Uso de hormônio sintético retarda abertura floral de lírios de corte

Aplicação da técnica faz com que a flor mantenha sua qualidade durante o transporte e armazenamento antes da venda

A pesquisadora Lorena Cordeiro utilizou o colorímetro, equipamento que faz análise da cor da flor, em suas análises. “A cor do lírio é uma parte importante para a pesquisa – Foto: Gerhard Waller

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Uma pesquisa propôs um tratamento para agregar qualidade ao lírio de corte Litouwen e retardou a abertura floral em um dia após a colheita da flor. O estudo utiliza a solução de pulsing (altas concentrações em um curto período de tempo) com hormônio sintético do grupo das citocininas para substituir produtos importados que produzem um efeito parecido.

“Quando conseguimos retardar a abertura floral, a flor mantém sua qualidade durante o tempo de transporte e armazenamento antes da venda”, disse a mestranda Lorena Pierina Marcelino Cordeiro, que realizou a pesquisa com orientação da professora Claudia Fabrino Machado Mattiuz, do Departamento de Produção Vegetal, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. O objetivo do trabalho foi criar um protocolo de manuseio para o lírio, para que o produtor consiga aplicar ainda na fazenda e antes do transporte.

Durante os experimentos, a pesquisadora testou doses da citocinina sintética 6-benzilaminopurina (BAP) em solução de pulsing. Como resultado, conseguiu alcançar maior longevidade da flor ao mantê-la por 6 horas na solução. “Esse é um período viável para o produtor e suficiente para que a planta absorva os elementos necessários para manter sua qualidade por mais tempo”, disse Lorena.

Além disso, a mestranda testou períodos de refrigeração do lírio e concluiu que, ao aplicar o pulsing, a flor armazenada por 5 dias, a 5 graus Celsius, não sofreu injúrias pelo frio como amarelecimento de folhas e manchas na flor. “Atualmente, o lírio é conservado junto à rosa durante a comercialização, são transportados a 5 graus, o que geralmente é o indicado para flores de clima temperado, mas o lírio é mais sensível e pode perder sua qualidade durante o transporte”, explicou a pesquisadora.

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A pesquisadora também testou períodos de refrigeração da flor após aplicar a solução de hormônio e sacarose. Se armazenado por 5 dias, a 5 graus Celsius, o lírio não tem suas pétalas amareladas ou manchadas – Foto: Pixabay

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Método

Entre os componentes da solução, estão a citocinina, que é comprada em pó e dissolvida em água, e 10% de sacarose diluída. As flores são colocadas em recipientes com essa solução e a duração do tratamento é de 6 horas. Depois desse tempo, são transferidas para recipientes com água. O estudo também utiliza o colorímetro, equipamento que faz análise da cor da flor.

“A cor do lírio é uma parte importante para a pesquisa e, como é comprovado que cada um enxerga a cor de uma maneira diferente, foi desenvolvido esse equipamento que mede a cor como se fosse uma coordenada em três dimensões. Ele me dá um parâmetro de luminosidade, cromaticidade e o ângulo de cor”, informou a pesquisadora.

A pesquisa tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do produtor de Andradas (MG) Pieter Boersen, que tem colaborado por meio da doação de flores, e da Cooperflora.

Texto: Letícia Santin | Comunica Esalq 

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