Cátedra Olavo Setúbal da USP tem dois novos titulares

A bioquímica Helena Nader e o curador de arte Paulo Herkenhoff assumem cargo nesta quinta-feira, dia 28

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A Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência da USP tem dois novos titulares. A bioquímica Helena Nader, professora titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e o curador de arte Paulo Herkenhoff dividirão o posto durante o ano de 2019. A cerimônia de posse ocorrerá nesta quinta-feira, dia 28, às 9h30, na Sala do Conselho Universitário da USP (Rua da Reitoria, 374, Cidade Universitária, em São Paulo).

Paulo Herkenhoff e Helena Nader, novos titulares da Cátedra Olavo Setúbal – Foto: Leonor Calasans/IEA-USP

Fundada em 2015, a Cátedra Olavo Setúbal é resultado de uma parceria entre o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e o Instituto Itaú Cultural. Ela surgiu com o objetivo de ser um espaço em que a arte e a cultura sejam colocadas no centro das discussões sobre política e sociedade. Desde a sua criação, foram realizadas dezenas de atividades e eventos nesse sentido.

Em 2018, a titular foi a educadora e ativista social Eliana Sousa Silva. Com ela, a cátedra promoveu atividades voltadas para a cultura que comumente costuma ter menos destaque na tradição acadêmica, a exemplo da última edição do evento Centralidades Periféricas, que no dia 25 passado teve como tema dança e música da periferia e trouxe artistas como KL Jay e Karol Conka (leia aqui matéria do Jornal da USP sobre o evento). Antes de Eliana, foram titulares o designer Ricardo Ohtake e Sérgio Paulo Rouanet, ex-secretário nacional de Cultura e criador da lei de incentivo cultural que leva o seu nome.

Os novos titulares

Em geral, as cátedras acadêmicas possuem apenas um titular por vez. Como destaca o professor Martin Grossmann, coordenador acadêmico da Cátedra Olavo Setúbal, a escolha de dois nomes este ano tem a ver com o caráter que a cátedra busca desde o início, de que seu próprio formato pode e deve ser questionado a todo momento. Espera-se que a junção de Paulo Herkenhoff e Helena Nader, cada um de uma área do conhecimento, seja produtiva para as atividades que serão promovidas ao longo de 2019.

Para Grossmann, ambos possuem perfil de “curadores”, ou seja, a capacidade de organizar conhecimento e trabalhar de modo interdisciplinar. “A curadoria tem a ver com transitar por diferentes dimensões do conhecimento, não só da reflexão, mas também da aplicação desse conhecimento. A professora Helena Nader conhece ciência no Brasil como ninguém, ela tem ‘cartografias’ da ciência no Brasil, assim como o curador Paulo Herkenhoff tem ‘cartografias’ da arte no Brasil”, diz.

Cerimônia de inauguração da Cátedra Olavo Setúbal, em 2016 – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A experiência de Herkenhoff na curadoria de arte vem desde os anos 80, quando ele trabalhou na Funarte (Fundação Nacional de Artes). Mais tarde, foi responsável por diversas mostras e exposições importantes, como a 24ª Bienal de São Paulo, realizada em 1998. Quanto a Helena, ela é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 2011 a 2017.

Ter uma cientista como titular é outra novidade da cátedra este ano. Para Grossmann, esse é um detalhe importante, dado o momento político que o Brasil vive. “Na situação atual em que o País se encontra, tanto a arte quanto a ciência estão sendo questionadas. Ambas estão na periferia do poder em Brasília”, coloca.

A cerimônia de posse dos novos titulares da Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência da USP será realizada nesta quinta-feira, dia 28, às 9h30, na Sala do Conselho Universitário da USP (Rua da Reitoria, 374, Cidade Universitária, em São Paulo)..

 

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