Casa Amarela expõe as “Virtudes das Águas Sinceras”

Nova exposição de Janice de Piero será aberta neste sábado, às 15 horas, na Casa Amarela da Vila Romana

Por - Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=196759
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Desenhos feitos no fundo de uma bacia por larvas de insetos sobre anil e água deram origem à nova exposição de Janice de Piero  – Foto: Divulgação / Casa Amarela da Vila Romana

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Virtudes das Águas Sinceras
 é o título da exposição que será aberta neste sábado, dia 22, às 15 horas, na Casa Amarela da Vila Romana, em São Paulo. A mostra traz obras da artista plástica Janice de Piero que realçam as qualidades estéticas surgidas quando água e anil são trabalhados pelo tempo e pelo espaço. A curadoria é da professora e ativista cultural Cibele Lopresti Costa, doutora em Literatura Portuguesa pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e mediadora do Clube de Leitura da Casa Amarela da Vila Romana.

Uma das obras da exposição – a que dá nome à mostra – surgiu a partir da observação que Janice fez do desenho fixado no fundo de uma bacia de alumínio. Ao longo de semanas, larvas de insetos se movimentaram no fundo do recipiente com água e anil decantado, produzindo desenhos inusitados. “A descoberta do trabalho engenhoso das larvas sugeriu um ensaio fotográfico. Nele, podem-se ver a aproximação e a elaboração de novas composições decorrentes desse bordado fortuito”, afirma Janice.

Em sua pesquisa sobre o anil, a artista utilizou conceitos da estética relacional e da pós-produção, criando objetos, instalações e obras de audiovisuais com a intenção de oferecer ao público lugares para meditação sobre a matéria e a alma.

“Há anos acompanho a produção artística de Janice de Piero”, afirma a curadora Cibele Costa. “A artista mostra que passou pelo seu próprio processo de decantação, posto que seu olhar parece ajustado aos detalhes, ao simples e ao valoroso.”

Detalhe de Virtudes das Águas Sinceras, obra que deu origem à exposição – Foto: Divulgação / Casa Amarela da Vila Romana

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Como observa a artista, o anil – substância retirada das folhas da anileira,
como é popularmente conhecida a planta Indigofera suffruticosatípica de regiões tropicais e subtropicais – é utilizado para branquear a roupa durante o enxágue e também possui aplicações “espirituais”, pois, de acordo com certa tradição popular, teria o poder de restabelecer o equilíbrio do indivíduo e do ambiente

Cartaz de divulgação da exposição Virtudes das Águas Sinceras, de Janice de Piero – Foto: Divulgação / Casa Amarela da Vila Romana (Clique na imagem para ampliar)

“Em Virtudes das Águas Sinceras, vê-se que Janice seguiu o rastro das ‘inofensivas larvas’ para reconhecer seus próprios traços, formas e sentidos; que soube esperar água e anil articularem significados”, acrescenta Cibele. “Assim, o conjunto dessa exposição reflete seu pleno desejo de adotar novos pontos de vista e sua abertura para novos gestos artísticos. Para o público, a exposição é uma porta para a própria interioridade, um convite para a experiência da decantação dos próprios sentidos.”

A exposição Virtudes das Águas Sinceras, de Janice de Piero, será inaugurada neste sábado, dia 22, às 15 horas, e ficará em cartaz até 1º de dezembro, aos sábados, das 14 às 18 horas, na Casa Amarela da Vila Romana (Rua Camilo, 955, Vila Romana, em São Paulo). Entrada grátis. Visitas em outros horários podem ser agendadas pelo site janicedepiero.art.br.

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