Cinquentenário de 1968 é tema de mostra no Cinema da USP

Exibições começam nesta segunda-feira, dia 29, e vão até 2 de dezembro, com entrada grátis

Por - Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=204852
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Cartaz da nova mostra do Cinema da USP – Foto: Divulgação/Cinusp

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No dia 29 de outubro, segunda-feira, começa a mostra de filmes 1968: Como Está Não Vai Ficar, promovida pelo Cinema da USP Paulo Emílio (Cinusp). As exibições dos filmes, documentários e curtas ocorrerão até 2 de dezembro. No total, o evento exibirá 23 obras, em sessões do Cinusp na Cidade Universitária e no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP, em São Paulo.

A escolha do tema não se deu por acaso; 2018 é o ano em que se completa meio século dos acontecimentos que balançaram o mundo. “Nesse ano (1968) houve várias manifestações em diversos lugares do mundo. Nós vimos que foi um ano bem particular, no qual existiu uma combinação entre os ideais das pessoas e a realização da mobilização em si. O importante é perceber o que foi feito, o furor e a mobilização que foi produzida. Não tem muitos períodos parecidos como o ano de 1968”, afirma Lucas Silva, um dos curadores da mostra.

Outro curador da mostra, Henrique Mandruzato, vê uma equivalência entre 1968 e o que está acontecendo hoje. “Há semelhanças entre o momento político daquela época e o momento político atual. Conforme fomos assistindo aos filmes e afinando a curadoria da mostra, percebemos o número de paralelos que se encontram. Conseguimos fazer uma mistura bem interessante entre ficção e documentário na seleção dos filmes.”

Representatividade

Uma das ideias da mostra foi não ficar apenas na questão do que aconteceu na França em 1968. “Para diferentes pessoas de diferentes lugares, o ano de 1968 teve um significado diferente. E queríamos realmente evitar falar só dos eventos na França, que são os mais retratados. Também houve a Primavera de Praga, na Tchecoslováquia, os movimentos no Brasil, os protestos nos Estados Unidos e greves por todo a Europa”, destaca Silva.

O que impressiona é que, mesmo distantes, os movimentos estavam de uma certa forma conectados por diferentes cidades e países no mundo, ressalta Silva. Muitas pessoas estavam em busca de novos ideais, progressistas e anti-imperialistas, e iam para a rua reivindicar e lutar pelos direitos civis, das minorias e dos trabalhadores, acrescenta. “Foi um acontecimento internacional.”

“O mais constante em todos os filmes da mostra é entender que o diferencial é o desejo e a colaboração na mobilização, o que faz a diferença”, prossegue Silva. Segundo ele, a mostra é um convite a repensar o que está sendo feito e o que poderia ser feito quanto às reivindicações sociais. “Estamos em um tempo de novas formas de luta por direitos civis, por representação LGBT, representatividade negra, das mulheres e de classe. É importante olhar para um período no qual a mesma coisa estava acontecendo, de certa forma. É um convite para um novo olhar.”

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Cena do filme A Batalha da Maria Antonia, de Ricardo Tapajós – Foto: Divulgação/Cinusp

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Evento debate

No dia 8 de novembro, às 19 horas, na Cidade Universitária, a exibição do filme 68 (França, 2008, direção de Patrick Rotman) será seguida por um debate, com a presença do professor da Faculdade de Educação da USP Celso Favaretto. Produzido 40 anos após os acontecimentos, o documentário apresenta um resumo dos movimentos que ocorreram da Europa até os Estados Unidos.

68 é um filme panorâmico que mostra os principais eventos ocorridos naquele ano em termos de movimentos sociais e políticos. É uma ótima introdução para além dos outros filmes da mostra, que tem o seu projeto estético e é um filme, um documentário bem direto e informativo”, adianta Henrique Mandruzato.

Após exibição do longa francês 68 (cena acima), haverá debate com o professor da Faculdade de Educação da USP Celso Favaretto – Foto: Divulgação/Cinusp

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As obras

Os curadores fizeram uma longa seleção para chegar aos 23 filmes constantes na programação. Alguns são produções brasileiras, como No Intenso Agora (2017), de João Moreira Salles, e A Batalha da Maria Antonia (2014), de Renato Tapajós. Este último retrata o conflito entre estudantes da USP e da Universidade Mackenzie e ocupação pela Polícia do prédio da então chamada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, na Rua Maria Antonia, na Vila Buarque, zona central de São Paulo, em outubro de 1968. “É um ótimo documentário para entender o cenário político da época, antes do Ato Institucional Número 5, o AI-5”, explica Mandruzato. Após a exibição desse filme, será apresentado ainda o curta Crusp: A  Vida Toda (2018), de Adele Santelli, abordando os moradores do Conjunto Residencial da USP nos anos 60.

A mostra traz obras produzidas por célebres figuras do audiovisual. “Tem alguns filmes conhecidos e obras com diretores estrelas, como Godard e Glauber Rocha”, exemplifica Lucas Silva.

Cena do documentário No Intenso Agora, do brasileiro João Moreira Salles, que será exibido na nova mostra do Cinema da USP – Foto: Divulgação/Cinusp

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A mostra 1968: Como Está Não Vai Ficar será realizada de 29 de outubro a 2 de dezembro pelo Cinema da USP Paulo Emílio (Cinusp). As sessões vão ocorrer nas salas do Cinusp na Cidade Universitária (Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia, favo 4) e no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP (Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, em São Paulo). Entrada grátis. A programação completa da mostra está disponível no site do Cinusp.

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