamento de duas disciplinas obrigatórias do curso de Editoração, ambas lecionadas por De Paula: Introdução à Ecdótica e Laboratório de Produção Editorial. A ecdótica, explica De Paula, é “a ciência, técnica e arte de estabelecer criticamente textos literários ou não e prepará-los para publicação, ou seja, cuidar de sua apresentação material de modo a favorecer sua inteligibilidade, leiturabilidade e legibilidade”.

“O propósito dessas duas disciplinas da graduação é levar o aluno a trabalhar, na prática, com a edição e publicação de livros”, acrescenta De Paula. E observa que a escolha dos títulos se dá a partir da consulta a pesquisadores e bibliófilos, entre outros, e deve levar em conta os seguintes requisitos: “A obra deve ser de domínio público, ou seja, ter recebido apenas uma, ou última edição que já esteja fora do mercado, além de apresentar interesses artístico e cultural permanentes”, diz ele.

Ambas as disciplinas têm duração de um semestre e o estudante é levado a participar de todas as etapas da produção dos livros, “menos a escolha da obra”, preparados para a publicação segundo o Manual de Editoração e Estilo, de Plinio Martins Filho, publicado pela Edusp.

Algo que impressiona nos livros da coleção é o aspecto gráfico aprimorado. Todos os volumes publicados são de capa dura com sobrecapa, além de miolo com fontes e corpos (tipo de letra e tamanho) muito elegantes.

Títulos

Além dos títulos já mencionados, de Artur de Azevedo e Mário de Andrade, os outros lançamentos da coleção até aqui são os seguintes: Marta, de Medeiros e Albuquerque (1867-1934), Mau-Olhado, romance de Veiga Miranda (1881-1936), Navios Iluminados, de Ranulfo Prata (1896-1942), e O Feiticeiro, de Xavier Marques (1861-1942).

De Paula lembra que em 22 de setembro de 2015 Navios Iluminados (leia resenha do livro aqui) foi lançado na Segunda Jornada Reserva Literária, ocorrido na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e mediado pela professora Marisa Midori Deaecto, que ao lado de Plinio Martins e Thiago Mio Sala leciona a disciplina Laboratório de Produção Editorial na ECA (os três são responsáveis também pela coleção). Nela proferiram palestras Luís Bueno, da Universidade Federal do Paraná (UFP), e a escritora Nélida Piñon, ocupante da cadeira número 30 da Academia Brasileira de Letras (ABL), presidida por ela no período 1996/7 – e, “na ocasião, anunciada madrinha da Coleção Reserva Literária”.

E há boas notícias sobre os títulos a serem publicados, o que poderá acontecer ainda neste 2019.  Estão já prontas, ou em preparação, além de Badu, as seguintes obras: Totônio Pacheco (1935), de João Alphonsus – filho do poeta Alphonsus de Guimarães, Vida e Aventura de Pedro Malasarte (1944), de José Vieira, e Treva (1906), de Coelho Neto – a respeito desse autor, De Paula observa que Coelho Neto “já foi muito malhado no País, está na hora de reabilitá-lo, sua linguagem o aproxima bastante do escritor português Camilo Castelo Branco”.

De Paula informa ainda que o livro digital no formato ePub assinalará nova fase da Coleção Reserva Digital e, assim, a disciplina Tecnologia Digital para Editoração se soma às disciplinas Introdução à Ecdótica e Laboratório de Produção Digital: “A Reserva Literária Digital apresentará em e-books todos os livros impressos da coleção, ampliando o alcance das obras já publicadas, sendo possível ler os livros em outros suportes, como smartphones, tablets e computadores”.

Clique aqui para assistir à palestra feita por De Paula no final do ano passado, em Portugal, na Universidade de Lisboa, quando foi convidado para falar sobre a coleção – ele também falou na Universidade de Coimbra e ainda na Universidade de Aveiro.

Leia mais:

Resenha do livro Navios Iluminados, de Ranulfo Prata, da Coleção Reserva Literária, escrita por Luiz Roberto Serrano.

 

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