Sistema permite trabalho colaborativo entre portadores de deficiência visual e pessoas com visão normal

Sistema que converte gráficos de computador em áudio integra pesquisa sobre recursos computacionais para inclusão em cursos e no mercado de trabalho

Por - Editorias: Tecnologia
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O sistema já foi testado com algumas pessoas do grupo Cegos Programadores do Brasil – Foto: Kelli Amanda via Visual Hunt

Um sistema desenvolvido na Escola Politécnica (Poli) da USP converte gráficos de computador (diagramas) em arquivos de áudio para permitir seu acesso e edição aos portadores de deficiência visual. Isso torna possível o trabalho colaborativo entre pessoas com e sem visão, ao fornecer interfaces adequadas às características do usuário. O sistema serviu para testar o método pesquisado pelo engenheiro Leandro Luque, que facilita a escolha de recursos computacionais adequados para a inclusão dos portadores de deficiência visual em cursos e no mercado de trabalho da área de computação.

“Na computação, diagramas são utilizados com frequência para explicar conceitos, projetar sistemas ou mesmo documentar sistemas existentes. Devido à sua natureza gráfica, eles são inacessíveis para pessoas cegas. E quando se considera pessoas cegas e de visão normal criando ou utilizando diagramas ao mesmo tempo, torná-los acessíveis é ainda mais desafiador”, conta a professora Anarosa Alves Franco Brandão, orientadora do trabalho.

“A pesquisa buscou definir um método que, além de outras coisas, auxilia na especificação e escolha dos recursos computacionais adequados para que a inclusão seja possível.” Luque aponta que, para validar o método, foi desenvolvido um sistema que apoia a modelagem (edição de diagramas) cooperativa envolvendo pessoas cegas e de visão normal.

Ele foi batizado Model2gether e está disponível em model2gether.com. “O sistema pode ser usado por qualquer pessoa cega ou de visão normal que deseja editar alguns tipos específicos de diagramas UML em conjunto com outras pessoas”, destaca o pesquisador.

Inclusão

O sistema permite a inclusão de pessoas cegas em atividades colaborativas que envolvem representações gráficas pois “converte o diagrama em uma representação textual que é sintetizada em áudio pelo computador para o usuário cego”, relata o engenheiro.

Ao mesmo tempo, cada ação realizada pelos usuários que estão participando da edição do diagrama é comunicada por meio de sinais sonoros e textos sintetizados aos usuários cegos. “Por fim, usuários cegos podem usar o teclado para alterar o diagrama de modo acessível. Com interfaces adequadas a cada tipo de usuário, ele permite o trabalho colaborativo entre pessoas com e sem visão.”

De acordo com Luque, o sistema já foi testado com algumas pessoas cegas, do grupo Cegos Programadores do Brasil. “Foram realizados testes tanto simulando o ambiente acadêmico [aulas], envolvendo pessoas cegas e de visão normal, quanto o mercado de trabalho [criação cooperativa de diagramas]”, destaca. “A partir destes testes, a primeira versão do método proposto no trabalho está sendo refinada e novos testes serão realizados para validá-lo.”

A pesquisa, realizada no Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Poli, foi premiada em agosto pelo Google Research Awards in Latin America. Voltada para pesquisadores da América Latina, a premiação criada pela empresa Google financia estudos inovadores na área de computação.

Mais informações: e-mails anarosa.brandao@poli.usp.br, com a professora Anarosa Alves Franco Brandão e leandro.luque@gmail.com, com Leandro Luque

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