Atrizes da USP encenam a natureza da vida e da morte

Em cartaz na Cidade Universitária, peça surpreende pela interpretação e criatividade

Por - Editorias: Cultura
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Três mulheres interpretam Ser Pó – Foto: Cecília Bastos/USP Imagem

A vida, a morte, os sonhos e a natureza de um homem que se transforma em um cacto entre as ruínas de um cemitério abandonado. É essa história, baseada no conto Ser pó, do escritor argentino Santiago Dabove, que está no palco do Teatro Laboratório da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Encenada por alunas e ex-alunas do Departamento de Artes Cênicas da ECA, a peça Ser Pó surpreende pela interpretação e criatividade. Sob direção de Ametonyo Silva, a peça instiga a reflexão sobre as transformações do homem contemporâneo.

“Santiago Dabove traz nesse conto um universo típico da literatura fantástica latino-americana: a morte, o deserto, o sonho etc.”, explica o diretor. “Criamos esse espetáculo inspirados por esse imaginário e interessados em estar em contato com materiais poéticos de artistas da América Latina.”

Ametonyo Silva, de 23 anos, paraibano do sertão, observa que o desafio foi criar um espetáculo teatral a partir de um material literário não dramatúrgico. “Resolvemos então adentrar no campo da narrativa, do ator-narrador, e investigar a potência da palavra como matéria-prima para o nosso trabalho.”

Comecei a entrar em contato com materiais poéticos de artistas da América Latina.”

Ser Pó é resultado do trabalho de conclusão de curso de Ametonyo em Direção Teatral. “Tive a oportunidade de escolher a equipe para participar do espetáculo. Comecei a entrar em contato com materiais poéticos de artistas da América Latina. Meu foco de interesse foi o trabalho com a palavra”, conta. A montagem do espetáculo aliou o conto de Santiago Dabove à tradição da narrativa oral, literatura e teatro. E o resultado foi um trabalho coletivo em que o homem de Ser Pó é desvelado por três mulheres: Alice Máximo, Giovanna Monteiro e Lívia de Souza, alunas do Departamento de Artes Cênicas.

Ametonyo Silva apresenta a peça, resultado do seu Trabalho de Conclusão de Curso em Artes Cênicas – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

As atrizes participaram da criação de seus papéis. Os ensaios começaram em março. “Trabalhávamos a partir do conto e todos propunham estudos cênicos individuais e em grupo, ou seja, improvisavam e jogavam com o material, a fim de mergulhar e adentrar nos mistérios que o universo do conto nos apresentava”, explica o diretor. “Aos poucos esse trabalho prático com o texto foi nos dando pistas e nos indicando uma estrutura cênica que nos ajudasse a narrar essa história. Ou seja, a partir desse processo de investigação, o espetáculo vai ganhando a sua forma de se colocar no mundo e de se relacionar com aquele que vai participar dessa experiência, o público.”

A iluminação do espetáculo conta com o artista Matheus Brant, aluno do Departamento de Artes Plásticas da ECA. “A luz também faz parte do texto”, observa o diretor. “De alguma forma, trabalhar com esse material e com a narrativa é uma maneira de entrar em contato com nossa tradição oral e caminhar em direção a um encontro mais direto com aquele que experiencia nosso ato de narrar, o espectador, já que a narrativa o coloca como agente nessa relação.”

O diretor lembra a importância da participação do público. “É necessário um exercício coletivo de imaginação na criação de um espaço de encontro.”

Giovanna Monteiro: um trabalho coletivo – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Alice Máximo: resgate da tradição oral no teatro – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Lívia de Souza: interpretação criativa – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Ser Pó, espetáculo criado a partir do conto homônimo do argentino Santiago Dabove. Direção de Ametonyo Silva. Apresentações nos dias 17, 18 e 19 de novembro, sexta e sábado, às 20 horas, e domingo, às 18 horas. Entrada grátis. Teatro Laboratório da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Sala Miroel Silveira (Rua da Reitoria, 215, Cidade Universitária, São Paulo).

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