“Classicismo Moderno” destaca o Núcleo Italiano do MAC

O livro de Ana Gonçalves Magalhães pesquisa a importância estética das obras de meados do século 20

Por - Editorias: Cultura
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Detalhe da capa do livro Classicismo Moderno – Margherita Sarfatti e a Pintura Italiana no Acervo do MAC

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A história da formação do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) é contada sob um viés inusitado. A pesquisadora e professora do MAC Ana Gonçalves Magalhães resgata a formação do primeiro núcleo da instituição integrado por 71 pinturas italianas, adquiridas pelo casal Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado, revelando a importância da instituição na divulgação dos mestres do século 20. A pesquisa é apresentada no livro Classicismo Moderno – Margherita Sarfatti e a Pintura Italiana no Acervo do MAC USP, lançado pela Editora Alameda.

O único autorretrato do pintor italiano Amedeo Modigliani – Imagem: Acervo MAC

“As obras do núcleo inicial do antigo Museu de Arte Moderna de São Paulo, hoje no MAC USP, só recentemente recebem a atenção dos estudiosos, e muito desse interesse deve-se à autora deste livro”, observa Tadeu Chiarelli no texto da orelha do livro. O professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e ex-diretor do MAC considera que a pesquisa de Ana Magalhães valida a importância estética do Núcleo Italiano, integrado por obras célebres como o único Autorretrato, de Amedeo Modigliani, o Enigma de Um Dia, de Giorgio de Chirico, a Natureza Morta, de Giorgio Morandi , A Adivinha, de Achille Funi, ou a escultura Formas Únicas de Continuidade no Espaço,de Humberto Boccioni, entre outras. Daí considerar a pesquisa fundamental para os estudiosos da arte brasileira e pelo papel do País no âmbito do circuito cultural internacional em meados do século 20. “Estudando-o tendo em mente seu parentesco com outros acervos formados na Europa no mesmo período, Ana Magalhães coloca aquelas obras do antigo MAM numa perspectiva alargada, tirando-lhes, em definitivo, a pecha de provincianas, fruto de um colecionismo rastaquera. É interessante também como a autora, ao mapear aquelas aquisições, define a importância da crítica italiana Margherita Sarfatti para a arte brasileira, e os contatos entre seu pensamento e o de alguns sérios nomes da crítica local.”

Natureza Morta, de Giorgio Morandi – Imagem: Acervo MAC

Outras reflexões

Classicismo Moderno – Margherita Sarfatti e a Pintura Italiana no Acervo do MAC USP resultou da tese de livre-docência de Ana Magalhães, defendida em fevereiro de 2015. “Iniciamos uma revisão da história do acervo de arte moderna do MAC USP através do estudo dessa significativa coleção de pinturas italianas do entre-guerras, em princípio, para reavaliar criticamente os modos de documentação das obras do museu”, esclarece a professora. “O projeto que, em 2008, previa a publicação de novo catálogo geral do acervo acabou se transformando num estudo de caso bastante complexo e nos permitiu propor outras reflexões sobre a história do museu e suas coleções.”

Yolanda Penteado e Ciccillo Matarazzo na frente da obra Enigma de Um Dia, do pintor Giorgio de Chirico – Imagem: Acervo MAC

Na avaliação do professor de História de Arte da Universidade Estadual de Campinas, Jorge Coli, que apresenta o livro, Ana Magalhães não se limita a um estudo de obras formal e iconográfico. “Mas a autora fez tudo isso e muito mais”, assinala. “Retraçou o percurso de cada obra, suas origens, seus intermediários, suas chegadas ao museu, as exposições das quais participou. Em historiadora perfeita, ela foi buscar os sentidos dessas trajetórias. Trouxe à luz, de maneira articulada e aprofundada, o papel fundamental de Ciccillo Matarazzo para a cultura paulista e brasileira, e, neste papel, o projeto de reunir uma coleção para um novo museu de arte moderna em São Paulo.”
Coli destaca também a análise feita sobre a crítica Margherita Sarfatti e o seu importante papel ao orientar Ciccillo Matarazzo na compra das obras do Núcleo Italiano. “Era de uma rica família judia, amante de Mussolini e a primeira personalidade do mundo das artes italianas.”

A Adivinha, de Achille Funi – Imagem: Acervo MAC

Ana dedica um capítulo para a importância da crítica de arte. “A personagem-chave por trás das aquisições Matarazzo é digna de um romance”, relata. “E não à toa foi tema de diversos estudos e ao menos de duas massivas biografias, que absorveram seus respectivos autores em anos de pesquisa.”
O trabalho de Ana Magalhães é uma referência para os pesquisadores de arte brasileira e internacional. Propõe uma reflexão sobre a forma como as obras do Núcleo Italiano foram observadas e divulgadas aqui no País, ganhando uma dimensão inesperada como obras-primas. Importante destacar também a sua importância na trajetória do MAC e dos artistas brasileiros.

Classicismo Moderno – Margherita Sarfatti e a Pintura Italiana no Acervo do MAC USP, de Ana Gonçalves Magalhães – lançamento Editora Alameda. O livro tem 256 páginas. Preço: R$ 42,00.

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