Amor aos livros é tema de seminário na Biblioteca Mindlin da USP

Evento sobre bibliofilia acontece nos dias 12 e 13 de novembro, na Cidade Universitária

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O acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP: tesouro em forma de livros – Foto: Francisco Emolo/USP Imagens

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A paixão pelos livros e o cuidado com eles, desde os mais antigos até os mais modernos, raros ou não, estão no centro das discussões do seminário Bibliofilia: Circuitos e Memórias, que será realizado nos dias 12 e 13 de novembro, das 10 às 16 horas, na Sala Villa-Lobos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP. Realizado pelo Grupo de Pesquisa Tempo, Memória e Pertencimento do Instituto de Estudos Avançados (IEA) e pela BBM, com apoio do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nele), todos órgãos da USP, o evento é organizado por Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho, professores do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e Marina Massimi, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências de Ribeirão Preto (FFLCRP) da USP e professora sênior do IEA.

Segundo a professora Marina, o evento se volta para as questões do colecionismo, da conservação e da memória dos livros. “Nossos palestrantes são destacados colecionadores ou conservadores de bibliotecas públicas e particulares. Queremos ouvir suas histórias, aprender com suas experiências, disseminar seus conhecimentos e valorizar suas peculiaridades, além de reforçar nossos laços com os livros e com as instituições e as pessoas que os preservam”, informa. A professora acrescenta que o projeto foi idealizado pelos professores Plinio Martins Filho e Marisa Midori Deaecto, “a quem devemos o título, a inspiração e o conteúdo”.

O professor Plinio Martins Filho – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

“A ideia do seminário surgiu a partir de uma conversa sobre acervos e a importância que os colecionadores e os bibliófilos têm na preservação de um patrimônio nacional da cultura”, conta Martins. “Afinal de contas, se não fossem eles, não teríamos uma biblioteca como a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Ela só existe porque dois bibliófilos importantes doaram seus acervos”, afirma, e ainda questiona: mas quantos bibliófilos temos no Brasil? “A ideia é que os convidados partilhem suas riquezas bibliográficas em suas áreas e especificidades.”

Os descaminhos do colecionismo

O evento está dividido em quatro mesas. A primeira, no dia 12, às 10 horas, vai tratar da Memória dos livros e dos homens, e destacar dois grandes bibliófilos: José Mindlin (1914-2010) – que tinha a grande paixão de colecionar livros raros, e acumulou um acervo de cerca de 40 mil volumes, incluindo manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), relatos de viajantes, livros científicos, didáticos e de artistas – e Rubens Borba de Moraes (1899-1986), bibliotecário, bibliógrafo, bibliófilo, historiador e pesquisador brasileiro, um dos organizadores da Semana de Arte Moderna, pioneiro da biblioteconomia no Brasil e diretor da biblioteca da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A primeira palestra será conduzida por Ana Luiza Martins, da Academia Paulista de História, e a segunda, por Agenor Briquet de Lemont, da Universidade de Brasília (UnB), com mediação de Marina Massimi.

A professora Marisa Midori Deaecto – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A segunda mesa, também no dia 12, às 14 horas, Os des(caminhos) do colecionismo I, vai abordar a trajetória dos acervos, ou seja, que acervos são esses e como eles são formados. Elisa Nazarian, da Ateliê Editorial, bibliotecária de José Mindlin que trabalhou no seu acervo pessoal, vai falar sobre Mindlin e as correspondências, e o professor da ECA Carlos Augusto Calil vai contar suas experiências – ele foi Secretário Municipal de Cultura de São Paulo (2005-2012), implantando em sua gestão o Sistema Municipal de Bibliotecas, com acervo catalogado e informatizado, além de ampliar o programa Ônibus-Biblioteca e reformar as bibliotecas de bairro, incluindo a Biblioteca Mário de Andrade, que passou a contar com a sua hemeroteca em prédio próprio. “Ele fez um belo trabalho em relação à divulgação da leitura, criando bibliotecas e grupos de leitura, o que foi um marco”, ressalta Martins.

No dia 13, às 10 horas, as discussões abrem com o tema Bibliófilos Brasileiros, reunindo Ana Maria Camargo, professora sênior do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, colecionadora de almanaques; Oto Dias Becker Reifschneider, de Brasília, membro da Associação Brasileira de Bibliófilos e autor de uma tese de doutorado sobre a bibliofilia no Brasil, na qual estudou desde os bibliófilos antigos até os modernos; e Cássio Ramiro Mohallem, formado em Direito pela USP, que vai falar sobre o seu acervo particular, formado por documentos do Brasil – Colônia e Império. A mediação é de Carlos Alberto de Moura Ribeiro Zeron, professor de História da FFLCH e diretor da BBM.

A professora Marina Massimi – Foto: Divulgação/IEA-USP

O evento se encerra, no dia 13, às 14 horas, com o jornalista, tradutor e escritor Ubiratan Machado, bibliófilo com especial interesse na área de literatura nacional e primeiras edições. “De alguma forma, conhecemos a sua biblioteca através de trabalhos que ele tem publicado, como História das Livrarias Cariocas, A Etiqueta de Livros no Brasil e a sua última e gigantesca obra, Capa do Livro Brasileiro (1820-1950)”, informa Plinio Martins, acrescentando que não se conhece a totalidade de seu acervo e essa é uma oportunidade para saber um pouco mais sobre a formação de sua biblioteca. Outro destaque é a participação do acadêmico, poeta, crítico literário e um dos principais bibliófilos do País Antônio Carlos Sechin, professor titular de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos membros da Academia Brasileira de Letras (ABL). A mediação será de Marina Massimi.

“Além de discutir a bibliofilia e valorizar o papel dos bibliófilos, que podemos chamar de guardiões dos livros, queremos que haja uma discussão sobre os acervos das bibliotecas. Esperamos que possa existir uma política geral que valorize os acervos e que tragam esses acervos para as universidades, ou seja, que grandes bibliotecas ou mesmo livros, como uma primeira edição de Machado de Assis, possam integrar os acervos da Universidade”, diz Martins. “Mindlin tinha um objetivo, que era o de formar a Brasiliana, além de dedicar uma parte do seu acervo às obras internacionais, com livros raríssimos, como uma edição de Petrarca, de 1493, quando o Brasil ainda nem tinha sido descoberto. São livros que têm um valor estético e cultural”, destaca, lançando uma pergunta para reflexão: “Qual a política de formação de acervo nas universidades hoje e no futuro?”.
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Cartaz do evento, com a programação completa – Foto: Reprodução

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O seminário Bibliofilia: Circuitos e Memórias será realizado nos dias 12 e 13 de novembro, das 10 às 16 horas, na Sala Villa-Lobos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP (Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, em São Paulo). Haverá transmissão ao vivo através deste link. O evento é gratuito e aberto a todos interessados mediante inscrição via formulário ou pelo e-mail e-mail bbm@usp.br. Mais informações no site do IEA ou no link da BBM.

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