Cinusp exibe relação do ser humano com a natureza

Na mostra “Natureza Adentro”, ambientes campestres, selvagens e inóspitos desafiam e provocam corpos e mentes dos homens

Por - Editorias: Cultura
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Cartaz de apresentação da mostra Natureza Adentro, do Cinusp – Imagem: Divulgação

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O Cinema da USP (Cinusp) Paulo Emílio realiza de 19 de junho a 14 de julho a mostra Natureza Adentro. A seleção apresenta filmes de várias partes do mundo, nos quais a natureza se impõe como personagem e influencia diretamente a trajetória dos protogonistas.

A curadoria de Ayume Oliveira e Luca Dourado (com colaboração de Rená Zoé) traz um recorte abrangente, com obras clássicas e contemporâneas, de várias nacionalidades. Estão na mostra diretores consagrados como o russo Andrei Tarkovsky (Stalker, 1979), o sueco Ingmar Bergman (Mônica e o Desejo, 1953), o japonês Akira Kurosawa (Dersu Uzala, 1975) e o alemão Werner Herzog (O Homem-Urso, 2005).
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O Homem-Urso (2005), de Werner Herzog – Foto: Divulgação

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Produções de diretores mais jovens incluem O Regresso (2015), do mexicano Alejandro González Iñarritu, Eternamente Sua (2002), do tailandês Apichatpong Weerasethakul, Floresta dos Lamentos (2007), da japonesa Naomi Kawase, e O Abraço da Serpente (2015), do colombiano Ciro Guerra. O Brasil é representado por Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho, e Ex Isto (2010), de Cao Guimarães.

O Regresso (2015), de Alejandro González Iñarritu – Foto: Divulgação

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De acordo com a curadora Ayume Oliveira, o que une as obras selecionadas é o impacto dos ambientes na trama. “Todos os filmes evocam a reflexão de como os espaços, sejam urbanos ou rurais, interferem nos dramas dos personagens, no conflito de se deslocar, inserir seu corpo num lugar onde você não tem as obrigações da cidade, mas outras obrigações, como procurar comida e refúgio”, explica.

Ex Isto (2010), de Cao Guimarães – Foto: Divulgação

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Para discutir o tema, o Cinusp investe na amplitude das experiências e dos ambientes narrados. Em Stalker, os personagens exploram a área da queda de um suposto meteoro, capaz de realizar o desejo de quem encontrasse o ponto certo. A solidão e abandono do ambiente dominam os protagonistas e arrancam reflexões filosóficas que colocam a própria expedição em xeque.

Stalker (1979), de Andrei Tarkovsky – Foto: Divulgação

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Já em Mônica e o Desejo, a natureza aparece como saída dos problemas da vida cotidiana na cidade. Para se libertar da opressão do emprego e da família, o casal de namorados Mônica e Harry passa o verão morando num barco, visitando praias, dançando e bebendo. Contudo, a solução é passageira e o retorno à cidade traz de volta os conflitos.

Mônica e o Desejo (1953), de Ingmar Bergman – Foto: Divulgação

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Ao contar a história de amizade entre um oficial do exército russo e um caçador das vastidões geladas, Kurosawa não apenas ambienta sua trama em florestas e planícies inóspitas. O próprio entorno é o elemento-chave em Dersu Uzala para o surgimento e consolidação da relação entre Dersu e Arseniev.

“Em Eternamente Sua, os protagonistas começam na cidade e quando vão para a natureza é criado o espaço de suspensão. Não existem tantas obrigações, por exemplo. Isso, o fato de se deslocar geograficamente para um espaço que não o urbano, faz você se confrontar com outros desafios”, analisa Ayume sobre a produção tailandesa de Weerasethakul.

Eternamente Sua (2002), de Apichatpong Weerasethakul – Foto: Divulgação

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A curadora destaca também o interesse nas relações entre homem e ambiente, acima de uma visão romantizada das paisagens. “Olhar para a natureza não de um jeito idealizado, ingênuo, mas ver como essas pessoas urbanas ficam indo para a natureza”, completa.

O Abraço da Serpente (2015), de Ciro Guerra – Foto: Divulgação

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Segundo Ayume, um dos pontos de partida para a mostra veio de uma reflexão sobre o próprio fazer cinematográfico. “A motivação surgiu quando a gente estava procurando narrativas mais diversas. A maioria das narrativas cinematográficas se passa nas cidades, justamente porque o cinema é uma atividade da indústria, depende de máquinas, estúdios. Alguns cineastas, contudo, conseguiram retirar os equipamentos da cidade e levar para lugares de difícil acesso”, explica.

Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho – Foto: Divulgação

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A mostra Natureza Adentro tem entrada franca, com sessões às 16 e 19 horas. Sem Teto nem Lei e Lavoura Arcaica serão exibidos em 35 mm, todos os outros títulos terão projeção digital. O Cinusp fica na Cidade Universitária, na Rua do Anfiteatro, número 181, Favo 4 da Colmeia. Os horários das sessões e as sinopses dos filmes estão disponíveis aqui.

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