Cátedra Olavo Setubal da USP ficará mais latina

Novo titular a partir de setembro, Néstor Canclini vai desenvolver projetos que envolvem Brasil, Argentina e México

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Néstor García Canclini, novo titular da Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência da USP – Foto: Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

A Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência da USP terá novo titular a partir de 1º de setembro. Trata-se do antropólogo cultural argentino radicado no México Néstor García Canclini, que ao longo de seu mandato de um ano à frente da cátedra desenvolverá o projeto A Institucionalidade da Cultura no Contexto Atual de Mudanças Socioculturais. A cátedra também promove atualmente uma seleção para a escolha de um pesquisador em nível de pós-doutorado para trabalhar ao lado de Canclini (leia texto abaixo)

A escolha de Canclini para o cargo leva o debate feito pela cátedra para além das fronteiras brasileiras, adentrando seus vizinhos latino-americanos. “Para Canclini, nosso continente não é multicultural e sim intercultural, porque ele entende que é pelo intercâmbio cultural que a América Latina se diferencia de outras partes do mundo”, afirma o professor Martin Grossmann, coordenador acadêmico da cátedra. Segundo ele, os estudos de Canclini sobre a cultura híbrida são seu diferencial, o que explica o reconhecimento do intelectual que já ganhou o Prêmio Nacional de Ciências e Artes do México, em 2014, além de outras honrarias. “Ele é um dos primeiros a descolonizar a estrutura epistemológica, e isso faz dele o grande intelectual que é.”

Pensando na dificuldade que o Brasil tem em se ver parte da América Latina, preferindo se aproximar a qualquer modo dos Estados Unidos e da Europa, Grossmann considera essencial um estudo como o de Canclini. “Desde o início da sua carreira, ele tem grande interesse em entender essa relação do Brasil com seus vizinhos. Isso aparece tanto em suas obras quanto em sua proposta de estudos para a cátedra”, diz o coordenador. O projeto de Canclini envolverá o Brasil, a Argentina e o México e inaugura a nova etapa da Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência, que renovou sua parceria com o Itaú Cultural e poderá atuar por mais cinco anos.

Evento realizado pela Cátedra Olavo Setubal – Foto: IEA

Lançada oficialmente em fevereiro de 2016, a cátedra teve cinco titulares antes de Canclini. O primeiro foi o diplomata Sérgio Paulo Rouanet, cuja participação foi marcada por várias iniciativas. “A dedicação dele gerou seis eventos acadêmicos sobre grandes autores, começando por Kant, passando por Walter Benjamin e terminando em Machado de Assis”, afirma Grossmann. Segundo ele, isso mostra o caráter mais clássico que marcou a passagem de Rouanet pela cátedra. 

Depois dele, em 2017, veio o designer Ricardo Ohtake, que se concentrou no papel das instituições de arte e cultura, com seminários e aulas que visavam, inclusive, a contribuir para a formação de novos gestores nessa área.

Na sequência, em 2118, foi a vez de Eliana Souza Silva, ativista cultural, social e educacional que fez com que a cátedra olhasse mais para as periferias brasileiras, debatendo desenvolvimento territorial, identidade e memória cultural. “A Eliana continua no IEA como professora visitante e até agora nós estamos vendo frutos desses projetos”, diz Grossmann. 

Segundo o coordenador da cátedra, já nesse momento – entre de 2018 e 2019 – estava muito claro o desmanche na área de cultura e ciência promovido pelo governo federal. “Então a gente pensou em mais uma vez trazer para o mesmo campo as artes e a ciência, colocando à frente da cátedra personalidades como Paulo Herkenhoff e Helena Nader”, conta Grossman. Herkenhoff, representando a arte, foi diretor e curador de vários museus do Rio de Janeiro e do Museu de Arte Moderna de Nova York, enquanto Helena é professora e pesquisadora de biologia molecular.

“A cátedra, desde o início em que ela foi idealizada até agora, tem como um dos grandes eixos a questão das políticas culturais, um objetivo do próprio IEA”, afirma Grossmann, que tem uma expectativa muito positiva em relação à atuação de Canclini, apesar das dificuldades que a pandemia de covid-19 apresenta. “Atualmente, a questão da cultura na virtualidade está sendo muito debatida, e esse é um dos temas que Canclini quer analisar”, diz o coordenador da cátedra.

Criada em 2015, a Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência da USP é fruto de uma parceria entre o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e o Itaú Cultural.

Cátedra busca pesquisador para trabalhar com Canclini

A Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência está selecionando um pesquisador de pós-doutorado para acompanhar Néstor García Canclini na realização do projeto A Institucionalidade da Cultura no Contexto Atual de Mudanças Socioculturais. Para concorrer à vaga é necessário se inscrever no site do IEA até o dia 20 de julho. O selecionado participará do Programa de Pós-Doutorado da USP e receberá bolsa no valor de R$ 7.373,10, durante o período de 12 meses, a partir de setembro de 2020, podendo ser prorrogado por mais um ano. Outras informações podem ser encontradas no edital para seleção divulgado pelo IEA.

 

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