Cátedra Olavo Setúbal revê momentos de ruptura na arte do Brasil

Ricardo Ohtake fala com os curadores Frederico Morais e Marcus Lontra sobre eventos ocorridos nos anos 70 e 80

Por - Editorias: Cultura
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Cartaz da exposição Do Corpo à Terra, realizada em 1970 – Foto: Reprodução / Memórias da ditadura

A Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP dá seguimento ao ciclo Cultura, Institucionalidade e Gestão, que estabelece um panorama crítico, atual e histórico da formação da estrutura cultural na cidade de São Paulo. Na terça-feira, dia 14, das 14h30 às 17h30, estarão na Sala de Eventos do IEA, sob coordenação do atual catedrático Ricardo Ohtake, os curadores e críticos de arte Frederico Morais e Marcus Lontra, para discutir três eventos artísticos promovidos por eles nos anos 70 e 80.

Ricardo Ohtake, atual titular da Cátedra Olavo Setúbal – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Frederico Morais falará sobre o evento Do Corpo à Terra e sobre os Domingos de Criação, enquanto Marcus Lontra abordará a exposição Como Vai Você, Geração 80?. Segundo o catedrático Ricardo Ohtake, nesse encontro a intenção da Cátedra é discutir exposições e atividades artísticas importantes ocorridas no Brasil na segunda metade do século passado. “Esses eventos que vamos discutir foram muito salutares, com muita gente jovem. Foram momentos de ruptura para a arte brasileira, em plena ditadura”, afirma o representante da Cátedra.

Do Corpo à Terra foi uma manifestação artística promovida por Frederico Morais em abril de 1970, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG). Entre as inovações do evento estão o uso das áreas externas como extensões dos museus e galerias e a apresentação das obras ainda não concluídas pelos artistas, que as terminavam in loco. “Ali ocorreu uma das primeiras intervenções do corpo numa atividade artística, prática que hoje é muito comum, embora recentemente esteja escandalizando algumas pessoas”, diz Ohtake, em referência às acusações de pedofilia contra um artista que se apresentava nu em uma performance no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo.

O curador Frederico Morais – Foto: Reprodução / matizarfilmes via Youtube

Também idealizados por Frederico Morais, os Domingos de Criação foram uma série de atividades artísticas e educativas abertas ao público, realizadas ao ar livre nos jardins do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, em 1971. “A arte deixou de ser elitista e se tornou uma coisa pública nessas atividades. Todos que passavam pelo local podiam participar, e, mesmo que sem saber, essas pessoas estavam fazendo arte”, conta o catedrático.

A exposição Como Vai Você, Geração 80?, organizada por Marcus Lontra, ocorreu já fora da tensão dos chamados “anos de chumbo” da ditadura militar. Realizada em julho de 1984 na Escola de Artes Visuais do Parque Laje, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ela reuniu uma série de artistas de São Paulo e do Rio de Janeiro para mostrar a produção artística variada daquela época, às portas do retorno à democracia. “Essa geração deu uma grande contribuição à pintura no Brasil, um ramo da arte que estava em baixa naquele período”, avalia Ohtake.

O curador Marcus Lontra – Foto: Raquel Silva via Youtube

“Uma das grandes virtudes da USP é sua capacidade de analisar momentos marcantes da nossa história. É isto que pretendemos fazer nesse encontro: conversar sobre três eventos relevantes para a arte no Brasil com pessoas que estiveram diretamente envolvidas neles”, conclui Ohtake.

O encontro do ciclo Cultura, Institucionalidade e Gestão da Cátedra Olavo Setúbal acontece nesta terça-feira, dia 14, das 14h30 às 17h30, na Sala de Eventos do IEA. O endereço é Rua da Praça do Relógio, 109, no 5º andar do Bloco K, na Cidade Universitária. A entrada é gratuita mediante inscrição no site do IEA. O evento terá transmissão ao vivo neste site. Mais informações pelo telefone (11) 3091-1678.

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